Um ano de Tissot PRX: o que acontece com a pulseira
A pulseira polida vai marcar. A pergunta não é se, é se isso vai te incomodar.
De todas as perguntas sobre o PRX, a que mais gera resposta longa é esta: como ele fica depois de um ano de uso diário.
O motivo é a pulseira. Ela é integrada, tem grandes superfícies polidas, e superfície polida em aço é a coisa que mais mostra risco no mundo dos relógios.
Vale saber o que esperar antes de comprar, não depois.
Por que o PRX risca mais que a média
Não é qualidade do aço. É acabamento.
Aço escovado tem microranhuras paralelas de fábrica. Um risco novo se esconde entre elas e some no meio do padrão.
Aço polido é um espelho. Qualquer marca aparece, porque não existe textura para disfarçar.
A pulseira do PRX alterna as duas coisas: elos centrais polidos, laterais escovadas. Os elos centrais são exatamente onde a mão bate na mesa, no batente da porta e no volante.
A ficha oficial da Tissot descreve o conjunto como aço com acabamento escovado e polido, e é essa mistura que define como ele envelhece.

O que aparece em um ano de uso diário
Marcas de teia na parte de cima dos elos
São riscos finos, rasos, cruzados, que só aparecem em ângulo contra a luz. Vêm do atrito comum do dia.
Aparecem entre o segundo e o quarto mês em uso diário. São os mais fáceis de tirar e os primeiros a voltar.
Marcas no fecho
O fecho borboleta encosta na parte de baixo do pulso e raspa em mesa, teclado e apoio de braço.
É a área que fica pior e a que ninguém vê. Também é a que menos importa.
Batidas nas quinas da caixa
A caixa tonneau tem quinas vivas. Elas pegam batente de porta e canto de móvel.
Diferente de risco, batida deixa uma marca funda que polimento caseiro não resolve.
O que não acontece
O aço não perde cor. A pulseira não afrouxa se os elos estiverem bem fechados. O mostrador não desbota. A safira não risca em uso normal.
Um ano de uso não deixa o relógio velho. Deixa ele usado, que é coisa diferente.
O que sai e o que fica
| Tipo de marca | Some com | Volta em |
|---|---|---|
| Teia superficial no polido | pasta de polir e pano | 2 a 4 meses |
| Risco médio no polido | polimento profissional | 6 meses a 1 ano |
| Risco no escovado | escovação com fibra | quase não aparece |
| Batida com deformação | não sai sem retrabalho | permanente |
Como cuidar sem virar refém
Não polir toda semana. Cada polimento tira uma camada de metal. Fazer isso muitas vezes arredonda as quinas e o relógio perde a definição do desenho.
Uma vez por ano resolve. Duas, no máximo.
Lave a pulseira. Água morna, sabão neutro e escova de dente macia, com foco nas frestas entre elos. Suor e resíduo acumulam ali e escurecem o metal.
Enxágue bem e seque com pano macio. O PRX tem 100 metros de água, então isso não oferece risco nenhum.
Tire para academia. Não pela água, e sim pelo halter, pela barra e pelo banco de metal. É onde nascem as batidas que não saem.
Vale trocar por pulseira de couro?
Muita gente compra o PRX pensando em alternar, e descobre que não é simples.
A pulseira sai pelo sistema de troca rápida, e a Tissot vende couro e borracha próprios que encaixam certo.
Pulseira de terceiro quase sempre deixa vão na junção com a caixa, porque o desenho integrado exige um encaixe curvo específico. O resultado fica visivelmente errado.
Se a ideia de trocar de pulseira é importante para você, isso é um argumento contra o PRX, não a favor.
A Monochrome trata dessa dependência da pulseira na análise do PRX de 40 mm: o bracelete não é acessório, é metade do desenho.

O relógio depois de cinco anos
Um ano marca a pulseira. Cinco anos começam a pedir mecânica.
A revisão de um automático costuma acontecer entre cinco e sete anos. Óleo seca, o relógio começa a atrasar, e a peça pede limpeza e lubrificação.
Aqui vale o aviso que a Worn & Wound levanta na análise do PRX: regular o Powermatic 80 pode dar trabalho ao relojoeiro comum, porque o escape não se ajusta como o de um ETA tradicional.
Antes de comprar, pergunte na oficina perto de você se eles atendem Powermatic 80. É uma pergunta de dois minutos que evita dor de cabeça em cinco anos.
O motivo técnico disso está no texto sobre o que é de plástico no PRX, que é onde essa discussão realmente começa.
Perguntas frequentes
O PRX risca muito?
Risca como qualquer aço polido. A diferença é que ele tem mais área polida que a média, então as marcas aparecem mais cedo e mais visíveis.
Dá para polir o PRX em casa?
Dá, nas superfícies polidas, com pasta específica para aço e pano macio. Não tente polir as partes escovadas, porque você apaga o padrão e o conserto vira profissional.
Quanto custa polir profissionalmente?
Varia bastante por cidade e por oficina. Vale pedir orçamento em duas ou três antes, e perguntar se o serviço inclui refazer o escovado das laterais.
A pulseira afrouxa com o tempo?
Não, se os elos estiverem bem fechados. Se você sentir folga, provavelmente um pino saiu do lugar durante um ajuste. Leve para reapertar antes que ele caia.
Quando fazer a primeira revisão?
Entre cinco e sete anos de uso, ou antes se o relógio começar a atrasar mais que o normal. Automático parado na gaveta não conta o mesmo tempo que automático em uso diário.
O que esperar de verdade
Se você quer um relógio que continue parecendo novo depois de um ano, o PRX não é a escolha. A pulseira polida vai marcar, e não tem jeito.
Se você aceita que relógio usado parece usado, ele envelhece bem. As marcas ficam concentradas em áreas que polimento anual resolve, e nada estrutural se degrada.
A pergunta não é se ele vai riscar. É se isso vai te incomodar.
E se você está comprando usado, o desgaste conta como prova de autenticidade. Vale cruzar com os oito pontos para checar antes de pagar.