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Mido Baroncelli vale a pena? A marca que imprime a base ETA

Maison Garde & Co. 7 min de leitura
Mido Baroncelli de mostrador preto e caixa fina sobre couro escuro, com ponteiros finos

Quase toda marca suíça de entrada roda um ETA modificado e chama de calibre próprio. A Mido faz igual, com uma diferença: ela escreve na ficha qual ETA é.

Existe uma coisa que quase nenhuma marca faz e a Mido faz sem alarde.

Ela escreve na própria ficha de produto qual movimento ETA está por baixo do calibre que leva o nome dela. Isso é raro, é útil, e diz muito.

O que é o Baroncelli

É a linha de vestir da Mido, e a maior família dela no Brasil, com 47 referências.

Ela é o oposto do Ocean Star, que é o mergulhador da casa e tem post próprio em Mido Ocean Star vale a pena.

O Baroncelli é caixa fina, mostrador limpo e couro. É o relógio de camisa da marca, e ele se divide em algumas subfamílias:

A subfamília O que ela é
Baroncelli III o de três ponteiros, a entrada
Heritage caixa mais fina, ar antigo
Tradition o clássico direto
Signature acabamento superior
Power Reserve com indicador de reserva

O panorama da marca inteira, com origem e posicionamento, está em Mido vale a pena.

Os calibres, com a base à mostra

Aqui está o que separa este post de qualquer outro sobre a marca.

Levantamos os calibres das 47 referências brasileiras. A ficha de cada uma traz o nome do calibre Mido e o ETA que está por baixo, escrito assim mesmo:

Calibre Mido Base ETA Refs
Automático 1192 ETA 2892A2 6
Automático 48 ETA C26.111 6
Automático 80 ETA C07.611 5
80 COSC Si ETA C07.821 4
Automático 72 ETA A31.111 4

Leia essa tabela devagar, porque ela é uma aula sobre a indústria inteira.

O ETA 2892A2 é um dos automáticos mais respeitados que existem, mais fino e mais refinado que o irmão de volume. Quando ele aparece, o relógio sobe de patamar.

A família C07 é o que o mercado chama de Powermatic 80, e a Monochrome explica que ela nasce de um ETA 2824-2 retrabalhado, com a frequência baixada em 1 Hz para render 80 horas de reserva.

A história do 2824, que é o tronco de quase tudo nessa faixa, está numa retrospectiva da mesma casa.

Ou seja: a Mido não inventa mecânica. Ela usa o melhor do grupo dela e diz qual é, enquanto meio mercado usa a mesma coisa e chama de manufatura.

A ficha da Mido escreve qual ETA está por baixo de cada calibre.
A ficha da Mido escreve qual ETA está por baixo de cada calibre.

O calibre 80 e o selo

Quatro das 47 referências trazem uma sigla que muda o produto: 80 COSC Si.

O Si é espiral de silício, que é antimagnética e mais estável. O COSC é a certificação de cronômetro.

A Monochrome registra que esse calibre, base ETA C07.821, é certificado pelo COSC, ou seja, testado para ficar entre menos 4 e mais 6 segundos por dia.

Isso é raro nessa faixa. O que o selo cobra, e o que ele não garante, está em o que é um cronômetro certificado.

E não é coincidência que seja a Mido. Ela concentra 12 das 19 referências certificadas do catálogo brasileiro, mais que todo o resto somado.

Se você quer entrar em cronômetro certificado pelo menor preço possível, a porta tem nome e é essa.

Quanto custa no Brasil

Levantamos o catálogo inteiro. São 47 referências, de R$ 6.834 a R$ 14.484, com mediana em R$ 9.588.

Peça Preço
Piso, Baroncelli III Big Date R$ 6.834
Baroncelli III Power Reserve R$ 6.834
Heritage R$ 6.936
Baroncelli Tradition R$ 7.446
Teto, Heritage Lady R$ 14.484

Repare que o piso e a mediana estão a R$ 2.754 de distância. A linha é larga no meio, e não concentrada na entrada.

O Heritage, que é o de caixa mais fina e ar antigo, entra a cento e dois reais do piso. É o melhor negócio óbvio da família.

Qual subfamília é qual

A confusão de nomes é real e vale desfazer, porque ela custa dinheiro na loja.

Baroncelli III é a base. Três ponteiros, data, caixa simples. É onde a família começa e onde está o melhor preço.

Heritage é o de caixa mais fina, com desenho de ar antigo e mostrador limpo. É o que mais parece caro pelo que custa.

Tradition é o clássico direto, um pouco maior e mais formal que o Heritage.

Signature sobe o acabamento do mostrador e da caixa, e é onde a família começa a ficar cara de verdade.

Power Reserve acrescenta o indicador de reserva de marcha no mostrador, que mostra quanta corda ainda existe.

A regra prática: se você quer o melhor pelo menor preço, o Heritage é a resposta, e ele fica a cento e dois reais do piso da família.

Onde ele perde

Vale listar, porque é onde a expectativa desanda.

A mecânica não é exclusiva. Você está comprando ETA modificado, e o mesmo motor move Tissot, Certina e Hamilton por menos.

A marca é discreta demais. Mido não tem o reconhecimento de Tissot nem de Longines, e isso pesa na revenda, como discute relógio é investimento.

É relógio de vestir. Água limitada e couro no pulso não combinam com uso duro. A régua está em 30, 50, 100 e 200 metros.

A linha é confusa. III, Heritage, Tradition, Signature e Power Reserve dividem o mesmo nome e não fica claro qual está acima de qual.

A manutenção é de suíço. A conta de dez anos está em quanto custa manter um relógio mecânico.

Contra a vizinhança

A comparação com quem divide o mesmo motor, na faixa de sete mil reais.

Baroncelli Certina DS-1 Tissot Longines
Piso R$ 6.834 mais barato mais barato acima
Motor ETA modificado ETA modificado ETA modificado ETA próprio
Base impressa na ficha sim não não não
Certificado COSC 12 refs poucas 4 refs parte
Nome no Brasil discreto discreto forte forte

A leitura é honesta. A Mido não ganha em nada de mecânica, porque todo mundo ali usa a mesma coisa.

Ela ganha em acabamento por real e em transparência, e perde em reconhecimento. Os vizinhos estão em Certina DS-1, Certina ou Tissot e Longines vale a pena.

O Heritage entra a cento e dois reais do piso da família.
O Heritage entra a cento e dois reais do piso da família.

Qual comprar

Compre o Heritage se você quer o melhor da família por perto do piso. Caixa fina e ar antigo por cento e dois reais acima da entrada.

Compre um 80 COSC Si se precisão te move. É o degrau de entrada em cronômetro certificado do mercado brasileiro.

Compre um 1192 se você entende de movimento. O ETA 2892A2 é mais fino e mais refinado que o tronco de volume.

Não compre se o nome importa para você. Mido é discreta e vai continuar sendo.

Não compre esperando exclusividade mecânica. O motor é o mesmo de meio mercado, e a marca é a única honesta o suficiente para dizer isso.

Perguntas frequentes

O que é o Mido Baroncelli?

É a linha de relógios de vestir da Mido, com 47 referências no Brasil, de caixa fina, mostrador limpo e pulseira de couro ou aço.

Qual o movimento do Baroncelli?

Depende da referência. A ficha da marca escreve a base ETA de cada calibre, e as mais comuns são o ETA 2892A2, o C26.111 e a família C07 do Powermatic 80.

O Baroncelli tem cronômetro certificado?

Tem. Quatro referências brasileiras usam o calibre 80 COSC Si, com espiral de silício e certificação de menos 4 a mais 6 segundos por dia.

Qual a diferença entre Baroncelli III e Heritage?

O III é o de três ponteiros de entrada e o Heritage tem caixa mais fina e desenho de ar antigo. No Brasil eles estão a cento e dois reais de distância.

Quanto custa um Baroncelli no Brasil?

De R$ 6.834 a R$ 14.484, em 47 referências, com mediana em R$ 9.588.

Mido é melhor que Tissot?

As duas usam o mesmo tronco de movimento. A Mido costuma entregar mais acabamento pelo preço e a Tissot entrega muito mais nome e revenda.

O que fica

O Baroncelli é a linha de vestir mais bem resolvida da faixa de sete mil reais, e o argumento dela não é o que a marca vende.

Não é mecânica exclusiva. Você está comprando ETA modificado, o mesmo tronco que move meio mercado suíço de entrada.

O que a Mido faz de diferente é escrever isso na ficha. Enquanto a concorrência chama o mesmo movimento de calibre próprio e para por aí, ela publica a base.

Numa indústria que vive de sugerir mais do que diz, isso é raro o suficiente para valer como critério de compra. Somado ao acabamento e aos doze cronômetros certificados, é o melhor negócio silencioso da prateleira.

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