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Citizen Tsuyosa ou Seiko 5: os dois japoneses de entrada

Maison Garde & Co. 7 min de leitura
Citizen Tsuyosa e Seiko 5 Sports lado a lado sobre madeira escura, mostrando a diferença de altura

O preço é praticamente o mesmo. O que separa os dois é dois milímetros e meio de caixa, e o material do cristal.

Estes dois disputam o mesmo comprador: quem quer um automático japonês de entrada e não vai gastar mais de quatro mil e quinhentos reais.

A comparação costuma travar no preço, e o preço é justamente onde eles empatam. O que decide está na caixa e no cristal.

Por que o preço não decide nada

Modelo Movimento Preço no Brasil
Citizen Tsuyosa 8210, automático R$ 3.468 a R$ 4.590
Seiko 5 Sports SRPD 4R36, automático R$ 3.264 a R$ 4.590

Os dois saem da mesma vitrine, a New Store, e as faixas se sobrepõem quase inteiras. As duas linhas têm dezenas de cores, e é a cor que move o preço dentro de cada uma.

Ou seja: você não economiza escolhendo um dos dois. A decisão é de produto, não de orçamento, e isso é raro nessa faixa.

A ficha lado a lado

Citizen Tsuyosa Seiko 5 Sports SRPD
Caixa 40 mm 42,5 mm
Altura 11,7 mm 13,4 mm
Entre alças não publicado 46,0 mm
Movimento 8210 4R36
Reserva 42 horas cerca de 41 horas
Precisão menos 20 a mais 40 s/dia menos 35 a mais 45 s/dia
Água 50 metros 100 metros
Cristal safira Hardlex
Pulseira integrada alças normais, troca livre

Os números do Seiko saem da ficha oficial do SRPD55. Os do Citizen saem da ficha oficial da marca e da análise da Monochrome.

Quatro linhas dessa tabela decidem, e nenhuma delas é o preço.

O tamanho, e a maior diferença

Esta é a linha que a maioria das comparações trata como detalhe e que na prática resolve a compra.

São 42,5 mm por 13,4 mm contra 40 mm por 11,7 mm. Escrito assim parece pouco. No pulso é outro relógio.

A altura é o que mais pesa. O limite prático para passar sob punho de camisa fechado fica em torno de 12 mm. O Tsuyosa passa. O Seiko fica quase um milímetro e meio acima e engancha.

E tem a distância entre alças: 46 mm no Seiko. Em pulso abaixo de 17 cm, as alças começam a passar da borda do braço.

O Tsuyosa é o relógio de quem trabalha vestido. O Seiko é o relógio de quem usa manga curta ou dobrada. O método de medir está em como medir o pulso.

Dois milímetros e meio de caixa e um e sete de altura. No pulso é outro relógio.
Dois milímetros e meio de caixa e um e sete de altura. No pulso é outro relógio.

Safira contra Hardlex

A segunda linha que decide, e ela só aparece depois de dois anos de uso.

Safira é o que o Tsuyosa usa. Ela quase não risca em uso normal, e o relógio continua parecendo novo por muito tempo.

Hardlex é o mineral endurecido da própria Seiko. Ele risca com o tempo, e o risco não sai. Em compensação ele lasca menos que safira, porque é menos quebradiço, então quem leva o relógio para obra ou oficina tem um argumento real do outro lado.

A diferença entre os materiais está em safira, mineral ou acrílico.

Para uso de escritório e rua, safira ganha com folga. É o item em que o Citizen entrega algo que a faixa dele normalmente não entrega.

A surpresa da precisão

Aqui a comparação inverte o que a maioria das pessoas espera.

O Seiko 5 tem fama de mais bem acabado por dentro. Só que a especificação oficial da Seiko declara o 4R36 entre menos 35 e mais 45 segundos por dia.

O calibre do Tsuyosa declara menos 20 a mais 40. É uma janela de 60 segundos contra 80 do Seiko.

Nenhum dos dois é preciso no sentido em que quartzo é preciso. Os dois vão sair do lugar em uma semana, e a régua de o que é normal está em quantos segundos um relógio pode errar.

O ponto é que a fama não bate com a ficha. Se precisão é o seu critério, o japonês mais estável na tabela é o mais barato dos dois.

Onde o Seiko ganha

Três coisas, e a primeira é a mais importante das duas fichas.

Cem metros de água. É o dobro do Tsuyosa, e muda o que você pode fazer com o relógio. Cem metros cobrem piscina e mar com atenção. Cinquenta cobrem chuva e mão lavada, e nada além disso. A régua está em 30, 50, 100 e 200 metros.

A troca de pulseira. O Seiko tem alças normais e aceita qualquer pulseira de vinte milímetros. O Tsuyosa tem pulseira integrada, que é o desenho inteiro dele e também é uma prisão: qualquer outra pulseira deixa um vão na junção com a caixa.

A parada de segundos garantida. A Seiko descreve o 4R36 como automático com mecanismo de corda manual, e a parada de segundos é padrão na geração atual.

No Citizen isso depende da referência, porque o manual da marca usa a frase “dependendo do modelo”. A ficha completa está em Citizen Tsuyosa vale a pena.

Cem metros contra cinquenta. É o dobro, e decide o que você pode fazer com ele.
Cem metros contra cinquenta. É o dobro, e decide o que você pode fazer com ele.

A conta de dez anos

O preço da vitrine é a primeira parcela, e nos dois casos a segunda é pequena.

Dez anos Citizen Tsuyosa Seiko 5 Sports
Compra R$ 3.468 a 4.590 R$ 3.264 a 4.590
Revisões 1 a 2, baratas 1 a 2, baratas
Peça de reposição comum comum
Cristal riscado safira quase não risca troca de Hardlex, barata

Os dois usam movimentos fabricados às dezenas de milhões, então mão de obra e peça são fáceis de achar no Brasil. O roteiro de orçamento está em quanto custa uma revisão.

A única linha que separa os dois na conta longa é o cristal, e ela pesa pouco em dinheiro. Pesa em como o relógio aparenta depois de alguns anos.

Qual dos dois comprar

Compre o Tsuyosa se você trabalha vestido, quer safira, quer pulseira integrada, ou tem pulso abaixo de 17 cm.

Compre o Seiko 5 se você entra na água, quer trocar de pulseira quando der vontade, ou gosta de relógio grande e presente no braço.

Existe um critério que resolve rápido, e é o mesmo de sempre: olhe a manga que você mais usa. Punho fechado pede o Citizen. Manga curta ou dobrada libera o Seiko.

E vale dizer o óbvio que ninguém diz: eles não parecem o mesmo relógio. Um é esportivo com bisel e cara de mergulhador, o outro é uma caixa integrada de linhas retas. Se você gosta de um, provavelmente não gosta do outro.

Perguntas frequentes

Qual dos dois é mais confiável?

Os dois usam movimentos fabricados em volume altíssimo há décadas. Qualquer relojoeiro abre os dois, e peça de reposição é fácil e barata nos dois casos.

O Seiko 5 pode ir à piscina e o Tsuyosa não?

Na prática sim. O Seiko marca 100 metros e o Citizen 50. Nenhum dos dois tem coroa rosqueada, então nenhum dos dois é relógio de mergulho de verdade.

Dá para trocar o Hardlex por safira?

Dá, e é um serviço comum de relojoaria. Custa uma fração do relógio e é o caminho de quem gosta do Seiko e só se incomoda com o cristal.

Qual dos dois é melhor para o primeiro automático?

O Tsuyosa, se você usa camisa. O Seiko, se você quer água e liberdade de pulseira. Nos dois casos você aprende a mesma coisa, que é se gosta do hábito de conviver com um mecânico.

Por que o Tsuyosa é mais preciso na ficha?

Porque a tolerância declarada do calibre dele é mais estreita: 60 segundos de janela contra 80. Isso é especificação de fábrica, e a peça individual pode ficar melhor ou pior que ela.

Os dois seguram valor?

Nenhum dos dois. São japoneses de entrada fabricados em volume alto, e o mercado de usados nessa faixa é fraco. Compre para usar.

O que decide

Não é preço, porque eles empatam. Não é confiabilidade, porque os dois têm.

É a caixa. Um cabe embaixo do punho da camisa e o outro não, e essa única linha resolve a maioria das dúvidas antes de qualquer outra.

Se as duas caixas servem em você, aí sim a pergunta vira outra: você prefere um cristal que não risca ou cem metros de água. Não dá para ter os dois nessa faixa, e é exatamente essa escolha que o mercado ainda não resolveu.

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