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Christopher Ward vale a pena? A inglesa que abre o calibre

Maison Garde & Co. 7 min de leitura
Christopher Ward C60 de mostrador azul e bisel de 24 horas sobre pedra escura

Ela é a única marca deste blog que escreve o nome do calibre na ficha de todas as referências, e isso muda o que você consegue comparar antes de comprar.

Existe uma marca que nasceu inglesa, monta na Suíça, vende sem loja e cresceu rápido demais para o gosto da indústria tradicional.

Ela tem 134 referências à venda no Brasil, e o motivo de ela interessar aqui não é o desenho. É uma linha da ficha técnica.

O que é a Christopher Ward

Ela é nova para os padrões suíços e velha o suficiente para ter história.

A empresa foi fundada em 2004 por Mike France, Christopher Ward e Peter Ellis, numa conversa em cima de um barco no rio Tâmisa.

A ideia era simples e na época era heresia: vender relógio suíço direto ao consumidor, sem loja no meio, e repassar a margem que sobra para o preço.

Ela foi a primeira varejista de relógio de luxo a operar só online. Os relógios são desenhados na Inglaterra e fabricados na Suíça, e em 2014 a marca se fundiu com a parceira suíça de manufatura.

E ela não parou no motor comprado. Em 2014 apresentou o calibre SH21, com 120 horas de reserva em dois tambores e certificação de cronômetro. Em 2023 veio o CW-003, de corda manual, com 144 horas.

As linhas que existem no Brasil

O catálogo por aqui é grande e começa alto. São 134 referências, de R$ 7.854 a R$ 19.584.

Linha Refs Água Para que serve
C60 Trident 51 200 m o mergulho, o carro-chefe
C63 Sealander 43 150 m o esportivo de todo dia
C65 26 150 m o de desenho vintage
The Twelve e outras 14 varia a linha de caixa integrada

A leitura prática é curta. C60 para água, C63 para o dia a dia, C65 para quem quer cara de relógio antigo.

Repare no piso: quase oito mil reais. Não existe Christopher Ward barato no Brasil, e ela compete com Longines e Mido, não com Tissot.

O que ela faz melhor

Três coisas, e a primeira é a razão deste post existir.

Ela diz qual é o movimento

Este é o item que nenhuma outra marca do catálogo faz de forma consistente.

Cada referência traz o calibre escrito: Sellita SW200-1 nos automáticos de entrada, ETA G10.212 nos de quartzo, e o SH21 próprio no topo.

Parece detalhe burocrático e não é. Quando você sabe o calibre, você sabe a reserva, sabe se tem peça e sabe com o que está comparando.

O SW200-1 entrega 38 horas e move meia indústria suíça independente, como mostra o motor suíço dentro de meio mercado.

Ele nasceu quando as patentes do ETA 2824 caíram, história que está no levantamento da Monochrome sobre o calibre. Marca que esconde isso está contando com você não perguntar.

O preço sem a loja no meio

O modelo direto ao consumidor tira uma camada inteira de margem. É por isso que a ficha dela costuma bater marcas mais caras.

Só que esse ganho some no Brasil, e volto nisso.

A água no carro-chefe

O C60 Trident marca 200 metros e o C63 marca 150. A régua está em 30, 50, 100 e 200 metros.

Ela escreve o calibre na ficha. Quase nenhuma concorrente faz isso.
Ela escreve o calibre na ficha. Quase nenhuma concorrente faz isso.

Onde ela perde

Vale ser específico, porque aqui a marca tem um problema que a ficha não mostra.

A vantagem de preço não chega ao Brasil. O modelo dela é vender direto, e aqui ela chega por revenda, que é exatamente a camada que ela existe para eliminar.

Isso é grave para a tese da marca. Você paga preço de importado por um relógio cujo argumento central é não ter intermediário.

A revenda é fraca aqui. A marca é conhecida por entusiasta e desconhecida por todo o resto. Compre para usar, e a lógica está em relógio é investimento.

A assistência é o ponto fraco. Marca sem rede estabelecida no Brasil significa que qualquer serviço fora do movimento comum vira problema logístico.

Aqui existe uma ironia útil: como o motor é Sellita SW200-1, qualquer relojoeiro sério abre. O relógio é mais fácil de consertar que a marca sugere.

O topo da linha não compensa aqui. As referências com calibre próprio passam de dezoito mil reais, e nessa faixa a concorrência tem nome muito mais forte.

Contra a vizinhança do mesmo preço

A comparação inevitável é com o que existe entre oito e doze mil reais.

C60 Trident Longines HydroConquest Mido Ocean Star
Preço R$ 10.200 R$ 10.098 R$ 8.976
Água 200 m 300 m 200 m
Reserva 38 h 72 h 80 h
Calibre declarado L888.3 Mido 80
Nome no Brasil fraco forte fraco

A reserva é onde ela perde feio. Trinta e oito horas contra 72 e 80. O relógio para no sábado enquanto os outros dois atravessam o fim de semana.

Esse é o preço de usar Sellita em vez do tronco ETA do Swatch Group, e é a linha mais importante desta tabela.

A escala do outro lado explica a diferença: a fábrica da Sellita produziu 1,5 milhão de movimentos em 2022, e mesmo assim ela é a alternativa, não o padrão.

As fichas completas estão em Longines HydroConquest vale a pena e Mido Ocean Star vale a pena.

A conta de dez anos

O preço de compra é a primeira parcela, e o mecânico cobra de novo depois.

Dez anos C60 Trident Um automático do Swatch Group
Compra R$ 10.200 R$ 8.976
Manutenção 1 a 2 revisões completas 1 a 2 revisões completas
Peça de reposição comum, é Sellita comum, é ETA
Reserva 38 h 80 h
Revenda fraca fraca a média

A boa notícia é que o custo de manter é parecido, porque os dois usam movimento de volume alto. A conta completa está em quanto custa manter um relógio mecânico por 10 anos.

O que muda é o uso diário. Trinta e oito horas obrigam a dar corda toda segunda, e oitenta não.

Trinta e oito horas contra oitenta. Ele para no sábado.
Trinta e oito horas contra oitenta. Ele para no sábado.

O que a transparência de calibre te dá

Vale fechar esse raciocínio, porque ele vale para qualquer compra, não só para esta marca.

Quando duas peças custam parecido e só uma diz o que tem dentro, você não está comparando relógios. Está comparando um relógio com uma foto.

Peça sempre o calibre antes de fechar. Se o vendedor sabe responder, você está numa loja que conhece o produto. Se não sabe, o preço está sendo defendido por outra coisa.

Com o nome do calibre na mão você descobre em um minuto a reserva, a frequência, se para o ponteiro e se existe peça. É a informação mais barata de conseguir e a que mais muda a decisão.

Para quem ela faz sentido

Compre se desenho é o que te trouxe. As linhas C60 e C65 têm identidade própria e não parecem cópia de ninguém.

Compre se você valoriza saber o que tem dentro. Nenhuma outra marca da faixa é tão aberta.

Compre se você quer um relógio que ninguém mais vai estar usando.

Não compre se reserva de marcha importa. Trinta e oito horas é o padrão da casa nos modelos de entrada, e perde de longe para o Swatch Group.

Não compre se revenda ou assistência pesam na sua decisão. É o ponto mais fraco dela no Brasil, e não é pequeno.

Perguntas frequentes

A Christopher Ward é suíça ou inglesa?

As duas coisas. Ela foi fundada na Inglaterra em 2004, desenha lá e fabrica na Suíça, depois de se fundir com a parceira suíça de manufatura em 2014.

Que movimento a Christopher Ward usa?

Sellita SW200-1 nos automáticos de entrada e ETA G10.212 nos de quartzo. No topo da linha ela usa calibres próprios, como o SH21 de 120 horas.

Qual a reserva de marcha dela?

Trinta e oito horas nos modelos com Sellita SW200-1, que são a maioria. O calibre próprio SH21 entrega 120 horas e o CW-003 entrega 144.

Ela é barata por vender direto?

Fora do Brasil, sim. Aqui ela chega por revenda, que é justamente a camada que o modelo dela existe para eliminar, então a vantagem de preço não se traduz.

Dá para consertar no Brasil?

O movimento é Sellita SW200-1, um dos mais comuns da relojoaria suíça, então qualquer oficina séria abre. O que falta é rede oficial da marca.

Christopher Ward segura valor?

Fora do Brasil ela tem ganhado tração no mercado de usados. Aqui a marca é pouco conhecida e a revenda é fraca.

O que fica

A Christopher Ward é uma marca boa com um problema de endereço.

Ela entrega desenho próprio, montagem suíça, calibre declarado e uma história de vinte anos construída contra a margem do varejo tradicional. Nada disso é pouco.

O problema é que o argumento central dela é preço sem intermediário, e no Brasil ela chega com intermediário. Você compra a filosofia sem receber o desconto que a filosofia produz.

Se o que te atrai é o desenho e o fato de saber exatamente o que tem dentro, ela faz sentido. Se o que te atraiu foi a fama de custo-benefício que ela tem lá fora, vale conferir se ela sobreviveu à viagem até aqui.

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