Timex vale a pena? O relógio mais barato do catálogo inteiro
Levantamos 2.357 referências à venda no Brasil para achar o degrau mais baixo de todos. Ele custa dois mil e quarenta reais e é de uma marca de 1854.
Existe uma pergunta que aparece toda semana e que quase nunca é respondida sem esnobismo.
A Timex é marca boa? A resposta honesta depende de uma coisa só, e ela não é o preço.
O que é a Timex
A história é bem mais longa do que a fama sugere.
A empresa começa em 1854, como Waterbury Clock Company, na cidade de Waterbury, em Connecticut. Ela é mais velha que a maior parte das marcas suíças que hoje custam dez vezes mais.
E ela chegou a dominar um mercado inteiro. Em 1962, um em cada três relógios vendidos nos Estados Unidos era um Timex, segundo a retrospectiva da Monochrome sobre a volta da marca à mecânica.
Aí veio a crise do quartzo e a virada. A marca abandonou a produção mecânica em 1982 e passou décadas vivendo de quartzo barato, com invenções próprias como o Indiglo, a iluminação de mostrador lançada em 1992.
Em 2017, trinta e cinco anos depois, ela voltou ao mecânico com o Marlin, um relógio de corda de 34 mm que virou sucesso improvável, contado numa análise da mesma casa.
Ou seja: não é marca de shopping sem passado. É uma casa de 170 anos que escolheu o volume e o preço baixo, e que voltou a flertar com mecânica.
O que R$ 2.040 compra
Aqui está o dado que motivou este post.
Levantamos as 2.357 referências à venda no mercado brasileiro que acompanhamos. O relógio mais barato de todos é um Timex.
| Peça | Preço |
|---|---|
| Timex Legacy Day e Date | R$ 2.040 |
| Timex Q Reissue M79 automático | R$ 5.100 |
Dois mil e quarenta reais é o piso absoluto. Para comparar, o automático mais barato do catálogo custa R$ 2.754, no Orient Kamasu, e o Seiko 5 clássico fica em R$ 2.856.
O Legacy é quartzo, com dia e data, caixa de aço e pulseira integrada. Ele não tem mecânica, não tem safira e não tem água de mergulho.
O que ele tem é o preço, um desenho limpo e a data com o dia da semana, que é mais raro nessa faixa do que parece.

O Q, que é outra história
A segunda referência brasileira merece parágrafo próprio, porque ela é o oposto do Legacy.
O Q Reissue M79 é a releitura de um relógio dos anos 1970 e custa R$ 5.100. E, ao contrário de quase tudo que a marca faz, ele é automático.
O Q virou objeto de culto entre entusiastas por um motivo específico: ele traz bisel bicolor, pulseira de elos finos e cara de relógio antigo de verdade, num preço que nenhuma marca suíça pratica.
É o mesmo movimento que a marca fez ao voltar à mecânica. A Monochrome tem um panorama sobre marcas de quartzo que voltaram ao mecânico, e a Timex é o caso mais citado.
O contexto do movimento mecânico contra o quartzo está em automático ou corda manual.
Onde ela perde
Vale ser específico, porque nessa faixa o barato pode sair caro.
O cristal é mineral ou acrílico. Safira não existe aqui, e o vidro vai riscar. A régua está em safira, mineral ou acrílico.
A água é limitada. Não é relógio de piscina nem de mar, e o que cada número significa está em 30, 50, 100 e 200 metros.
O acabamento é de preço. Chanfro polido e transição fina de elo não estão a dois mil reais, e nem deveriam.
A revenda é praticamente zero. Timex é marca de volume e de preço baixo, e a lógica está em relógio é investimento.
O catálogo brasileiro é raso. São 3 referências, contra 341 da Citizen e 353 da Tissot. Você compra o que tem, não o que quer.
Contra a vizinhança
A comparação na faixa mais baixa do mercado, abaixo de três mil reais.
| Timex Legacy | Orient Kamasu | Seiko 5 | Citizen Promaster | |
|---|---|---|---|---|
| Preço | R$ 2.040 | R$ 2.754 | R$ 2.856 | R$ 2.550 |
| Movimento | quartzo | automático | automático | luz |
| Cristal | mineral | safira | Hardlex | mineral |
| Água | pouca | 200 m | pouca | 200 m |
| Refs no Brasil | 3 | 50 | 176 | 341 |
A leitura é direta. A Timex ganha em preço e perde em todo o resto.
Setecentos e catorze reais acima dela, o Kamasu entrega automático, safira e 200 metros. Quinhentos e dez acima, o Promaster entrega luz, norma de mergulho e cinco anos de garantia.
Essa é a conta honesta: o degrau mais baixo custa pouco menos e entrega bem menos, e a diferença de preço é pequena.

O Indiglo, que é invenção da casa
Vale registrar, porque é a única tecnologia de relógio que virou palavra comum no Brasil.
O Indiglo chegou em 1992 e resolveu um problema velho de um jeito diferente. Em vez de pintar os ponteiros com material que brilha no escuro, a Timex fez o mostrador inteiro acender.
O material luminoso comum precisa carregar na luz e vai apagando ao longo da noite. O Indiglo acende quando você aperta o botão, com a mesma força sempre, e apaga quando você solta.
Para relógio barato isso foi enorme. Enquanto a concorrência brigava por acabamento, a Timex entregou uma coisa que ninguém tinha e que qualquer pessoa entende em dois segundos.
É um bom retrato do que a marca é. Ela não compete por refinamento, compete por utilidade, e às vezes acerta em cheio.
Qual comprar
Compre o Legacy se o orçamento é rígido em dois mil reais. É o melhor desenho que existe nesse teto e o dia da semana é útil.
Compre o Legacy se é presente para quem não liga para relógio. Ele cumpre o papel e ninguém vai olhar a ficha.
Compre o Q se você quer cara de vintage por cinco mil. É automático e não tem equivalente suíço nem perto desse preço.
Não compre se você tem mais quinhentos reais. Nessa distância entram automático, safira e água de verdade.
Não compre para durar dez anos. O acabamento e o cristal desta faixa não foram feitos para isso.
Não compre esperando variedade. São três referências no Brasil inteiro, e a chance de a que você quer estar aqui é pequena.
Perguntas frequentes
A Timex é uma marca boa?
É uma marca americana de 1854, com história real e foco em preço baixo. Ela é boa para o que se propõe, que é relógio funcional e barato.
A Timex é de onde?
Dos Estados Unidos. Ela nasceu em 1854 como Waterbury Clock Company, na cidade de Waterbury, em Connecticut.
A Timex faz relógio automático?
Faz, desde que voltou à mecânica em 2017. No Brasil o Q Reissue M79 automático custa R$ 5.100.
Quanto custa uma Timex no Brasil?
De R$ 2.040 a R$ 5.100, em apenas três referências. O Legacy a R$ 2.040 é o relógio mais barato do catálogo inteiro que acompanhamos.
Timex tem safira?
Não nas referências brasileiras. O cristal é mineral ou acrílico, que risca com mais facilidade.
Timex ou Orient para o primeiro relógio?
Por setecentos e catorze reais a mais, o Orient Kamasu entrega automático, cristal de safira e 200 metros. Se o orçamento permitir, é a compra melhor.
O que fica
A Timex é uma marca de cento e setenta anos que já foi um em cada três relógios vendidos nos Estados Unidos, e que escolheu ser barata.
No Brasil ela ocupa o degrau mais baixo de tudo: R$ 2.040, o piso absoluto de 2.357 referências, num quartzo de aço com dia e data.
O que ela entrega por esse dinheiro é honesto. O que ela não entrega é safira, água, acabamento e revenda, e a distância até quem entrega isso é pequena.
Se dois mil reais é o teto, ela é a resposta certa e não tem concorrente. Se você consegue esticar mais quinhentos, a prateleira muda de conversa por inteiro.