Tissot Le Locle vale a pena? O nome é a cidade onde tudo começou
Quase toda coleção de relógio tem nome inventado por agência. Esta tem o nome da cidade onde a empresa foi fundada, e ela só apareceu no aniversário de 150 anos.
A Tissot tem 353 referências no Brasil, mais que qualquer outra marca deste catálogo, e a maior parte delas leva nome de marketing.
O Le Locle não. Ele leva o nome de um lugar real, e isso não é detalhe.
De onde vem o nome
Le Locle é uma cidade no Jura suíço, e é onde a Tissot foi fundada em 1853.
A análise da Monochrome sobre a edição de 20 anos conta o resto: a coleção nasceu em 2003, no aniversário de 150 anos da marca, batizada com o nome da cidade natal.
Ou seja, a Tissot esperou um século e meio para usar o próprio endereço como nome de produto. É o oposto de nome de agência.
E a mesma fonte descreve o que a linha virou desde então: a oferta mais tradicional e conservadora da marca, para quem quer elegância clássica sem nada chamativo.
Isso a separa do resto do catálogo:
| A linha | O que ela é | Piso |
|---|---|---|
| T-Classic | o social de entrada | R$ 2.958 |
| Le Locle | o clássico de verdade | R$ 5.916 |
| Gentleman | o de todo dia | R$ 4.590 |
| PRX | esportivo dos anos 1970 | R$ 3.876 |
O T-Classic entra mais barato e é quase todo de quartzo. O Gentleman é o de uso diário. O Le Locle é o formal da casa.
A ficha, número por número
A mesma análise traz as medidas que decidem se ele serve no seu pulso.
| Tissot Le Locle | |
|---|---|
| Caixa | cerca de 39 mm |
| Espessura | abaixo de 10 mm |
| Movimento | Powermatic 80 |
| Reserva | 80 horas |
| Espiral | Nivachron, antimagnética |
Duas linhas dessa tabela são o argumento inteiro.
Trinta e nove milímetros é a medida clássica de relógio de vestir. Ela tem presença sem virar disco, e o método para saber a sua está em como medir o pulso.
Abaixo de dez milímetros de altura é o que separa relógio que entra sob punho de camisa do que fica preso na manga. Isso é raro em automático de faixa acessível.
O Powermatic 80 é o motor de meio mercado suíço, com base ETA e 80 horas de reserva, explicado em o motor suíço dentro de meio mercado. A espiral Nivachron resolve magnetismo.

Existe uma versão certificada
Vale registrar, porque quase ninguém sabe e ela muda o produto.
A linha ganhou versões com certificação de cronômetro, como mostra a cobertura da Monochrome sobre os modelos novos, em 39 mm.
Certificação COSC quer dizer que o movimento foi testado por órgão independente e ficou entre menos 4 e mais 6 segundos por dia. O que o selo cobra, e o que ele não garante, está em o que é um cronômetro certificado.
Isso é raro nessa faixa. No catálogo brasileiro, a maior parte das certificadas é da Mido, assunto de Mido Baroncelli vale a pena.
Quanto custa no Brasil
Levantamos o catálogo inteiro. São 19 referências, de R$ 5.916 a R$ 15.402, com mediana em R$ 7.140.
| Peça | Preço |
|---|---|
| Piso, Le Locle com diamante | R$ 5.916 |
| Le Locle Powermatic 80 | R$ 6.222 |
| Le Locle Powermatic 80 azul | R$ 6.426 |
| Le Locle automático | R$ 6.732 |
| Teto, versão de topo | R$ 15.402 |
Repare que a mediana, R$ 7.140, fica a R$ 1.224 do piso. A linha é concentrada embaixo, o que é bom sinal para quem está comparando preço.
E vale a comparação com a origem. A mesma análise registra o Le Locle Powermatic 80 a EUR 725 na Europa. Com o euro perto de R$ 6, isso dá cerca de R$ 4.350.
O preço brasileiro fica em torno de 1,4 vez o europeu, que é o padrão de marca grande com distribuição própria, número que aparece também em Seiko Presage vale a pena.
O que 80 horas mudam no uso
Vale abrir esse número, porque ele é o que separa um automático moderno de um antigo, e quase ninguém explica o efeito prático.
Reserva de marcha é quanto tempo o relógio anda depois de sair do pulso. Um automático clássico rende cerca de 40 horas, e o Powermatic 80 rende o dobro.
A diferença aparece num dia específico da semana. Com 40 horas, você tira o relógio na sexta à noite e na segunda de manhã ele está parado, pedindo acerto de hora e de data.
Com 80 horas, ele atravessa o fim de semana inteiro e ainda sobra. Você põe no pulso na segunda e ele está certo.
Quem tem um relógio só não percebe, porque ele nunca sai do pulso. Quem reveza entre dois ou três sente toda semana.
O motor vem de um ETA 2824 retrabalhado, e a Monochrome explica como a Swatch chegou nas 80 horas baixando a frequência do calibre original.

Onde ele perde
Vale listar, porque é onde a expectativa desanda.
Ele é conservador de propósito. Quem quer presença ou cor vai achar sem graça, e isso não é defeito, é o projeto.
A água é de social. Não vai à piscina, e a régua está em 30, 50, 100 e 200 metros.
A revenda é de marca de volume. Tissot vende muito, e isso derruba o preço de segunda mão, como discute relógio é investimento.
O nome não ajuda na loja. Le Locle não diz nada para quem não conhece a história, ao contrário de PRX ou Seastar.
A manutenção é de suíço mecânico. A conta de dez anos está em quanto custa manter um relógio mecânico.
Contra a vizinhança
A comparação com quem divide o mesmo motor, na faixa de seis a sete mil.
| Le Locle | Mido Commander | Jazzmaster | Baroncelli | |
|---|---|---|---|---|
| Piso mecânico | R$ 5.916 | R$ 6.120 | R$ 6.120 | R$ 6.834 |
| Espessura | abaixo de 10 mm | média | média | fina |
| Versão COSC | sim | não | não | sim |
| Nome no Brasil | forte | discreto | forte | discreto |
| Refs no Brasil | 19 | 32 | 86 | 47 |
A leitura é favorável ao Le Locle em duas colunas. Ele é o mais barato dos quatro no mecânico e o mais fino, que é exatamente o que um relógio formal precisa ser.
Perde em variedade para o Jazzmaster e em desenho próprio para o Commander, que tem a caixa sem alças.
Qual comprar
Compre o Powermatic 80 se você quer o essencial da linha. Oitenta horas de reserva e menos de dez milímetros por pouco mais de seis mil.
Compre a versão COSC se precisão te move. É raro achar cronômetro certificado numa Tissot.
Compre 39 mm sem medo. É a medida mais fácil de usar do mercado e serve para quase todo pulso.
Não compre se você quer presença. Ele é discreto por projeto e vai continuar sendo.
Não compre para molhar. É relógio de camisa, e água não faz parte da proposta.
Perguntas frequentes
O que quer dizer Le Locle?
É o nome da cidade suíça onde a Tissot foi fundada em 1853. A coleção nasceu em 2003, no aniversário de 150 anos da marca.
O Tissot Le Locle é automático?
A maior parte da linha é, com o movimento Powermatic 80 e 80 horas de reserva de marcha.
Qual o tamanho do Le Locle?
Cerca de 39 mm de diâmetro e menos de 10 mm de altura, o que é a medida clássica de relógio de vestir.
Quanto custa um Le Locle no Brasil?
De R$ 5.916 a R$ 15.402, em 19 referências, com mediana em R$ 7.140.
O Le Locle tem cronômetro certificado?
Tem, em versões específicas de 39 mm com selo COSC, testadas entre menos 4 e mais 6 segundos por dia.
Le Locle ou Gentleman?
O Le Locle é o formal, mais fino e mais discreto. O Gentleman é o de uso diário, que serve tanto para terno quanto para jeans.
O que fica
O Le Locle é o relógio mais tradicional da marca suíça mais vendida do Brasil, e o nome dele carrega a única coisa que agência nenhuma consegue inventar.
É a cidade onde a empresa nasceu em 1853, e a coleção só apareceu em 2003, quando a casa completou 150 anos.
O que ele entrega é o que um formal deveria entregar e quase nenhum entrega nessa faixa: 39 mm, menos de 10 mm de altura e 80 horas de reserva, com versão certificada para quem quer.
O que ele não entrega é chamar atenção. Se você quer ser notado, existe coisa melhor. Se você quer um relógio que suma sob o punho e apareça só quando você olha, ele é a resposta mais barata da prateleira.