Promaster solar ou automático: o mesmo nome, dois relógios
Trezentos e trinta reais separam um relógio que erra 15 segundos por mês de um que erra 40 por dia, e os dois se chamam Promaster.
A Citizen vende 111 referências Promaster no Brasil, e elas se dividem em duas engenharias que não têm nada a ver uma com a outra.
Sessenta e nove funcionam com luz e quarenta e duas funcionam com o movimento do seu braço. O nome no mostrador é o mesmo.
A ficha lado a lado
| Promaster Eco-Drive | Promaster automático | |
|---|---|---|
| Preço de entrada | R$ 2.550 | R$ 2.880 |
| Energia | luz | movimento do pulso |
| Calibre | E168 | Citizen 8203 |
| Erro | 15 segundos por mês | 20 a 40 segundos por dia |
| Reserva | cerca de 6 meses | 40 horas |
| Rubis | não se aplica | 21 |
| Para o ponteiro | não se aplica | não |
| Manutenção | quase nenhuma | revisão a cada 5 a 7 anos |
| Água | 200 m | 200 m |
Os números do Eco-Drive saem do manual oficial do calibre, que declara ±15 segundos por mês e cerca de seis meses de autonomia.
Os do automático vêm da família Miyota 8, que é a divisão de movimentos da própria Citizen. O levantamento da Monochrome traz 21 rubis, 21.600 alternâncias, 40 horas e tolerância de menos 20 a mais 40 segundos por dia.
Repare no que empata: água, caixa e desenho. A escolha aqui não é sobre resistência, é sobre como o relógio se comporta no dia a dia.
O que o Eco-Drive faz melhor
Três coisas, e as duas primeiras não são pequenas.
A precisão. Quinze segundos por mês contra até quarenta por dia. Escrito de outro jeito: o automático pode errar em três dias o que o solar erra em um mês.
A caixa de entrada da família traz cristal mineral nos dois casos, como mostra a ficha oficial do BN0151. Isso não muda com o movimento.
A régua completa está em quantos segundos um relógio pode errar.
A autonomia. Seis meses no escuro depois de carregado. Você guarda em janeiro e ele está com hora certa em junho.
O automático para em 40 horas. Tirou na sexta à noite, ele já parou no domingo de manhã, e você acerta tudo de novo toda segunda.
A manutenção. Ele não pede revisão de mecânico. O automático pede, e é o serviço mais caro do uso normal de um relógio.
E é mais barato. R$ 2.550 contra R$ 2.880, o que é raro: normalmente o melhor de ficha custa mais.

O que o automático faz melhor
Sendo justo, porque a lista é curta e para muita gente ela ganha sozinha.
A mecânica em si. Rotor, mola, engrenagem e o ponteiro varrendo em vez de pular. Se é isso que te atrai em relógio, nenhum argumento de ficha substitui, e a diferença entre os tipos está em automático ou corda manual.
Ele nunca precisa de luz. Relógio guardado em gaveta escura por meses não morre, ele só para. Basta sacudir e acertar.
A célula não envelhece. O Eco-Drive usa uma célula recarregável de lítio, e ela dura muitos anos sem durar para sempre. Um automático bem cuidado atravessa décadas trocando peça.
A revenda é um pouco melhor. Mercado de usados prefere mecânico, mesmo quando o quartzo é objetivamente superior.
O contexto da família de movimentos está em o movimento que está dentro de meio mercado.
O detalhe que decide para muita gente
Aqui está a informação que quase ninguém dá, e ela vale mais que todas as outras linhas juntas.
O calibre 8203 não para o ponteiro de segundos. Quando você puxa a coroa para acertar a hora, o relógio continua andando.
Isso significa que acertar no segundo exato contra o celular é impossível. Você acerta o minuto e convive com a diferença.
Some isso à tolerância de até 40 segundos por dia e o resultado prático é desconfortável: o relógio sai do minuto certo em pouco mais de um dia, e você não consegue zerar direito quando corrige.
É exatamente a mesma armadilha do Seiko 5 clássico, que usa um movimento antigo com a mesma limitação, assunto de Seiko 5 Sports vale a pena.
O Eco-Drive não tem esse problema, porque quinze segundos por mês significa que você acerta uma vez e esquece.
A conta de dez anos
O preço de compra é a primeira parcela, e aqui a distância inverte.
| Dez anos | Eco-Drive | Automático |
|---|---|---|
| Compra | R$ 2.550 | R$ 2.880 |
| Manutenção | quase nenhuma | 1 a 2 revisões completas |
| Custo do serviço | quase zero | alto, semanas na oficina |
| Acertos de hora | 1 ou 2 por ano | toda semana |
| Teste de vedação | vale a cada 2 anos | vale a cada 2 anos |
O automático já começa mais caro e continua cobrando. A conta completa está em quanto custa manter um relógio mecânico por 10 anos.
Existe uma despesa que aparece nas duas colunas: o teste de estanqueidade. A vedação envelhece sozinha, com uso ou sem uso, e duzentos metros sem teste nenhum depois de dez anos não são mais duzentos metros.

O que nenhum dos dois resolve
Vale registrar, porque a escolha entre eles esconde o que é igual.
Os dois são grandes. A linha fica entre 42 e 46 mm, e nenhuma das duas engenharias muda isso.
Os dois usam cristal mineral nas referências de entrada. Ele risca, e safira custa mais em qualquer das duas versões.
Os dois têm revenda fraca. Produção alta e marca de instrumento. Compre para usar.
O panorama completo da linha está em Citizen Promaster vale a pena, e a ficha da família de mergulho em Promaster Diver vale a pena.
Qual dos dois comprar
Compre o Eco-Drive se este vai ser um relógio de viagem, de fim de semana ou de apanhar. Ele nunca para e nunca pede nada.
Compre o Eco-Drive se precisão te importa. Quinze segundos por mês não tem resposta mecânica em nenhum preço desta faixa.
Compre o Eco-Drive se você quer economizar. Ele é mais barato de comprar e mais barato de manter.
Compre o automático se você quer a mecânica pela mecânica, e sabe que está pagando mais por um motor menos preciso.
Compre o automático se este vai ser o seu relógio de todos os dias. O pulso dá corda sozinho e a desvantagem das 40 horas some.
Existe um atalho que resolve em cinco segundos.
Se a ideia de pegar o relógio e ele estar parado te irrita, compre o solar. Se a ideia de um relógio sem peça girando lá dentro te deixa frio, compre o automático e pague a diferença sabendo o que ela é.
Perguntas frequentes
O Promaster automático é melhor que o Eco-Drive?
Não em ficha. Ele custa mais, erra mais, para em 40 horas e pede revisão. O que ele entrega é mecânica de verdade, que é um valor legítimo e não é desempenho.
Quantos segundos por dia o automático erra?
De menos 20 a mais 40, na especificação da família de movimentos. O Eco-Drive erra até 15 segundos por mês.
O Eco-Drive precisa de sol?
Não precisa de sol direto. Qualquer luz carrega, inclusive lâmpada de teto, e a carga cheia dura cerca de seis meses no escuro.
O automático Promaster para o ponteiro de segundos?
Não. O calibre 8203 não tem essa função, então acertar no segundo exato contra o celular não é possível.
A célula do Eco-Drive dura para sempre?
Não. É uma célula recarregável de lítio que dura muitos anos e um dia vira serviço de assistência, como qualquer componente.
Os dois têm a mesma água?
Têm. Duzentos metros nas referências de mergulho das duas versões, com a mesma caixa e o mesmo bisel.
O que decide
Esta é uma das comparações mais desequilibradas deste blog, e vale dizer isso com todas as letras.
Em número, o Eco-Drive ganha de lavada: mais preciso, mais barato, mais autônomo e mais fácil de manter. Não existe linha da ficha em que o automático de entrada seja superior.
O que o automático tem é uma coisa que não entra em tabela, e que faz metade das pessoas escolher ele mesmo assim.
Se você já sabe de qual lado dessa frase está, a decisão já foi tomada antes de você abrir este post. Se não sabe, o solar é a escolha que você não vai questionar em dois anos.