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Relógio dourado vale a pena? O que o banho aguenta de verdade

Maison Garde & Co. 6 min de leitura
Relógio dourado e relógio bicolor de aço e ouro lado a lado sobre madeira escura

Ouro maciço nessa faixa não existe. O que existe são duas técnicas diferentes de cobrir o aço, e elas envelhecem de jeitos opostos.

Quando alguém procura um relógio dourado, quase sempre imagina uma coisa só: ouro.

Abaixo de vinte mil reais isso praticamente não existe. O que existe é aço coberto, e a diferença entre as duas maneiras de cobrir decide quanto tempo o dourado dura.

Banho de ouro e PVD

Aqui está o vocabulário que resolve a compra, e são dois termos só.

Banho de ouro é ouro de verdade, em camada fina. O glossário da Monochrome define assim: uma camada de ouro 14K ou superior, fundida ao metal, com espessura mínima de 0,5 mícron.

Meio mícron é meio milésimo de milímetro. É ouro real, e é pouquíssimo material.

PVD é outra coisa. A definição da mesma casa descreve o processo: um material sólido é vaporizado dentro de uma câmara a vácuo e depositado sobre a peça como um filme fino e duro.

Banho de ouro PVD
O que é ouro real, camada fina filme depositado a vácuo
Espessura típica 0,5 mícron ou mais filme muito fino
Dureza macia dura
Como falha desgasta e apaga risca e lasca

A diferença prática está na última linha, e ela é a mais útil deste post.

Banho de ouro é macio. Ele vai desgastando por atrito, principalmente nas quinas da caixa e nos elos do bracelete, e o aço aparece por baixo aos poucos.

PVD é duro. Ele resiste muito melhor ao atrito do dia a dia, e quando falha não é apagando, é lascando num ponto.

Onde o dourado descasca

Vale ser específico, porque o desgaste não é aleatório. Ele acontece sempre nos mesmos lugares.

As quinas da caixa. É o que raspa em batente de porta e em mesa, e é onde some primeiro.

O fecho do bracelete. Abre e fecha todo dia, com atrito de metal contra metal.

A parte de baixo dos elos. Ela vive esfregando na pele e na mesa, e é onde o brilho vira opaco.

A coroa. Dedo puxando e girando, sempre no mesmo ponto.

Existe uma segunda causa, e ela é silenciosa: suor e produto de pele. Perfume, álcool em gel e protetor solar atacam a camada, e num clima quente isso acelera tudo.

A regra prática que vale para os dois processos: quanto mais fino o revestimento, mais rápido ele vai embora, e a espessura quase nunca aparece na ficha do produto.

O desgaste não é aleatório. Ele acontece sempre nos mesmos quatro pontos.
O desgaste não é aleatório. Ele acontece sempre nos mesmos quatro pontos.

O bicolor, que é outra conversa

O bicolor mistura aço e dourado na mesma peça, e ele resolve parte do problema sem querer.

A seleção da Monochrome sobre bicolor acessível mostra o desenho clássico: caixa de aço, bisel dourado e elos centrais dourados no bracelete.

Duas coisas boas seguem daí.

O desgaste some no contraste. Quando o dourado de um elo central apaga um pouco, ele fica ao lado de aço de qualquer jeito, e a diferença chama menos atenção que num relógio inteiro dourado.

Ele combina com mais coisa. Aço e ouro juntos aceitam acessório de qualquer cor, o que o dourado puro não faz.

E uma ruim: o bicolor é datado por natureza. Ele é a assinatura visual dos anos 1980 e 1990, e volta e meia sai de moda de novo.

Quanto custa no Brasil

Levantamos o catálogo inteiro. São 52 referências douradas ou bicolores, de R$ 3.264 a R$ 19.788, com mediana em R$ 5.100.

Peça Preço
Piso, Bulova dourado R$ 3.264
Citizen Eco-Drive Corso dourado R$ 3.264
Bulova Futuro dourado R$ 3.366
Bulova Marine Star azul e dourado R$ 3.672
Teto R$ 19.788

Repare na mediana: R$ 5.100. Dourado é uma das poucas escolhas de estilo que não cobra caro por si mesma, porque o revestimento custa pouco.

Isso tem um lado bom e um ruim. Você entra barato, e o que você comprou é aço com uma casca por cima.

Como fazer o dourado durar mais

Vale ser prático, porque a camada é fina e o que você faz com ela decide os próximos anos.

Tire para lavar a mão. Sabão e álcool em gel atacam o revestimento, e é o gesto mais repetido do dia.

Passe perfume antes de vestir. Álcool direto no pulso é o inimigo mais rápido da camada.

Guarde separado. Relógio dourado batendo em outro relógio dentro da gaveta risca de um jeito que não tem volta.

Limpe com pano seco. Escova e pasta de polir tiram a camada junto com a sujeira.

Prefira o bracelete de couro se você sua muito. Sem elos de metal esfregando, o desgaste cai bastante.

Nenhuma dessas coisas faz o revestimento durar para sempre. Elas mudam o prazo, e num item que não tem conserto o prazo é tudo.

Sabão, álcool e perfume são o inimigo. A camada é fina e não tem conserto.
Sabão, álcool e perfume são o inimigo. A camada é fina e não tem conserto.

Onde ele perde

Vale listar, porque é onde nasce o arrependimento.

A camada não volta. Rebanho e repolimento não resolvem dourado gasto, e refazer o banho é serviço caro e raro no Brasil.

A ficha não diz a espessura. Quase nenhuma marca publica quantos mícrons tem o revestimento, então você compra sem saber a durabilidade.

Ele mostra idade. Um relógio de aço riscado parece usado. Um dourado gasto parece velho, que é diferente.

A revenda é pior. Peça revestida tem saída mais lenta que a mesma peça em aço, e a lógica está em relógio é investimento.

Ele pede cuidado com produto. Perfume e álcool no pulso atacam a camada, e quase ninguém é avisado disso na loja.

Qual comprar

Compre PVD se você vai usar todo dia. Ele é o mais duro dos dois e é o que melhor atravessa o uso diário.

Compre bicolor se você quer dourado sem o risco. O contraste com o aço disfarça o desgaste e o relógio combina com mais coisa.

Compre dourado inteiro se é peça de ocasião. Uso ocasional é onde o revestimento dura muito.

Não compre esperando ouro. Nessa faixa é aço coberto, e o material embaixo é o mesmo de sempre.

Não compre para nadar. Cloro e água salgada aceleram a perda da camada, e a régua de água está em 30, 50, 100 e 200 metros.

Perguntas frequentes

Relógio dourado descasca?

Descasca com o tempo, e sempre nos mesmos pontos: quinas da caixa, fecho, parte de baixo dos elos e coroa. Suor e perfume aceleram o processo.

Qual a diferença entre banho de ouro e PVD?

Banho de ouro é ouro real numa camada de meio mícron ou mais, e é macio. PVD é um filme depositado a vácuo, muito mais duro e resistente ao atrito.

Quanto tempo dura um relógio dourado?

Depende da espessura, do processo e do uso, e quase nenhuma marca publica a espessura. PVD costuma durar bem mais que banho de ouro no uso diário.

Vale a pena comprar relógio bicolor?

Vale se você quer dourado com menos risco. O contraste com o aço disfarça o desgaste e a peça combina com mais coisas.

Quanto custa um relógio dourado no Brasil?

De R$ 3.264 a R$ 19.788, em 52 referências douradas ou bicolores, com mediana em R$ 5.100.

Dá para recuperar o dourado gasto?

Refazer o revestimento é possível e caro, e quase não existe serviço disso no Brasil. Na prática, o desgaste é definitivo.

O que fica

Dourado nessa faixa nunca é ouro maciço. É aço coberto, e a única pergunta que importa é como ele foi coberto.

Banho de ouro é ouro real e macio, meio mícron de material que vai desaparecendo por atrito. PVD é um filme duro depositado a vácuo, que aguenta muito mais o uso diário.

O desgaste não é aleatório. Ele começa nas quinas, no fecho, embaixo dos elos e na coroa, e perfume e suor aceleram tudo.

Se o dourado é o que você quer, o bicolor é a compra mais inteligente: o aço ao lado disfarça o desgaste e o relógio combina com mais coisa. E entre os dois processos, PVD ganha do banho em qualquer uso que não seja de ocasião.

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