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Tissot Le Locle vale a pena? O nome é a cidade onde tudo começou

Maison Garde & Co. 7 min de leitura
Tissot Le Locle de mostrador prata guilhochado e pulseira de couro sobre linho claro

Quase toda coleção de relógio tem nome inventado por agência. Esta tem o nome da cidade onde a empresa foi fundada, e ela só apareceu no aniversário de 150 anos.

A Tissot tem 353 referências no Brasil, mais que qualquer outra marca deste catálogo, e a maior parte delas leva nome de marketing.

O Le Locle não. Ele leva o nome de um lugar real, e isso não é detalhe.

De onde vem o nome

Le Locle é uma cidade no Jura suíço, e é onde a Tissot foi fundada em 1853.

A análise da Monochrome sobre a edição de 20 anos conta o resto: a coleção nasceu em 2003, no aniversário de 150 anos da marca, batizada com o nome da cidade natal.

Ou seja, a Tissot esperou um século e meio para usar o próprio endereço como nome de produto. É o oposto de nome de agência.

E a mesma fonte descreve o que a linha virou desde então: a oferta mais tradicional e conservadora da marca, para quem quer elegância clássica sem nada chamativo.

Isso a separa do resto do catálogo:

A linha O que ela é Piso
T-Classic o social de entrada R$ 2.958
Le Locle o clássico de verdade R$ 5.916
Gentleman o de todo dia R$ 4.590
PRX esportivo dos anos 1970 R$ 3.876

O T-Classic entra mais barato e é quase todo de quartzo. O Gentleman é o de uso diário. O Le Locle é o formal da casa.

A ficha, número por número

A mesma análise traz as medidas que decidem se ele serve no seu pulso.

Tissot Le Locle
Caixa cerca de 39 mm
Espessura abaixo de 10 mm
Movimento Powermatic 80
Reserva 80 horas
Espiral Nivachron, antimagnética

Duas linhas dessa tabela são o argumento inteiro.

Trinta e nove milímetros é a medida clássica de relógio de vestir. Ela tem presença sem virar disco, e o método para saber a sua está em como medir o pulso.

Abaixo de dez milímetros de altura é o que separa relógio que entra sob punho de camisa do que fica preso na manga. Isso é raro em automático de faixa acessível.

O Powermatic 80 é o motor de meio mercado suíço, com base ETA e 80 horas de reserva, explicado em o motor suíço dentro de meio mercado. A espiral Nivachron resolve magnetismo.

Trinta e nove milímetros e menos de dez de altura. É a medida clássica.
Trinta e nove milímetros e menos de dez de altura. É a medida clássica.

Existe uma versão certificada

Vale registrar, porque quase ninguém sabe e ela muda o produto.

A linha ganhou versões com certificação de cronômetro, como mostra a cobertura da Monochrome sobre os modelos novos, em 39 mm.

Certificação COSC quer dizer que o movimento foi testado por órgão independente e ficou entre menos 4 e mais 6 segundos por dia. O que o selo cobra, e o que ele não garante, está em o que é um cronômetro certificado.

Isso é raro nessa faixa. No catálogo brasileiro, a maior parte das certificadas é da Mido, assunto de Mido Baroncelli vale a pena.

Quanto custa no Brasil

Levantamos o catálogo inteiro. São 19 referências, de R$ 5.916 a R$ 15.402, com mediana em R$ 7.140.

Peça Preço
Piso, Le Locle com diamante R$ 5.916
Le Locle Powermatic 80 R$ 6.222
Le Locle Powermatic 80 azul R$ 6.426
Le Locle automático R$ 6.732
Teto, versão de topo R$ 15.402

Repare que a mediana, R$ 7.140, fica a R$ 1.224 do piso. A linha é concentrada embaixo, o que é bom sinal para quem está comparando preço.

E vale a comparação com a origem. A mesma análise registra o Le Locle Powermatic 80 a EUR 725 na Europa. Com o euro perto de R$ 6, isso dá cerca de R$ 4.350.

O preço brasileiro fica em torno de 1,4 vez o europeu, que é o padrão de marca grande com distribuição própria, número que aparece também em Seiko Presage vale a pena.

O que 80 horas mudam no uso

Vale abrir esse número, porque ele é o que separa um automático moderno de um antigo, e quase ninguém explica o efeito prático.

Reserva de marcha é quanto tempo o relógio anda depois de sair do pulso. Um automático clássico rende cerca de 40 horas, e o Powermatic 80 rende o dobro.

A diferença aparece num dia específico da semana. Com 40 horas, você tira o relógio na sexta à noite e na segunda de manhã ele está parado, pedindo acerto de hora e de data.

Com 80 horas, ele atravessa o fim de semana inteiro e ainda sobra. Você põe no pulso na segunda e ele está certo.

Quem tem um relógio só não percebe, porque ele nunca sai do pulso. Quem reveza entre dois ou três sente toda semana.

O motor vem de um ETA 2824 retrabalhado, e a Monochrome explica como a Swatch chegou nas 80 horas baixando a frequência do calibre original.

Oitenta horas é o que faz o relógio atravessar o fim de semana inteiro.
Oitenta horas é o que faz o relógio atravessar o fim de semana inteiro.

Onde ele perde

Vale listar, porque é onde a expectativa desanda.

Ele é conservador de propósito. Quem quer presença ou cor vai achar sem graça, e isso não é defeito, é o projeto.

A água é de social. Não vai à piscina, e a régua está em 30, 50, 100 e 200 metros.

A revenda é de marca de volume. Tissot vende muito, e isso derruba o preço de segunda mão, como discute relógio é investimento.

O nome não ajuda na loja. Le Locle não diz nada para quem não conhece a história, ao contrário de PRX ou Seastar.

A manutenção é de suíço mecânico. A conta de dez anos está em quanto custa manter um relógio mecânico.

Contra a vizinhança

A comparação com quem divide o mesmo motor, na faixa de seis a sete mil.

Le Locle Mido Commander Jazzmaster Baroncelli
Piso mecânico R$ 5.916 R$ 6.120 R$ 6.120 R$ 6.834
Espessura abaixo de 10 mm média média fina
Versão COSC sim não não sim
Nome no Brasil forte discreto forte discreto
Refs no Brasil 19 32 86 47

A leitura é favorável ao Le Locle em duas colunas. Ele é o mais barato dos quatro no mecânico e o mais fino, que é exatamente o que um relógio formal precisa ser.

Perde em variedade para o Jazzmaster e em desenho próprio para o Commander, que tem a caixa sem alças.

Qual comprar

Compre o Powermatic 80 se você quer o essencial da linha. Oitenta horas de reserva e menos de dez milímetros por pouco mais de seis mil.

Compre a versão COSC se precisão te move. É raro achar cronômetro certificado numa Tissot.

Compre 39 mm sem medo. É a medida mais fácil de usar do mercado e serve para quase todo pulso.

Não compre se você quer presença. Ele é discreto por projeto e vai continuar sendo.

Não compre para molhar. É relógio de camisa, e água não faz parte da proposta.

Perguntas frequentes

O que quer dizer Le Locle?

É o nome da cidade suíça onde a Tissot foi fundada em 1853. A coleção nasceu em 2003, no aniversário de 150 anos da marca.

O Tissot Le Locle é automático?

A maior parte da linha é, com o movimento Powermatic 80 e 80 horas de reserva de marcha.

Qual o tamanho do Le Locle?

Cerca de 39 mm de diâmetro e menos de 10 mm de altura, o que é a medida clássica de relógio de vestir.

Quanto custa um Le Locle no Brasil?

De R$ 5.916 a R$ 15.402, em 19 referências, com mediana em R$ 7.140.

O Le Locle tem cronômetro certificado?

Tem, em versões específicas de 39 mm com selo COSC, testadas entre menos 4 e mais 6 segundos por dia.

Le Locle ou Gentleman?

O Le Locle é o formal, mais fino e mais discreto. O Gentleman é o de uso diário, que serve tanto para terno quanto para jeans.

O que fica

O Le Locle é o relógio mais tradicional da marca suíça mais vendida do Brasil, e o nome dele carrega a única coisa que agência nenhuma consegue inventar.

É a cidade onde a empresa nasceu em 1853, e a coleção só apareceu em 2003, quando a casa completou 150 anos.

O que ele entrega é o que um formal deveria entregar e quase nenhum entrega nessa faixa: 39 mm, menos de 10 mm de altura e 80 horas de reserva, com versão certificada para quem quer.

O que ele não entrega é chamar atenção. Se você quer ser notado, existe coisa melhor. Se você quer um relógio que suma sob o punho e apareça só quando você olha, ele é a resposta mais barata da prateleira.

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