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Tissot PRX: o que é de plástico e se isso importa

Maison Garde & Co. 5 min de leitura
Tissot PRX Powermatic 80 de 40 mm sobre bancada de nogueira

Duas peças do movimento são de polímero, elas estão lá por engenharia, e o que merece a sua atenção é outra coisa.

Se você pesquisou Tissot PRX por mais de dez minutos, esbarrou na acusação: o movimento tem peça de plástico.

A frase circula tanto que virou o assunto principal em fóruns de relojoaria, com discussões de mais de duzentos comentários defendendo o relógio.

Aqui está o que é verdade, o que muda na prática e o que é reclamação de gente que nunca abriu um.

O que é de plástico, de verdade

Duas peças dentro do movimento: a âncora e a roda de escape.

As duas ficam no escape, o conjunto que solta a energia da mola em pulsos regulares. É o coração do relógio, e é por isso que a discussão pegou.

Nada disso aparece por fora. Caixa, pulseira, fundo, coroa e mostrador são de aço, cristal de safira e materiais convencionais.

Também vale a precisão: não é plástico de embalagem. É um polímero técnico, e a diferença importa.

As duas peças em polímero ficam no escape, o conjunto que solta a energia da mola em pulsos regulares.
As duas peças em polímero ficam no escape, o conjunto que solta a energia da mola em pulsos regulares.

Por que a Tissot fez isso

Não foi para economizar. Foi para conseguir as 80 horas.

O Powermatic 80 é o calibre C07.111 da ETA, apresentado em 2011 sobre a base do ETA 2824-2, como conta a Monochrome no texto sobre o motor de entrada do grupo Swatch.

Um 2824 comum roda cerca de 38 horas. Para chegar a 80, a ETA fez duas coisas.

Baixou a frequência de 28.800 para 21.600 alternâncias por hora, o que gasta menos energia por unidade de tempo. E redesenhou o escape para atritar menos.

O polímero entra exatamente aí. Ele é autolubrificante, então precisa de bem menos óleo. E gera menos atrito e menos impacto no momento em que a âncora trava e solta a roda.

Menos atrito significa mais horas com a mesma mola.

O que isso muda no seu pulso

Nada que você perceba no uso normal.

O polímero não deforma com calor de dia a dia, não se magnetiza e não desgasta os rubis como aço contra aço faria. Em termos de durabilidade cotidiana, ele se comporta bem.

O ponto real é outro, e quase ninguém fala dele.

O ponto que importa de verdade: a revisão

A Worn & Wound levanta isso na análise do PRX Powermatic 80: regular esse calibre pode dar trabalho ao relojoeiro comum.

O escape do Powermatic não se ajusta como o de um 2824 clássico. O relojoeiro de bairro que abre qualquer ETA a vida inteira pode não ter a ferramenta ou a familiaridade.

Isso não quer dizer que ele é irreparável. Quer dizer que a rede de quem mexe nele é menor.

Se você compra pensando em revisar perto de casa daqui a cinco anos, pergunte antes na oficina se eles atendem Powermatic 80. É a pergunta certa a fazer, e é muito mais útil que discutir o material da âncora.

Falamos mais sobre esse calendário de manutenção no texto sobre como o PRX fica depois de um ano de uso.

Aço contra polímero, na prática

Escape em aço (ETA 2824) Escape em polímero (Powermatic 80)
Reserva de marcha cerca de 38 horas 80 horas
Frequência 28.800 alt/h 21.600 alt/h
Lubrificação óleo no escape autolubrificante
Magnetismo sensível não magnetiza
Rede de conserto qualquer relojoeiro oficina familiarizada

Nem todo Powermatic é igual

Esse detalhe some no meio da discussão e muda a conversa.

A família C07 tem várias versões. As de entrada usam as peças em polímero. As versões acima, como a que leva 25 rubis e ajuste a laser de fábrica, mudam a especificação.

O banco de dados de calibres mostra essas diferenças entre as variantes da mesma família.

Ou seja: dizer “todo Powermatic tem plástico” é tão impreciso quanto dizer que nenhum tem.

O que o PRX entrega pelo preço

Vale lembrar o que você leva por US$ 850 de tabela, segundo a ficha oficial da Tissot.

Caixa e pulseira integrada de aço, safira, 100 metros de água, espiral Nivachron antimagnética e 80 horas de reserva.

Nessa faixa, nenhum concorrente entrega essa combinação com pulseira integrada de fábrica. O rival mais próximo em preço é o Hamilton Khaki Field, e os dois não se parecem em nada, como mostramos na disputa entre os dois.

Caixa e pulseira integrada de aço, safira e 100 metros. Nada de polímero aparece por fora.
Caixa e pulseira integrada de aço, safira e 100 metros. Nada de polímero aparece por fora.

De onde vem tanta emoção

Parte da irritação é semântica. Chamar de “plástico” soa a brinquedo, chamar de “polímero técnico” soa a engenharia, e as duas palavras descrevem a mesma peça.

Parte é expectativa de categoria. Relógio suíço mecânico carrega a ideia de metal usinado, e a presença de polímero fere essa imagem antes de ferir qualquer função.

E parte é legítima. Quem compra pensando em passar o relógio para um filho tem razão em querer saber quanto tempo aquela peça dura e quem vai saber trocar.

Perguntas frequentes

O plástico do Powermatic 80 quebra?

Não é um ponto de falha conhecido no uso normal. O polímero foi escolhido justamente por resistir ao impacto do escape com menos atrito que o aço.

Isso reduz o valor de revenda do PRX?

Não de forma perceptível. O PRX tem procura alta no mercado de usados, e a discussão sobre o escape é de nicho. Cor e estado do relógio pesam muito mais.

Dá para trocar as peças por versões de metal?

Não é um serviço oferecido pela Tissot e não faria sentido técnico. O escape foi calculado para funcionar com esse material, e trocar mudaria o comportamento do conjunto.

O Powermatic 80 é preciso?

Sim, dentro do esperado para a faixa. A Tissot regula na faixa de cerca de menos quatro a mais seis segundos por dia. A espiral Nivachron ajuda a manter isso estável perto de campo magnético.

Qual a diferença entre Powermatic 80 e o ETA 2824?

O Powermatic nasce do 2824, roda em frequência mais baixa e tem o escape redesenhado. O resultado é 80 horas em vez de 38, com uma manutenção que exige oficina mais familiarizada.

O veredito

A acusação é verdadeira e o alarme é exagerado.

Existem duas peças em polímero, elas estão lá por um motivo de engenharia, e o resultado é uma reserva de marcha que nenhum 2824 comum alcança.

O que merece atenção não é o material. É saber, antes de comprar, onde você vai revisar esse relógio daqui a cinco anos.

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