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Frederique Constant Heart Beat: o balanço à vista desde 1994

Maison Garde & Co. 7 min de leitura
Frederique Constant Heart Beat com abertura no mostrador mostrando o balanço em movimento

A abertura não mostra engrenagem qualquer. Ela mostra a única peça do relógio que se move o tempo inteiro, e é por isso que o nome faz sentido.

Existe um relógio suíço que abre um buraco no mostrador de propósito, bem embaixo do 12, e cobra caro por isso.

A pergunta certa não é se fica bonito. É o que exatamente você está olhando ali dentro.

O que é o Heart Beat

É a assinatura da Frederique Constant, e ela é mais velha que boa parte da linha atual da marca.

O primeiro Heart Beat é de 1994, segundo a apresentação da versão de 2022 na Monochrome. A ideia era simples e na época era ousada: recortar o mostrador para deixar ver o mecanismo funcionando.

Dez anos depois, em 2004, a marca lançou o Heart Beat de manufatura, com calibre desenvolvido em casa. O panorama completo da marca está em Frederique Constant vale a pena.

No Brasil são sete referências, de R$ 13.158 a R$ 20.280. É o degrau mais caro do catálogo dela por aqui, junto com a fase da lua.

E vale saber qual é qual antes de comparar preço. A entrada, por R$ 13.158, é a versão Carrée, de caixa retangular. As redondas começam em R$ 19.380, e as que somam fase da lua vão até R$ 20.280.

Ou seja: são seis mil reais de diferença entre a caixa quadrada e a redonda, com a mesma abertura e o mesmo motor dentro.

O que você vê pela abertura

Aqui está o que separa este relógio de um esqueleto qualquer, e quase ninguém explica.

A abertura fica às 12 horas e mostra o órgão regulador: o balanço, a espiral e o áncora. Não é engrenagem de transmissão, e não é o rotor.

O balanço é uma roda que gira para um lado e para o outro, sem parar, enquanto o relógio estiver funcionando. Ele é literalmente o que conta o tempo.

Cada oscilação libera a engrenagem por um instante, e é essa liberação picotada que faz o ponteiro de segundos avançar. Num movimento de 4 Hz, isso acontece oito vezes por segundo.

É por isso que a peça se chama Heart Beat. Você está olhando a única parte do relógio que se mexe do jeito que um coração se mexe, e ela nunca para enquanto houver corda.

O que não é: um esqueleto. A Monochrome resume bem a diferença ao falar da categoria: é uma abertura que não viola a simetria nem a legibilidade, e não finge ser esqueleto.

O panorama da categoria inteira está em relógio open heart.

A abertura às 12 mostra o balanço, que é a peça que conta o tempo.
A abertura às 12 mostra o balanço, que é a peça que conta o tempo.

A ficha, número por número

A ficha do Classics Heart Beat Automatic redondo é o retrato da linha. A versão Carrée muda a caixa e mantém o resto.

Classics Heart Beat
Caixa 40 mm por 10,5 mm
Água 50 metros
Calibre FC-310, base Sellita SW200
Frequência 4 Hz
Reserva 38 horas
Cristal safira
Fundo com janela
Preço internacional EUR 1.295

Os números saem da mesma apresentação da Monochrome. No Brasil a faixa vai de R$ 13.158 a R$ 20.280.

Repare na linha do calibre. O FC-310 é base Sellita SW200, ou seja, o movimento é comprado e recebeu uma ponte a mais na frente para expor o balanço.

Isso não diminui o relógio, e muda o que você está pagando. A ficha do motor está em o motor suíço dentro de meio mercado.

O mesmo raciocínio vale para o irmão sem abertura: a análise do Classics Index na Monochrome identifica o FC-303 como o nome interno do Sellita SW200, com as mesmas 38 horas e os mesmos 4 Hz.

O que a abertura custa

Vale ser honesto, porque essa conta ninguém faz na loja.

Ela come mostrador. O espaço da abertura sai de algum lugar, e o lugar é a zona entre 11 e 1 hora. Índices somem ou encolhem.

Ela atrapalha em pouca luz. Um mostrador cheio devolve menos contraste, e a peça mais escura da abertura é justamente onde deveria estar o marcador das 12.

Ela cobra caro. O Heart Beat começa em R$ 13.158, e o mesmo Sellita num Classics Index sem abertura sai bem abaixo disso, o que mostra o tamanho do prêmio.

Ela não muda nada mecânico. As 38 horas são as mesmas, a precisão é a mesma e a água é a mesma. Você está comprando visão, não desempenho.

E existe um efeito colateral bom: você percebe na hora quando o relógio parou. Balanço parado é visível de longe, e num automático de 38 horas isso acontece com frequência.

Contra as outras formas de ver o movimento

A comparação inevitável é com as duas alternativas, e elas custam muito menos.

Heart Beat Open heart de entrada Fundo de vidro
Preço R$ 13.158 R$ 2.550 comum na faixa
O que mostra balanço, pelo mostrador balanço, pelo mostrador movimento inteiro, atrás
Legibilidade perde um pouco perde um pouco não perde nada
Quando você vê o tempo todo o tempo todo só ao tirar

A leitura prática é dura. Fundo de vidro mostra mais e não custa nada, e o open heart de entrada mostra a mesma coisa por um quinto do preço, como está em relógio open heart.

O que a Frederique Constant devolve é acabamento de mostrador, e ali ela é genuinamente boa.

Trinta e oito horas. Quando ele para, o balanço parado entrega na hora.
Trinta e oito horas. Quando ele para, o balanço parado entrega na hora.

A conta de dez anos

O preço de compra é a primeira parcela, e o mecânico cobra de novo depois.

Dez anos Heart Beat Um Sellita sem abertura
Compra R$ 13.158 R$ 8.160
Manutenção 1 a 2 revisões completas 1 a 2 revisões completas
Custo do serviço igual, mesmo movimento igual, mesmo movimento
Reserva 38 h 38 h

Como o motor é o mesmo, a manutenção custa igual nos dois. A conta completa está em quanto custa manter um relógio mecânico por 10 anos.

Ou seja, os quase cinco mil reais de diferença são a diferença inteira, e eles compram um recorte no mostrador com acabamento melhor em volta.

Vale dizer com todas as letras: isso é uma escolha de gosto, e gosto é motivo legítimo. O que não vale é achar que a abertura melhora o relógio.

Para quem faz sentido

Compre se ver o mecanismo é o que te trouxe à relojoaria mecânica. Muita gente entra por aí, e não tem nada de errado nisso.

Compre se o acabamento de mostrador da marca te conquistou. É o argumento mais forte dela, e a abertura é onde ele aparece melhor.

Compre se você quer um relógio de vestir que puxa conversa. Este puxa.

Não compre se legibilidade é prioridade. A abertura mora exatamente onde o olho procura as 12.

Não compre se o objetivo é ver o movimento pelo menor preço. Fundo de vidro faz isso de graça e mostra mais.

Perguntas frequentes

O que a abertura do Heart Beat mostra?

O órgão regulador: o balanço, a espiral e o áncora. É a parte do relógio que oscila sem parar enquanto houver corda.

O Heart Beat é um relógio esqueleto?

Não. Esqueleto vaza o mostrador inteiro e expõe pontes e platina. O Heart Beat é uma abertura pontual que preserva o resto do mostrador.

O calibre FC-310 é próprio da marca?

Ele é base Sellita SW200, com uma ponte a mais na frente para expor o balanço. A marca tem calibres de manufatura, e este não é um deles.

Quantas horas de reserva ele tem?

Trinta e oito horas. Tirou na sexta à noite, ele para no domingo, e o balanço parado avisa de longe.

Qual o Heart Beat mais barato do Brasil?

A faixa começa perto de R$ 13.158 e vai até R$ 20.280, nas sete referências à venda por aqui.

A abertura deixa entrar poeira?

Não. Ela é um recorte no mostrador, e o mostrador fica dentro da caixa vedada. A estanqueidade não muda por causa dela.

O que fica

O Heart Beat é uma boa ideia de 1994 que virou o cartão de visita de uma marca inteira, e ela continua funcionando trinta anos depois.

Ele mostra a peça certa, no lugar certo, com um mostrador em volta que é o melhor da faixa. Isso é mérito real.

O que ele não faz é justificar a diferença de preço por engenharia, porque o motor é o mesmo Sellita que move o modelo sem abertura. Você paga por uma janela.

Se a janela é o motivo de você querer um relógio mecânico, ela vale cada real. Se você só queria ver o movimento, o fundo de vidro que já vem na maioria dos automáticos mostra mais e não cobra nada.

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