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Victorinox vale a pena? A suíça que entrou tarde

Maison Garde & Co. 10 min de leitura
Victorinox I.N.O.X. de mostrador preto sobre pedra escura, com a caixa de aço à vista

Ela é a única marca deste blog que publica o próprio preço no Brasil, e a única cujo argumento de venda é aguentar pancada em vez de contar história.

A Victorinox ocupa uma posição estranha no mercado de relógio. Todo mundo conhece o nome, quase ninguém sabe que ela faz relógio, e quem sabe costuma achar que é brinde de canivete.

Não é. E a ficha dela tem um número que nenhuma concorrente direta entrega.

De onde ela vem

A história explica o atraso e explica a engenharia.

A empresa foi fundada em 1884 por Karl Elsener, em Ibach, na Suíça, como uma fábrica de facas. O contrato com o exército suíço veio depois, e o desenho patenteado de 1897 virou o que o mundo conhece como canivete suíço.

Guarde esse detalhe como adereço, não como tese: ele explica a cultura de resistência da casa, e não é o que você está comprando quando compra um relógio dela.

O relógio veio muito depois. A mesma fonte registra que a marca só entrou no negócio de relógios em 1989, nos Estados Unidos, sob o nome Swiss Army.

Cento e cinco anos de metal antes do primeiro relógio. É por isso que a linha inteira é construída em torno de aguentar impacto, e não em torno de complicação mecânica.

As três linhas que existem no Brasil

O catálogo por aqui é enxuto e bem dividido. Vinte e cinco referências, em três famílias com propostas distintas.

Linha Água Faixa de preço Para que serve
Alliance 100 m R$ 3.774 a R$ 4.182 a de vestir, a mais barata
FieldForce 100 m R$ 4.080 a R$ 6.018 o relógio de campo
I.N.O.X. 200 m R$ 4.588 a R$ 12.240 o carro-chefe, o resistente

A leitura prática é curta: Alliance para camisa, FieldForce para o dia a dia, I.N.O.X. quando resistência é o ponto.

O que ela faz melhor que todo mundo

Três coisas, e as duas primeiras são raras de verdade nessa faixa.

A água, em toda a linha

Cem metros no piso, duzentos no I.N.O.X. Não existe Victorinox de 30 ou 50 metros no catálogo brasileiro.

Compare com a vizinhança: o Hamilton Khaki Field Mechanical marca 50 metros, o Citizen Tsuyosa marca 50 e o Orient Bambino marca 30. A régua está em 30, 50, 100 e 200 metros.

Isso não é acaso de catálogo. É a marca aplicando ao relógio a mesma lógica que ela aplica a ferramenta, e é o argumento mais forte que ela tem.

O preço publicado pela própria marca

Este é o item que ninguém nota e que muda a compra.

A Victorinox publica o preço dela no Brasil, no site oficial em português. A ficha do I.N.O.X. de quartzo traz R$ 4.588 com o resto da especificação junto.

Nenhuma outra marca que este blog cobre faz isso. Certina, Bulova e Hamilton não abrem preço no Brasil, e em várias delas o site nem responde.

O efeito prático: você tem um teto oficial para comparar. Anúncio acima disso é margem de canal, e você sabe disso antes de negociar.

A garantia de cinco anos

Enquanto a faixa inteira trabalha com dois anos, a linha da marca vem com cinco. Não muda o relógio, e muda a conta de quem segura a peça.

Cem metros no piso e duzentos no I.N.O.X. Não existe Victorinox de 30 metros.
Cem metros no piso e duzentos no I.N.O.X. Não existe Victorinox de 30 metros.

O I.N.O.X. e os 130 testes

Vale abrir, porque é o argumento central da marca e ele é verificável.

A própria ficha do produto descreve o I.N.O.X. como o relógio suíço que suporta 130 testes de homologação de resistência extrema. São ensaios de queda, esmagamento, temperatura, produto químico e imersão.

O que a gente já contou sobre isso, com o detalhe do que cada ensaio faz, está em o relógio que passou pelo tanque.

O ponto honesto: 130 testes não fazem o relógio andar melhor. Precisão, reserva e acabamento seguem sendo os de um relógio dessa faixa. O que eles fazem é garantir que a peça sobrevive ao que costuma matar relógio.

Existem duas versões, uma de quartzo e uma automática, e a diferença entre elas é maior que o preço sugere. Está em I.N.O.X. quartzo ou automático.

A Alliance, que é a porta de entrada

Vale abrir, porque é a linha mais barata da marca e a que menos aparece em conversa.

A Alliance é a família de vestir: caixa redonda, mostrador limpo, sem bisel giratório e sem cara de ferramenta. Ela vai de R$ 3.774 a R$ 4.182, o que a coloca abaixo de quase todo suíço deste blog.

E ela mantém os 100 metros de água do resto da linha, o que é incomum numa peça de vestir. Para comparação, o Orient Bambino, que é o social mais vendido da faixa de entrada, marca 30 metros.

Ou seja: a Alliance é um relógio social que aceita chuva e pia sem drama, por menos que o Bambino em várias referências. É a proposta mais estranha e mais subestimada do catálogo.

O que ela não tem é mecânica. É quartzo, e quem quer automático nessa faixa olha para o melhor automático até R$ 5.000.

O que tem dentro dos relógios dela

Aqui a resposta é menos glamourosa do que a marca sugere, e precisa ser dita.

A maior parte da linha é quartzo. Alliance, FieldForce e o I.N.O.X. de entrada são todos de pilha. Isso não é defeito: quartzo suíço é preciso, fino e barato de manter, e combina com a proposta de resistência.

Os automáticos usam movimento suíço comprado. O I.N.O.X. Mechanical roda um Sellita SW200-1, que é um dos calibres mais usados da indústria suíça de entrada, não um projeto da casa.

Isso importa por um motivo prático: peça e mão de obra existem. Movimento de volume alto tem estoque de reposição e relojoeiro treinado, e a conta de longo prazo está em quanto custa manter um relógio mecânico por 10 anos.

O que ele não dá é exclusividade. O mesmo motor está dentro de dezenas de marcas suíças da mesma faixa, exatamente como o Miyota está dentro de meio mercado japonês, assunto de o movimento que está dentro de meio mercado.

A conta de dez anos

O preço de vitrine é a primeira parcela, e aqui a marca tem uma vantagem que quase ninguém soma.

Dez anos Victorinox quartzo Victorinox automático
Compra a partir de R$ 3.774 R$ 7.964
Garantia 5 anos 5 anos
Manutenção 3 a 4 trocas de pilha 1 a 2 revisões completas
Custo do serviço baixo, feito na hora alto, oficina
Teste de vedação vale a cada 2 anos vale a cada 2 anos

Os cinco anos de garantia cobrem metade da década. Numa faixa em que o padrão é dois anos, isso é dinheiro real, e é o tipo de linha que não entra em comparativo nenhum porque não é sexy.

O teste de estanqueidade aparece nas duas colunas justamente porque esta é uma marca de água: quem compra 100 ou 200 metros e nunca testa a vedação está jogando fora o que pagou. O roteiro está em quanto custa uma revisão.

Onde ela perde

Vale ser específico, porque é onde nasce o arrependimento.

O tamanho. O I.N.O.X. tem 43 mm, número que a própria ficha publica. Em pulso médio brasileiro isso domina o braço, e a linha inteira puxa para o lado grande. Meça antes, e o método está em como medir o pulso.

O acabamento. É uma marca de engenharia, não de joalheria. Chanfro polido, transição de elo refinada e fecho trabalhado não são o forte dela, e um Tissot da mesma faixa entrega mais nisso.

A mecânica. Boa parte da linha é quartzo, e os automáticos usam movimento suíço comprado, não desenvolvido pela casa. Não é defeito da faixa, e é o oposto do que a marca sugere para quem espera engenharia própria dentro também.

A revenda. Fraca. A marca é conhecida por ferramenta, e o mercado de usados de relógio dela é pequeno. A lógica está em relógio é investimento.

Como ela se compara na faixa

Contra o que o mesmo dinheiro compra hoje:

Modelo Origem Água Preço
Victorinox Alliance suíço 100 m R$ 3.774
Victorinox FieldForce suíço 100 m R$ 4.080
Victorinox I.N.O.X. quartzo suíço 200 m R$ 4.588
Tissot PRX Quartzo suíço 100 m R$ 4.386
Hamilton Khaki Field Mechanical suíço 50 m R$ 5.610

Repare na coluna da água contra a do preço. A Victorinox entrega mais metro por real que qualquer suíço da lista, e o Khaki Field, que é o mais caro, entrega o menor número.

O que o Hamilton devolve é mecânica, desenho com história e revenda melhor, e a ficha completa dele está em o Khaki Field é superestimado.

Quarenta e três milímetros. É o número que mais elimina comprador nesta marca.
Quarenta e três milímetros. É o número que mais elimina comprador nesta marca.

Para quem ela faz sentido

Compre se você quer água de verdade num suíço e não quer pagar por mergulhador certificado. Cem metros de piso é raro nessa faixa.

Compre se você maltrata relógio. É literalmente o que a linha foi construída para aguentar, e o I.N.O.X. é o caso extremo disso.

Compre se você valoriza saber o preço oficial antes de negociar. Poucas marcas dão essa vantagem no Brasil.

Não compre se o seu pulso é fino. Quarenta e três milímetros no carro-chefe é o maior filtro da marca, e ele elimina muita gente.

Não compre se você quer acabamento refinado ou mecânica de vitrine. O mesmo dinheiro compra melhor nas duas coisas em outra marca suíça.

Não compre se você troca de relógio com frequência. A revenda cobra caro de quem gira.

O que conferir antes de fechar

Quatro conferências, e a primeira é específica desta marca.

Compare com o preço oficial. A marca publica o dela no site em português, e isso te dá um teto que quase nenhuma concorrente oferece. Anúncio acima do oficial é margem de canal, e você entra na conversa sabendo.

Confira o diâmetro. É o filtro que mais elimina comprador aqui. O I.N.O.X. tem 43 mm, e a linha inteira puxa para cima. Se você nunca mediu o pulso, meça antes de olhar preço.

Confira o movimento. Quartzo e automático convivem na mesma linha, com preços que se cruzam. É a mesma armadilha do Marine Star, e o método de conferência serve igual: peça a referência completa.

Confira o que vem na caixa. Uma ou outra referência sai acompanhada de um canivete da casa. É brinde de embalagem, não parte do relógio, e não deve entrar na conta de valor.

Feitas as quatro, é uma compra que raramente decepciona, porque a marca entrega exatamente o que promete e não promete o que não entrega.

É pouco romântico e é o motivo pelo qual ela envelhece bem no pulso de quem compra sabendo o que está levando.

Perguntas frequentes

A Victorinox é uma marca suíça de verdade?

É. A empresa foi fundada em 1884 em Ibach, na Suíça, e continua sediada lá. Os relógios são suíços, e a marca só entrou no ramo em 1989.

O relógio Victorinox é bom?

É bom no que ele se propõe: resistência e água acima da média da faixa, com preço oficial publicado. Não é a melhor escolha para acabamento ou mecânica.

Qual a diferença entre Victorinox e Swiss Army?

É a mesma casa. Swiss Army foi o nome sob o qual a marca entrou no ramo de relógios em 1989, e várias referências ainda trazem as duas palavras juntas.

O relógio vem com canivete?

Uma ou outra referência é vendida em conjunto com um canivete da casa, e isso é um brinde de embalagem, não parte do produto. A maioria da linha vem só com o relógio.

Qual é o modelo mais resistente?

O I.N.O.X., que a marca descreve como suportando 130 testes de homologação de resistência extrema. Ele também é o único da linha com 200 metros de água.

Victorinox segura valor?

Não. É marca reconhecida por ferramenta, e o mercado de usados de relógio dela é pequeno no Brasil. Compre para usar.

O que decide

A Victorinox não disputa a mesma coisa que as outras suíças da faixa, e é aí que a maioria das comparações erra.

Ela não vende história de relojoaria, porque só faz relógio desde 1989. Não vende refinamento, porque a cultura da casa é de ferramenta. Vende sobrevivência, e entrega mais metro de água por real que qualquer concorrente direto.

Se isso é o que você quer, ela é a compra mais eficiente da faixa. Se o que você quer é uma peça bonita de olhar de perto, o mesmo dinheiro rende mais em outro lugar, e não tem nada de errado em querer isso.

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