MAISON GARDE Consultoria grátis

Bulova Lunar Pilot: o relógio que foi à Lua no pulso errado

Maison Garde & Co. 6 min de leitura
Cronógrafo Bulova Lunar Pilot de mostrador preto sobre superfície de pedra cinza

O relógio oficial da missão quebrou na segunda caminhada. O que salvou a terceira era um sobressalente particular, e é dele que este aqui descende.

Quase toda marca tem uma história de espaço, e quase toda é publicidade esticada.

Esta não é. Ela tem data, missão, nome do astronauta, o motivo pelo qual o relógio saiu do bolso e um preço de leilão que virou registro público.

A história, com fonte

Em 1971, um cronógrafo Bulova foi levado a bordo da Apollo 15, a quarta missão a pousar homens na Lua, pelo comandante David Scott. É o que registra a ficha da marca.

O detalhe que faz a história é o acidente. Durante a segunda saída de Scott na superfície lunar, o cristal do relógio oficial da missão, um Omega, se soltou.

Na terceira caminhada, ele usou o sobressalente que tinha levado por conta própria: o Bulova.

A mesma fonte registra a consequência: o Bulova Chronograph Model #88510/01 é o único relógio de propriedade particular que já foi usado na superfície lunar.

Em 2015 ele foi a leilão na RR Auction, em Boston, e vendeu por US$ 1,625 milhão, o que o coloca entre os artefatos de astronauta mais caros já vendidos.

Por que ele é único

Vale entender o que exatamente é raro aqui, porque não é “um Bulova foi à Lua”.

Todo o resto era equipamento da NASA. Os relógios das missões eram fornecidos e homologados pela agência. Esta peça não: era do astronauta, levada por decisão dele.

E parece ter sido um protótipo. A mesma ficha registra que a peça só foi revelada aos fãs da marca pelo próprio Scott em 2014, mais de quarenta anos depois.

Ou seja: não é um modelo de catálogo que por acaso subiu. É uma peça única, de um homem só, que virou a única exceção particular numa lista inteiramente institucional.

O oficial quebrou na segunda saída. O sobressalente particular salvou a terceira.
O oficial quebrou na segunda saída. O sobressalente particular salvou a terceira.

O que a reedição é de verdade

Aqui a honestidade importa, porque é onde a maioria dos textos vende gato por lebre.

A marca lançou uma edição de homenagem ao relógio lunar no começo de 2016, e a ficha é explícita sobre o que ela usa: um movimento de quartzo moderno de alta frequência.

Leia de novo. Não é mecânico. O original de 1971 era um cronógrafo de corda, e a reedição é quartzo.

Isso não é defeito escondido, é escolha de projeto, e ela tem lógica.

O quartzo de alta frequência da casa erra muito menos que qualquer cronógrafo mecânico da faixa, e o ponteiro varre em vez de pular. A tecnologia está explicada em o que é o Bulova Precisionist.

Para dar tamanho à diferença: um automático japonês de entrada declara faixas do tipo menos 35 a mais 45 segundos por dia, como a ficha oficial do calibre 4R36 da Seiko registra. O quartzo de alta frequência da Bulova trabalha em segundos por ano.

O que você está comprando é o desenho e a história, com um motor melhor em precisão e pior em romance que o original.

Quem espera abrir a caixa e encontrar mecânica vai se decepcionar, e a culpa disso é de quem vendeu sem dizer.

Quanto custa no Brasil

São três referências à venda hoje, e a faixa é estreita:

Preço no Brasil
Lunar Pilot Chrono preto R$ 6.222
Lunar Pilot cronógrafo branco R$ 6.630
O mais caro da linha R$ 7.650

A água declarada é de 50 metros, o que é coerente com a peça: é um cronógrafo de herança, não um relógio de água. O que isso permite está em 30, 50, 100 e 200 metros.

Para dar contexto, é a linha mais cara da marca aqui, acima do Marine Star, que vai de R$ 3.672 a R$ 6.120.

O que pesa contra

Vale ser específico.

É grande. Cronógrafo de herança espacial não é peça discreta, e essa linha segue a proporção do original. Meça o pulso antes, e o método está em como medir o pulso.

É quartzo pelo preço de mecânico. Existe automático suíço por menos que os R$ 6.222 dele. Você está pagando pela história, e é legítimo desde que você saiba.

A revenda é fraca, como em toda a marca. A lógica está em relógio é investimento.

Quartzo de alta frequência, não mecânico. É escolha de projeto, e precisa ser dita.
Quartzo de alta frequência, não mecânico. É escolha de projeto, e precisa ser dita.

De quem é a marca hoje

Vale registrar, porque muda como a história é lida.

A Bulova foi comprada pela Citizen em 2008, e a ficha do grupo a lista ao lado de Frédérique Constant, Alpina, Arnold & Son e Angelus.

Ou seja: a marca que levou um relógio à Lua em 1971 é hoje uma casa japonesa. A história é americana e verdadeira, e a fábrica de hoje é outra.

Isso não tira nada do episódio de 1971, e evita a leitura ingênua de que comprar um Lunar Pilot é comprar continuidade industrial. A conta completa está em a Bulova é uma marca boa.

Para quem faz sentido

Compre se a história te move. Ela é real, tem fonte, tem data e tem número de leilão, e isso é raro no mercado de relógio.

Compre se você quer um cronógrafo preciso e não liga para mecânica. O quartzo de alta frequência entrega precisão que nenhum cronógrafo mecânico dessa faixa alcança.

Não compre se você quer mecânica. É a decepção mais comum com esta peça, e ela é evitável lendo a ficha antes.

Não compre se o pulso é fino. Não é um relógio contido, e nunca tentou ser.

O que ele não é

Vale fechar as portas erradas, porque esta peça atrai leitura equivocada dos dois lados.

Não é o relógio da NASA. O equipamento homologado da missão era outro, e ele está em toda foto oficial. O Bulova entrou por acidente e por decisão pessoal.

Não é um relógio raro. A reedição é produzida em série e está à venda em qualquer vitrine grande. O raro é a peça de 1971, e ela tem dono desde 2015.

Não é um cronógrafo mecânico de herança. Isso é o que a foto sugere e o que a ficha desmente, e é a decepção mais cara desta compra.

O que ele é: um cronógrafo de quartzo preciso, com o desenho de uma peça que tem uma das melhores histórias reais do século 20 no pulso de alguém.

Perguntas frequentes

O Bulova foi mesmo à Lua?

Foi. Um cronógrafo Bulova foi levado na Apollo 15 pelo comandante David Scott e usado na terceira caminhada lunar dele, depois que o cristal do relógio oficial se soltou na saída anterior.

O Lunar Pilot atual é o mesmo relógio?

Não. É uma edição de homenagem lançada em 2016, com movimento de quartzo de alta frequência. O original de 1971 era mecânico e é peça única.

Quanto valeu o original?

US$ 1,625 milhão, em leilão na RR Auction em Boston, em 2015. É um dos artefatos de astronauta mais caros já vendidos.

Por que ele é chamado de único?

Porque é o único relógio de propriedade particular que já foi usado na superfície lunar. Todos os outros eram equipamento fornecido pela agência espacial.

Ele é automático?

Não. A reedição usa quartzo, e é justamente o ponto que mais confunde comprador que vê o desenho de cronógrafo de época.

Vale como investimento?

Não. A reedição é produzida em série e a revenda da marca é fraca. O que valorizou foi a peça única de 1971, e ela já tem dono.

O que fica

O Lunar Pilot é o raro caso em que a história de marketing é menor que a história de verdade.

Um homem levou o próprio relógio para a Lua por precaução, o equipamento oficial falhou, e o sobressalente virou o único particular a pisar lá. Quarenta e quatro anos depois ele valeu mais de um milhão e meio de dólares.

O que está à venda hoje não é aquele relógio, e não finge ser. É o desenho dele com um motor moderno, por R$ 6.222. Quem compra sabendo disso compra bem.

Continue lendo