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Quantos segundos por dia um relógio pode errar

Maison Garde & Co. 7 min de leitura
Relógio de aço ao lado de um cronômetro de bancada e uma folha de anotações de desvio

Quinze segundos por dia num automático de entrada não é defeito. É o que a fábrica prometeu, e quase ninguém leu.

Esta é a maior fonte de arrependimento com o primeiro relógio mecânico, e ela não tem nada a ver com o relógio.

A pessoa compra, mede, vê doze segundos por dia de diferença e conclui que levou um produto ruim. Não levou. Ela só não sabia qual era o combinado.

As faixas, do certificado ao comum

O que é Desvio declarado por dia
Quartzo comum alguns segundos por mês
Cronômetro COSC menos 4 a mais 6 segundos
Automático suíço de entrada costuma ficar em menos 10 a mais 20
Seiko 6R35 menos 15 a mais 25 segundos
Seiko 4R36 menos 35 a mais 45 segundos

Olhe a última linha. Oitenta segundos de janela, do pior ao melhor caso, num movimento que equipa milhões de relógios vendidos como bons. E são.

Isso não é a fábrica sendo relaxada. É o custo real de acertar um mecanismo de mola, e apertar essa faixa é exatamente o que faz um relógio ficar mais caro.

O que o selo de cronômetro exige

Cronômetro não é adjetivo. É um certificado, e no caso suíço quem emite é o COSC.

O ensaio segue a norma ISO 3159 e é mais duro do que quase todo mundo imagina. Segundo a própria página do COSC, o movimento passa por:

  • 15 dias de teste contínuo
  • 5 posições diferentes
  • 3 temperaturas: 8 °C, 23 °C e 38 °C
  • média diária obrigatória entre menos 4 e mais 6 segundos
Quinze dias, cinco posições e três temperaturas. Cronômetro é certificado, não adjetivo.
Quinze dias, cinco posições e três temperaturas. Cronômetro é certificado, não adjetivo.

Repare no detalhe que muda tudo: é a média que precisa ficar na faixa. O relógio pode passar de seis segundos num dia específico e ainda assim ser aprovado.

E repare no outro: o teste é do movimento, antes de ele entrar na caixa. Um movimento certificado pode se comportar de outro jeito depois de encaixado.

Por que o seu erra mais que a tabela

Aqui está a parte que ninguém explica e que resolve quase toda reclamação.

A posição. Um relógio mecânico anda diferente deitado com o mostrador para cima, deitado para baixo, ou em pé sobre cada uma das laterais. A diferença entre a melhor e a pior posição pode passar de dez segundos por dia.

A carga. Mola cheia entrega mais energia que mola no fim. Um automático usado poucas horas por dia vive na parte fraca da curva e perde precisão.

A temperatura. Aço e mola se dilatam. Um relógio no bolso a 35 graus anda diferente do mesmo relógio numa gaveta a 20.

O magnetismo. Este é o único que muda tudo de uma vez. Um relógio magnetizado não erra dez segundos, erra minutos por dia. Se o seu disparou de uma hora para outra, é quase certamente isso.

A proteção contra campo magnético virou padrão na faixa de entrada moderna, com espirais como o Nivachron, e a discussão está em o Khaki Field é superestimado.

Como medir o seu em sete dias

Parar de discutir por impressão custa uma semana e zero reais.

  1. Acerte pelo horário do celular, que sincroniza com relógio atômico. Anote o dia e a hora.
  2. Use o relógio normalmente por sete dias, sem trocar de rotina.
  3. Compare no mesmo horário, sete dias depois, e anote a diferença total em segundos.
  4. Divida por sete. Esse é o seu desvio médio diário.

Um exemplo: se depois de sete dias ele está 84 segundos adiantado, o desvio é de 12 segundos por dia. Isso é normal para automático de entrada e não é defeito.

O que interessa não é o número de um dia. É o número médio e a consistência. Um relógio que adianta 12 segundos todo dia é melhor que um que adianta 3 num dia e atrasa 9 no outro, porque o primeiro pode ser regulado e o segundo tem problema.

Sete dias, uma divisão. É o que separa medida de impressão.
Sete dias, uma divisão. É o que separa medida de impressão.

O truque das posições de descanso

Este é o ajuste caseiro que funciona e não custa nada.

Como o relógio anda diferente em cada posição, você pode compensar durante a noite, que é quando ele fica parado por oito horas seguidas.

Se ele adianta: deixe deitado com o mostrador para baixo, ou em pé com a coroa para cima. Nessas posições a maioria dos calibres atrasa um pouco.

Se ele atrasa: deixe deitado com o mostrador para cima. É a posição em que a maioria adianta.

Teste uma posição por semana e anote. Em três ou quatro semanas você acha a combinação que zera o seu desvio, sem tocar no relógio.

Isso não é superstição de fórum. É consequência direta da física do balanço, e funciona para qualquer relógio mecânico.

Por que o quartzo ganha tão fácil

A diferença entre as duas tecnologias não é de grau. É de natureza.

No mecânico, o que marca o tempo é uma roda de balanço oscilando com uma mola espiral. Ela bate poucas vezes por segundo, e tudo que existe no mundo mexe com ela: posição, temperatura, carga da mola, magnetismo, desgaste do óleo.

No quartzo, um cristal vibra 32.768 vezes por segundo quando recebe corrente. Essa frequência é altíssima e é estável, e um circuito divide ela em pulsos de um segundo.

Frequência maior significa que cada erro individual pesa muito menos no total. Por isso um quartzo comum erra segundos por mês, e não por dia.

Existe ainda o quartzo termocompensado, que mede a temperatura e corrige a contagem. Ele fica na casa de poucos segundos por ano, e é o que se usa em relógios de precisão de bolso.

Isso encerra qualquer discussão sobre qual é mais preciso. O mecânico não compete nesse terreno e nunca competiu desde 1969.

Quando é caso de oficina

Nem todo desvio é normal. Estes são os sinais de que existe um problema de verdade:

Salto repentino. O relógio andava bem e passou a adiantar minutos por dia. Quase sempre é magnetismo, e desmagnetizar é serviço barato e rápido.

Desvio fora da faixa declarada. Se o fabricante promete menos 15 a mais 25 e o seu marca 60 segundos por dia de forma constante, isso é regulagem e costuma ser coberto por garantia.

Inconsistência. Adianta muito num dia, atrasa muito no outro, sem padrão. Isso sugere problema mecânico, e não desregulagem.

Parada com carga. O relógio para mesmo com a mola cheia. Leve para a assistência.

Fora esses quatro casos, o mais provável é que esteja tudo certo e a expectativa é que estava errada.

Perguntas frequentes

Qual a precisão normal de um relógio automático?

Depende do movimento. A faixa declarada de fábrica costuma ir de menos 15 a mais 25 segundos por dia nos calibres melhores, e chega a menos 35 a mais 45 nos de entrada. Cronômetro certificado fica entre menos 4 e mais 6.

Relógio caro é mais preciso?

Só até certo ponto. Acima da faixa de cronômetro, o dinheiro compra acabamento e complicação, não precisão. Um quartzo de duzentos dólares é mais preciso que quase todo mecânico de vinte mil.

O que é um relógio Master Chronometer?

É uma certificação mais recente e mais dura que a do COSC, feita pelo instituto metrológico suíço, que testa o relógio já encaixado e inclui resistência a campo magnético forte. Ela existe em poucas marcas.

Dá para regular um relógio em casa?

Não sem ferramenta e sem prática. O que dá para fazer em casa é o truque das posições de descanso, que compensa o desvio sem abrir nada.

Meu relógio atrasa quando fica parado. É normal?

Se ele fica parado dias e a mola esvazia, sim. Automático com pouca carga anda mal antes de parar. Se você usa pouco, dê corda manual pela coroa antes de sair.

Quanto custa desmagnetizar?

É um dos serviços mais baratos de relojoaria e leva minutos. Se o seu relógio disparou de repente, peça isso antes de qualquer outro diagnóstico.

O que fica

Relógio mecânico não é instrumento de precisão. Ele é uma máquina de mola com duzentos anos de refino, e mesmo o melhor deles perde feio para um quartzo de supermercado.

Se você quer a hora exata, compre quartzo e acabe com a discussão. A comparação está em PRX quartzo ou automático.

Se você quer a máquina, aceite o combinado: alguns segundos por dia, medidos ao longo de uma semana, e um relógio que você acerta uma vez por mês. Isso não é defeito. É o preço de ter uma mola trabalhando no seu pulso.

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