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Citizen Tsuyosa ou Tissot PRX: o mesmo desenho por metade

Maison Garde & Co. 7 min de leitura
Citizen Tsuyosa verde e Tissot PRX azul-claro lado a lado sobre pedra clara, os dois com pulseira integrada

O desenho é quase o mesmo. O que o dobro do preço compra são quatro linhas de ficha, e elas não interessam a todo mundo.

Essa comparação chega sempre do mesmo jeito. A pessoa gostou do desenho de pulseira integrada, achou o PRX caro, e descobriu que existe um japonês pela metade com a mesma silhueta.

A pergunta é se o dobro compra o dobro. Não compra, e o que ele compra é específico o bastante para dar uma resposta clara.

Os dois preços

Modelo Movimento Preço no Brasil
Citizen Tsuyosa 8210, automático japonês R$ 3.468 a R$ 4.590
Tissot PRX Powermatic 80 automático suíço R$ 6.936

Os dois saem da mesma vitrine, a New Store. A faixa larga do Tsuyosa é a cor: são dezoito referências, e o mostrador muda o preço em até mil e cem reais.

Comparando o Tsuyosa mais barato com o PRX, o suíço custa o dobro. Guarde esse número, porque o resto do texto é sobre o que ele contém.

A ficha lado a lado

Citizen Tsuyosa Tissot PRX Powermatic 80
Preço no Brasil R$ 3.468 R$ 6.936
Caixa 40 mm 40 mm
Altura 11,7 mm 10,93 mm
Reserva 42 horas 80 horas
Água 50 metros 100 metros
Precisão menos 20 a mais 40 s/dia faixa de bom automático
Espiral antimagnética não declarada Nivachron
Cristal safira safira
Coroa às 4 horas às 3 horas
Pulseira integrada integrada

Repare no que não muda: os dois têm 40 mm, os dois têm safira, os dois têm pulseira integrada de verdade. É por isso que a comparação existe.

As medidas e a água do Tsuyosa saem da ficha oficial da Citizen e da análise da Monochrome, que pegou a peça na mão. As do PRX saem da página oficial da Tissot.

As quatro linhas que o dobro compra

As 80 horas de reserva

É a diferença mais fácil de sentir no dia a dia, e a maioria das comparações subestima.

Quarenta e duas horas quer dizer que o relógio para se você tirar na sexta à noite e for pegar na segunda. Oitenta horas quer dizer que ele ainda está andando e com a hora certa.

Isso não é gentileza da Tissot. Vem de um calibre redesenhado para gastar menos energia, e a escada inteira dessa faixa está em quanto gastar no primeiro relógio suíço.

Se você tem um relógio só e usa todo dia, a diferença some. Se você alterna entre dois, ela aparece toda semana.

Os 100 metros de água

Cinquenta metros cobrem chuva, pia e mão lavada. Cem metros cobrem piscina e mar com atenção.

Os dois têm coroa de encaixe, não rosqueada, então nenhum dos dois é relógio de mergulho. O que cada número permite de verdade está em 30, 50, 100 e 200 metros.

A leitura prática: o PRX aceita um mergulho de piscina sem susto, e o Tsuyosa não deveria estar ali.

A precisão

O Tsuyosa declara menos 20 a mais 40 segundos por dia, faixa que a Monochrome publica na análise de um Citizen da mesma família de movimento.

Repare que ela é assimétrica. Ele adianta mais do que atrasa, e quarenta segundos por dia dão quase cinco minutos por semana.

O Powermatic 80 anda numa faixa bem mais estreita que essa. Nenhum dos dois é cronômetro certificado, e a distância entre eles ainda é grande. A régua está em quantos segundos um relógio pode errar.

A espiral antimagnética

O PRX usa Nivachron, uma liga à base de titânio que não se magnetiza como o aço comum.

O que isso muda na prática: celular, notebook e fecho de bolsa magnetizam relógio e fazem ele adiantar minutos por dia. Com Nivachron isso praticamente não acontece.

O Tsuyosa não declara proteção equivalente. É a linha da tabela que menos aparece em comparação e a que mais explica relógio “que começou a adiantar do nada”.

Oitenta horas contra quarenta e duas. A diferença aparece na segunda-feira.
Oitenta horas contra quarenta e duas. A diferença aparece na segunda-feira.

Onde o Tsuyosa ganha de verdade

Não é só preço, e vale ser justo.

A cor. O PRX tem mostradores bonitos e conservadores. O Tsuyosa tem laranja, amarelo, bege e um azul-claro que o mercado apelidou de tiffany. Se você quer um relógio que não seja preto nem azul-marinho, a escolha é curta e ele está nela.

A liberdade de apanhar. Relógio de três mil e quinhentos você usa sem pensar. Relógio de sete mil você começa a proteger, e isso muda quanto ele sai da gaveta.

A entrada em automático. Para quem nunca teve um mecânico, gastar metade para descobrir se gosta do hábito é a decisão mais sensata que existe.

O terceiro caminho que muda a conta

Existe uma opção que quase ninguém coloca nessa comparação, e ela derruba parte do argumento dos dois lados.

O PRX a quartzo sai por R$ 4.386. É a mesma caixa de 40 mm, a mesma pulseira integrada, a mesma safira e os mesmos 100 metros do automático suíço.

Agora repare no número. O Tsuyosa mais caro custa R$ 4.590. Ou seja, a cor mais procurada do japonês sai mais cara que o Tissot suíço a quartzo.

Tsuyosa mais caro PRX quartzo
Preço R$ 4.590 R$ 4.386
Movimento automático quartzo suíço
Água 50 metros 100 metros
Precisão menos 20 a mais 40 s/dia segundos por mês
Altura 11,7 mm 10,40 mm

O que o quartzo não tem é a máquina. Fundo fechado, pilha no lugar da mola, e o ponteiro pula em vez de varrer.

Se o que te atrai no automático é a mecânica, o quartzo não serve e a conversa acabou. Se o que te atrai é o desenho, ele é o melhor negócio dos três, e a decisão está detalhada em PRX quartzo ou automático.

O mesmo desenho em três preços. O do meio é o que ninguém considera.
O mesmo desenho em três preços. O do meio é o que ninguém considera.

Qual dos dois comprar

Compre o Tsuyosa se este é o seu primeiro automático, se você quer uma cor que o suíço não faz, ou se metade do preço te deixa usar o relógio sem medo.

Compre o PRX se você alterna entre relógios e cansou de reacertar, se entra na água, ou se já sabe que vai reparar em segundos de diferença.

Compre o PRX quartzo se o que te atraiu foi o desenho e não a mecânica. Ele ganha do Tsuyosa em água, altura e precisão, e custa menos que a cor mais cara dele.

Existe um critério que resolve em dez segundos: você tira o relógio no fim de semana? Se tira, as 80 horas do PRX valem dinheiro de verdade. Se nunca tira, elas são uma linha de ficha que você nunca vai usar.

Perguntas frequentes

O Tsuyosa é uma cópia do PRX?

Não. Os dois seguem o mesmo desenho de caixa esportiva com pulseira integrada, que é um formato dos anos 1970 usado por várias marcas. Caixa, mostrador e proporção são diferentes entre eles.

O Tsuyosa dura tanto quanto o PRX?

Com revisão, os dois duram décadas. O movimento do Citizen é um dos mais fabricados da história, então peça e mão de obra são fáceis de achar aqui.

Vale esperar e comprar o PRX?

Vale se o que te incomoda no Tsuyosa é reserva, água ou precisão. Não vale se o que te atraiu foi o desenho, porque nesse caso o japonês já entrega.

Qual dos dois segura melhor o valor?

O PRX, por ter procura mais concentrada e marca suíça. Nenhum dos dois é investimento, e os dois perdem valor de tabela na primeira revenda.

O Tsuyosa cabe em quem usa camisa?

Cabe. São 11,7 mm de altura, e o limite prático para passar sob punho fechado fica em torno de 12 mm. Ele passa com folga pequena.

Os dois têm safira?

Têm. É o ponto em que o japonês surpreende, porque safira nessa faixa continua sendo exceção e o concorrente direto dele usa cristal mineral.

O que decide

Não é qual é melhor. Os dois fazem a mesma coisa e um deles faz melhor em quatro linhas específicas.

O que decide é se essas quatro linhas são as suas. Reserva longa, água, precisão apertada e proteção magnética são coisas que algumas pessoas usam toda semana e outras nunca notam em dez anos.

Se você não sabe em qual grupo está, é porque provavelmente está no segundo, e aí o Tsuyosa é a compra certa. A ficha completa dele está em Citizen Tsuyosa vale a pena.

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