Glycine Airman vale a pena? O GMT que chegou antes do Rolex
O primeiro relógio de dois fusos horários não foi o Rolex GMT-Master. Foi este, e ele chegou um ano antes.
Todo relógio do mundo faz a mesma coisa: o ponteiro das horas dá duas voltas por dia, uma de manhã e outra à tarde.
Este dá uma. E essa escolha esquisita resolve um problema que os outros não resolvem.
O mostrador que dá uma volta por dia
Comece pelo que você vê ao olhar o mostrador, porque ele parece errado.
Onde estaria o 12 está o 12 de meio-dia, e no lugar do 6 está a meia-noite. O mostrador tem 24 marcações em vez de 12, e o ponteiro das horas leva um dia inteiro para completar a volta.
Isso muda uma coisa que ninguém pensa em pedir a um relógio: ele diz se é dia ou noite sem você precisar saber. Nove horas e vinte e uma horas ficam em lugares opostos do mostrador.
E resolve o problema real de quem atravessa fusos. Quando você acorda sem saber que horas são no lugar de onde veio, um mostrador de 12 horas exige que você lembre se é manhã ou tarde. Um de 24 não exige nada.
O bisel também é de 24 horas e gira. Somando bisel, ponteiro de 24 horas e o ponteiro extra, o guia da Monochrome sobre relógios de piloto registra que a peça marca três fusos ao mesmo tempo.
A categoria inteira está em relógio de piloto, o que é.
Ele chegou antes do Rolex
Aqui está o fato que quase ninguém sabe, e ele é de data.
O Airman é de 1953. O Rolex GMT-Master, que virou sinônimo da função, é de 1954.
A mesma fonte da Monochrome credita a criação do primeiro relógio de dois fusos à Glycine, e descreve o Airman como o ancestral do GMT de viagem.
A parada de segundos entrou em 1955, dois anos depois do lançamento.
E existe a parte que fez o nome dele. O Airman nunca foi equipamento militar oficial, e mesmo assim os pilotos americanos compravam por conta própria. Na Guerra do Vietnã ele virou culto entre eles, justamente pelo mostrador de 24 horas.
O desenho segue quase inalterado até hoje, o que é raro e é o motivo de o relógio ainda existir. A exceção recente está no Airman Double Twelve, o primeiro da linha a abandonar as 24 horas.

Que tipo de GMT ele é
Este trecho vale dinheiro, porque a palavra GMT vende dois produtos diferentes pelo mesmo nome.
Os calibres do Airman brasileiro são o ETA 2893-2 e o Sellita SW330, que aparecem em seis das nove fichas.
Os dois são o que o guia técnico da Monochrome chama de GMT de escritório, e a diferença é esta:
| GMT de escritório | GMT de viagem | |
|---|---|---|
| O que se ajusta | o ponteiro de 24 horas | o ponteiro local |
| Bom para | acompanhar outro fuso de casa | aterrissar e acertar na hora |
| Ao trocar de país | mexe no ponteiro auxiliar | mexe só na hora local |
Nenhum dos dois é melhor. Eles servem a rotinas diferentes, e o de escritório é o que faz sentido para quem trabalha com gente de outro país sem viajar.
A função em si está explicada em relógio GMT até R$ 5.000 e no verbete da Monochrome.
Quanto custa no Brasil
Levantamos o catálogo inteiro. São 9 referências, de R$ 10.812 a R$ 11.628, com mediana em R$ 11.628.
| Peça | Preço |
|---|---|
| Piso, Airman Purist creme | R$ 10.812 |
| Airman Vintage Noon Purist branco | R$ 11.220 |
| Airman Vintage Noon Purist preto | R$ 11.220 |
| Vintage The Chief GMT | R$ 11.628 |
Repare no que essa tabela quase não faz. A faixa inteira é de 1,08 vez, do piso ao teto, a menor de qualquer marca deste blog.
Oitocentos e dezesseis reais separam o mais barato do mais caro, em nove referências. Você não escolhe patamar aqui, escolhe cor e escolhe se quer o ponteiro extra.
Todas são automáticas e todas declaram 40 mm, e o método de medida está em como medir o pulso.
O problema dos 30 metros
Vale abrir uma seção só para isso, porque é o defeito que mais surpreende.
Cinco das nove referências declaram 30 metros de água. As outras duas que publicam o dado ficam em 50.
Trinta metros num relógio de onze mil e seiscentos reais é pouco em qualquer leitura. Cobre chuva, mão lavada e banho, e não cobre piscina de rotina.
Existe explicação histórica. O Airman original tinha uma coroa com trava de parafuso feita para pressão de cabine, e não para água, porque o problema do piloto de 1953 era altitude e não mergulho.
Explicação não é desculpa. Se o relógio vai junto com você para a água, a régua está em 30, 50, 100 e 200 metros e este não passa.

Onde ele perde
Vale listar, porque é onde nasce o arrependimento.
Trinta metros de água. Cinco das nove param aí, e nenhuma versão cara resolve.
O mostrador exige adaptação. Ler 24 horas leva uns dias, e tem gente que nunca se acostuma.
A marca é invisível aqui. Glycine não tem rede no Brasil, e o custo disso está em revisão de relógio quanto custa.
O GMT é de escritório. Quem viaja de verdade quer ajustar a hora local sozinha, e isso este calibre não faz.
A faixa é toda igual. Não existe versão de entrada barata, então ou você paga onze mil ou fica fora.
Contra a vizinhança
A comparação na faixa de dez a treze mil reais.
| Glycine Airman | Baltic Aquascaphe GMT | Certina DS Podium GMT | Longines | |
|---|---|---|---|---|
| Piso | R$ 10.812 | R$ 13.056 | R$ 5.508 | acima |
| Movimento | automático | automático | quartzo | automático |
| Água | 30 m | 100 m | 100 m | varia |
| Mostrador 24 h | sim | não | não | não |
| Rede no Brasil | não | não | sim | sim |
A leitura é de uma linha só, e ela é a razão de o relógio existir. Nenhum concorrente tem mostrador de 24 horas, e é isso que você está comprando.
Em água ele perde para todos. O Aquascaphe GMT triplica a vedação por R$ 2.244 a mais. O DS Podium GMT entrega segundo fuso por metade do preço, em quartzo.
Qual comprar
Compre o Vintage The Chief GMT se você quer a coisa completa. É o que tem o ponteiro extra, e sai por R$ 11.628.
Compre o Purist se o orçamento manda. Ele entra em R$ 10.812 e mantém o mostrador de 24 horas, que é a alma da peça.
Compre se você conversa com outro fuso toda semana. É para isso que o calibre serve, e ele serve bem.
Não compre se você nada. Trinta metros não cobre rotina de piscina, e nenhuma referência da linha resolve.
Não compre esperando ajustar a hora ao aterrissar. Este é um GMT de escritório, e a mecânica dele é outra.
Perguntas frequentes
O Glycine Airman foi o primeiro GMT?
A criação do primeiro relógio de dois fusos é creditada ao Airman de 1953, um ano antes do Rolex GMT-Master. Ele é tratado como o ancestral do GMT de viagem.
Por que o mostrador do Airman tem 24 horas?
Porque o ponteiro das horas dá uma volta por dia em vez de duas. Assim o relógio mostra sozinho se é dia ou noite, o que resolve o problema de quem cruza fusos.
Quanto custa um Glycine Airman no Brasil?
De R$ 10.812 a R$ 11.628, em 9 referências. A faixa é de apenas 1,08 vez, a mais estreita deste blog.
Qual movimento o Glycine Airman usa?
O ETA 2893-2 e o Sellita SW330, nas referências que publicam o dado. Os dois são calibres de GMT de escritório.
Quantos metros o Glycine Airman aguenta?
Trinta metros em cinco das nove referências, e cinquenta nas duas restantes que publicam o dado. É pouco para o preço.
O Airman serve para viajar?
Serve para acompanhar outro fuso, e não para acertar a hora ao aterrissar. Nele você ajusta o ponteiro de 24 horas, não o ponteiro local.
O que fica
O Airman é um dos poucos relógios em que o desenho não é estilo, é função, e a função é estranha o suficiente para durar setenta anos sem mudar.
O ponteiro das horas dá uma volta por dia, e por isso o relógio diz sozinho se são nove da manhã ou nove da noite. Nenhum concorrente da faixa faz isso.
Ele é de 1953, um ano antes do Rolex GMT-Master, e virou culto entre pilotos americanos no Vietnã sem nunca ter sido equipamento oficial.
O preço disso são 30 metros de água num relógio de onze mil e seiscentos, e um GMT que acompanha outro fuso em vez de acertar a hora quando você chega.
Se ler as horas de um jeito diferente é o que te move, não existe substituto na faixa. Se você queria um relógio para tudo, este não é, e a mesma prateleira tem respostas melhores.