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Certina Super PH: dois mil metros por R$ 13.260

Maison Garde & Co. 6 min de leitura
Certina DS Super PH de caixa barril e bisel giratório submerso em água escura

É a peça mais extrema deste blog inteiro, e a pergunta honesta não é se ela funciona, é o que você faz com dois mil metros.

Existe um relógio suíço à venda no Brasil que aguenta dois mil metros de profundidade e custa menos que um Rolex usado.

Ele é da mesma marca que faz o mergulhador de entrada mais sensato da faixa, e a linha inteira é um exercício de exagero deliberado.

O que é a linha Super PH

É o topo da família de mergulho da Certina, acima do DS Action e do PH200M.

O nome vem do conceito da casa. DS quer dizer Double Security, lançado em 1959 com vedação reforçada na coroa e no fundo, e o panorama da marca está em Certina vale a pena.

O PH é herança dos anos 70, de um relógio que existiu de verdade e foi usado embaixo d’água por profissionais.

Hoje a linha tem três degraus de profundidade, e cada um deles é um relógio diferente.

Os três degraus

Super PH500M Super PH1000M Super PH2000M
Água 500 m 1.000 m 2.000 m
Preço no varejo R$ 9.486 R$ 9.690 R$ 13.260
Caixa aço aço titânio grau 2
Bisel alumínio alumínio cerâmica
Movimento Powermatic 80 Powermatic 80.611 Powermatic 80
Reserva 80 h 80 h 80 h

Repare no detalhe que engana: o PH500M e o PH1000M custam quase o mesmo. São R$ 204 de diferença por dobrar a profundidade.

O salto de preço real está no PH2000M, e ele não é sobre água. É sobre titânio e cerâmica, que são os dois materiais caros da relojoaria moderna.

A ficha do PH1000M sai da análise da Monochrome, com caixa barril de 43,5 por 42 mm, safira com antirreflexo, coroa e fundo rosqueados e o Powermatic 80.611 de 80 horas com espiral de Nivachron.

Mil metros por nove mil e seiscentos. Duzentos reais acima do de quinhentos.
Mil metros por nove mil e seiscentos. Duzentos reais acima do de quinhentos.

De onde essa engenharia vem

Aqui está a parte que separa esta linha de um exagero de marketing.

O PH1000M original é dos anos 1970, e ele não foi feito para vitrine. Ele foi usado no programa Tektite II, de 1970, em que aquanautas viveram submersos por períodos longos.

Isso explica um detalhe do desenho que parece decorativo e não é: a janela de data. Quem passa semanas embaixo d’água perde a noção do dia, e o relógio precisava responder isso.

A reedição de hoje não copia o original. Ela pega o desenho e coloca um movimento moderno dentro, com 80 horas de reserva e espiral antimagnética.

O que sobreviveu é a lógica: cada item resolve um problema de quem trabalha submerso, e nenhum deles foi pensado para você.

A válvula de hélio, explicada

Esta é a peça mais mal compreendida de qualquer relógio de mergulho, e ela está no PH1000M.

Mergulho de saturação usa uma mistura de gases com hélio. O átomo de hélio é tão pequeno que atravessa as vedações e entra no relógio durante os dias que o mergulhador passa no sino pressurizado.

Na subida, a pressão externa cai depressa e o hélio preso dentro empurra para fora. Sem uma saída, ele estoura o cristal.

A válvula é essa saída. Ela abre sozinha quando a pressão interna passa da externa e deixa o gás sair sem deixar água entrar.

Agora a parte honesta: isso só acontece em mergulho de saturação comercial. Nenhum mergulhador recreativo, nenhum nadador e nenhuma pessoa que lê este blog vai chegar perto dessa situação.

A válvula está ali por fidelidade ao original e porque define a categoria. Ela é um belo objeto de engenharia que você nunca vai usar.

O que a profundidade não compra

Vale ser direto, porque este é o post em que o exagero mais atrapalha a decisão.

Mergulho recreativo não passa de 40 metros. Duzentos metros já é cinco vezes mais fundo que o limite de qualquer certificação de lazer.

Ou seja, a diferença entre 200, 500, 1.000 e 2.000 metros não muda nada no seu uso. Ela muda a espessura do cristal, a robustez da vedação e o peso.

O que a profundidade compra de verdade é margem, e margem tem valor real: um relógio de 1.000 metros com a vedação envelhecida ainda é mais seguro que um de 200 na mesma condição.

E compra o objeto em si, que é um motivo legítimo. Só não vale confundir os dois.

A lista de quem resolve o uso normal está em o melhor relógio de mergulho até R$ 10.000.

Válvula de escape de hélio. Você nunca vai usar, e ela é linda.
Válvula de escape de hélio. Você nunca vai usar, e ela é linda.

Onde ele perde

Vale ser específico, porque a lista é curta e é grande.

O tamanho e o peso. O PH2000M tem 43 mm por 16 mm de altura. Dezesseis milímetros é muito, e nem o titânio resolve a espessura. O método de medida está em como medir o pulso.

A garantia é de dois anos. Padrão do grupo, e perde para quem oferece cinco.

A marca é desconhecida no Brasil. Isso cobra caro na revenda de uma peça de treze mil reais, como explica relógio é investimento.

O movimento não é exclusivo. O Powermatic 80 é ETA adaptado, e o mesmo tronco move Tissot e Mido, como mostra Mido vale a pena.

A arquitetura vem do ETA de entrada, cuja história está no levantamento da Monochrome sobre o calibre 2824.

Numa peça de treze mil reais isso incomoda mais que numa de sete: você paga titânio e cerâmica, e o motor é o mesmo do relógio de seis mil.

Para quem faz sentido

Compre o PH1000M se o exagero é o ponto e você quer o melhor negócio da linha. Mil metros por R$ 9.690 não tem concorrente.

Compre o PH2000M se titânio e cerâmica importam. É onde o dinheiro a mais vai, e não é na água.

Compre o PH500M se você achou os outros dois grandes demais. É o mais contido dos três.

Não compre nenhum se o que você quer é um relógio de mergulho para usar. O DS Action resolve isso por metade do preço com a mesma norma.

A medição da Monochrome coloca ele em 38 mm por 13,22 mm com 300 metros, bisel de cerâmica e o mesmo Powermatic 80.611 de 80 horas. É o mesmo motor do Super PH, numa caixa que veste.

Não compre se o seu pulso é médio. Dezesseis milímetros de altura é o filtro mais duro deste blog inteiro.

Perguntas frequentes

Existe relógio de 2.000 metros mesmo?

Existe. O Certina DS Super PH2000M é feito em titânio grau 2 com biséis de cerâmica e sai por cerca de R$ 13.260 no varejo brasileiro.

Para que serve a válvula de hélio?

Para deixar sair o hélio que entra no relógio durante mergulho de saturação. Fora desse cenário profissional, ela não faz nada.

Qual a diferença entre o PH500M e o PH1000M?

A profundidade e pouco mais. São R$ 204 de diferença no varejo, o que faz o de mil metros ser o melhor negócio dos três.

Preciso de 1.000 metros para mergulhar?

Não. Mergulho recreativo não passa de 40 metros, e 200 já cobre isso com folga enorme.

Qual a reserva de marcha?

Oitenta horas, no Powermatic 80. Ele atravessa o fim de semana inteiro fora do pulso.

O Super PH é grande?

É. O PH1000M tem caixa barril de 43,5 por 42 mm e o PH2000M tem 16 mm de altura. São relógios de presença, não de discrição.

O que fica

O Super PH é o relógio que a Certina faz para provar que consegue, e ela consegue.

Ele entrega mil metros por menos de dez mil reais, com safira, 80 horas de reserva e uma válvula de hélio que é engenharia de verdade herdada de um programa científico dos anos 70.

O que ele não é, e nunca foi, é uma compra racional. Duzentos metros já é cinco vezes o limite do mergulho recreativo, e tudo acima disso é margem que você paga para admirar.

Comprar por esse motivo é perfeitamente válido. O que não vale é achar que os metros a mais vão fazer alguma diferença no dia em que você entrar no mar.

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