MAISON GARDE Consultoria grátis

Um ano de Tissot PRX: o que acontece com a pulseira

Maison Garde & Co. 5 min de leitura
Elos polidos do Tissot PRX em close, com marcas finas de uso na superfície

A pulseira polida vai marcar. A pergunta não é se, é se isso vai te incomodar.

De todas as perguntas sobre o PRX, a que mais gera resposta longa é esta: como ele fica depois de um ano de uso diário.

O motivo é a pulseira. Ela é integrada, tem grandes superfícies polidas, e superfície polida em aço é a coisa que mais mostra risco no mundo dos relógios.

Vale saber o que esperar antes de comprar, não depois.

Por que o PRX risca mais que a média

Não é qualidade do aço. É acabamento.

Aço escovado tem microranhuras paralelas de fábrica. Um risco novo se esconde entre elas e some no meio do padrão.

Aço polido é um espelho. Qualquer marca aparece, porque não existe textura para disfarçar.

A pulseira do PRX alterna as duas coisas: elos centrais polidos, laterais escovadas. Os elos centrais são exatamente onde a mão bate na mesa, no batente da porta e no volante.

A ficha oficial da Tissot descreve o conjunto como aço com acabamento escovado e polido, e é essa mistura que define como ele envelhece.

Elos centrais polidos e laterais escovadas. É no polido que a marca aparece.
Elos centrais polidos e laterais escovadas. É no polido que a marca aparece.

O que aparece em um ano de uso diário

Marcas de teia na parte de cima dos elos

São riscos finos, rasos, cruzados, que só aparecem em ângulo contra a luz. Vêm do atrito comum do dia.

Aparecem entre o segundo e o quarto mês em uso diário. São os mais fáceis de tirar e os primeiros a voltar.

Marcas no fecho

O fecho borboleta encosta na parte de baixo do pulso e raspa em mesa, teclado e apoio de braço.

É a área que fica pior e a que ninguém vê. Também é a que menos importa.

Batidas nas quinas da caixa

A caixa tonneau tem quinas vivas. Elas pegam batente de porta e canto de móvel.

Diferente de risco, batida deixa uma marca funda que polimento caseiro não resolve.

O que não acontece

O aço não perde cor. A pulseira não afrouxa se os elos estiverem bem fechados. O mostrador não desbota. A safira não risca em uso normal.

Um ano de uso não deixa o relógio velho. Deixa ele usado, que é coisa diferente.

O que sai e o que fica

Tipo de marca Some com Volta em
Teia superficial no polido pasta de polir e pano 2 a 4 meses
Risco médio no polido polimento profissional 6 meses a 1 ano
Risco no escovado escovação com fibra quase não aparece
Batida com deformação não sai sem retrabalho permanente

Como cuidar sem virar refém

Não polir toda semana. Cada polimento tira uma camada de metal. Fazer isso muitas vezes arredonda as quinas e o relógio perde a definição do desenho.

Uma vez por ano resolve. Duas, no máximo.

Lave a pulseira. Água morna, sabão neutro e escova de dente macia, com foco nas frestas entre elos. Suor e resíduo acumulam ali e escurecem o metal.

Enxágue bem e seque com pano macio. O PRX tem 100 metros de água, então isso não oferece risco nenhum.

Tire para academia. Não pela água, e sim pelo halter, pela barra e pelo banco de metal. É onde nascem as batidas que não saem.

Vale trocar por pulseira de couro?

Muita gente compra o PRX pensando em alternar, e descobre que não é simples.

A pulseira sai pelo sistema de troca rápida, e a Tissot vende couro e borracha próprios que encaixam certo.

Pulseira de terceiro quase sempre deixa vão na junção com a caixa, porque o desenho integrado exige um encaixe curvo específico. O resultado fica visivelmente errado.

Se a ideia de trocar de pulseira é importante para você, isso é um argumento contra o PRX, não a favor.

A Monochrome trata dessa dependência da pulseira na análise do PRX de 40 mm: o bracelete não é acessório, é metade do desenho.

Pulseira de terceiro deixa vão na junção. O desenho integrado exige encaixe curvo específico.
Pulseira de terceiro deixa vão na junção. O desenho integrado exige encaixe curvo específico.

O relógio depois de cinco anos

Um ano marca a pulseira. Cinco anos começam a pedir mecânica.

A revisão de um automático costuma acontecer entre cinco e sete anos. Óleo seca, o relógio começa a atrasar, e a peça pede limpeza e lubrificação.

Aqui vale o aviso que a Worn & Wound levanta na análise do PRX: regular o Powermatic 80 pode dar trabalho ao relojoeiro comum, porque o escape não se ajusta como o de um ETA tradicional.

Antes de comprar, pergunte na oficina perto de você se eles atendem Powermatic 80. É uma pergunta de dois minutos que evita dor de cabeça em cinco anos.

O motivo técnico disso está no texto sobre o que é de plástico no PRX, que é onde essa discussão realmente começa.

Perguntas frequentes

O PRX risca muito?

Risca como qualquer aço polido. A diferença é que ele tem mais área polida que a média, então as marcas aparecem mais cedo e mais visíveis.

Dá para polir o PRX em casa?

Dá, nas superfícies polidas, com pasta específica para aço e pano macio. Não tente polir as partes escovadas, porque você apaga o padrão e o conserto vira profissional.

Quanto custa polir profissionalmente?

Varia bastante por cidade e por oficina. Vale pedir orçamento em duas ou três antes, e perguntar se o serviço inclui refazer o escovado das laterais.

A pulseira afrouxa com o tempo?

Não, se os elos estiverem bem fechados. Se você sentir folga, provavelmente um pino saiu do lugar durante um ajuste. Leve para reapertar antes que ele caia.

Quando fazer a primeira revisão?

Entre cinco e sete anos de uso, ou antes se o relógio começar a atrasar mais que o normal. Automático parado na gaveta não conta o mesmo tempo que automático em uso diário.

O que esperar de verdade

Se você quer um relógio que continue parecendo novo depois de um ano, o PRX não é a escolha. A pulseira polida vai marcar, e não tem jeito.

Se você aceita que relógio usado parece usado, ele envelhece bem. As marcas ficam concentradas em áreas que polimento anual resolve, e nada estrutural se degrada.

A pergunta não é se ele vai riscar. É se isso vai te incomodar.

E se você está comprando usado, o desgaste conta como prova de autenticidade. Vale cruzar com os oito pontos para checar antes de pagar.

Continue lendo