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Tissot T-Race vale a pena? O mesmo calibre custa R$ 816 a menos

Maison Garde & Co. 7 min de leitura
Tissot T-Race cronógrafo de mostrador antracite e caixa angular de aço sobre ardósia

Duas linhas da Tissot vendem cronógrafo de quartzo com o mesmo motor dentro. Uma delas cobra oitocentos e dezesseis reais a mais, e o motivo cabe numa palavra.

O T-Race é o relógio mais chamativo do catálogo da Tissot, e o que mais divide opinião.

Ele também guarda duas informações na ficha técnica que mudam a conta da compra.

O que é o T-Race

É a linha esportiva da marca, e o desenho não disfarça de onde ele veio.

Caixa octogonal com parafusos sextavados aparentes no bisel, escala de taquímetro e pulseira de borracha em boa parte das cores. O vocabulário visual inteiro é de corrida.

O catálogo brasileiro confirma a vocação de competição pelo nome dos produtos. Existe uma referência T-Race Ciclismo Giro d’Italia, do ciclismo italiano, ao lado das versões de circuito.

A linha é quase toda cronógrafo. Das 20 referências brasileiras, 19 trazem Chrono no nome, e a função está explicada em cronógrafo vale a pena e no verbete da Monochrome.

A água é consistente. Dezoito das 20 referências declaram 100 metros, o que é coerente com um relógio de uso duro, e a régua está em 30, 50, 100 e 200 metros.

O mesmo calibre por menos

Aqui está o primeiro achado, e ele sai de cruzar as fichas de duas linhas da mesma casa.

O calibre que domina o T-Race é o ETA G10.212, um cronógrafo de quartzo suíço. Ele aparece em oito das 20 referências.

Esse mesmo G10.212 está no PR 100 Chrono, que é a linha de entrada da marca, tratada em Tissot PR 100 vale a pena.

T-Race PR 100 Chrono
Calibre ETA G10.212 ETA G10.212
Água 100 m 100 m
Cronógrafo sim sim
Preço de entrada R$ 5.100 R$ 4.284

Oitocentos e dezesseis reais separam os dois, e por dentro é a mesma peça.

O que essa diferença compra é a caixa. O PR 100 Chrono é redondo e discreto. O T-Race é grande, angular e impossível de ignorar, e há gente que quer exatamente isso.

Vale dizer o óbvio: desenho é um produto legítimo. Só é bom saber que é isso que está no preço, e não mecânica.

O mesmo ETA G10.212 nas duas linhas. O que muda é a caixa.
O mesmo ETA G10.212 nas duas linhas. O que muda é a caixa.

O aviso escondido na ficha

O segundo achado é mais delicado, e quase ninguém repara nele.

Quatro referências brasileiras trazem a sigla EOL na ficha do calibre. Elas aparecem escritas como G10.212 (EOL) e G10.212 (Quartzo EOL).

EOL é a sigla de End Of Life, fim de vida, e é o termo que a indústria usa quando um componente entra em processo de descontinuação.

O que isso muda na prática, em duas linhas honestas:

No curto prazo, nada. O relógio funciona igual, a garantia vale igual e o movimento é o mesmo que a marca vendeu por anos.

No longo prazo, é peça de reposição. Movimento descontinuado tende a ficar mais difícil de consertar com o tempo, e quartzo suíço costuma ser trocado inteiro em vez de reparado, o que está detalhado em revisão de relógio quanto custa.

Não é motivo para não comprar. É motivo para preferir a referência que não traz a sigla quando as duas custam o mesmo, e a linha tem várias assim.

Quanto custa no Brasil

Levantamos o catálogo inteiro. São 20 referências, de R$ 5.100 a R$ 8.976, com mediana em R$ 6.222.

Peça Preço
Piso, T-Race Chrono preto R$ 5.100
T-Race Chrono laranja R$ 5.304
T-Race Chrono prata R$ 6.018
Powermatic 80 azul R$ 7.038
Teto, Powermatic 80 preto R$ 8.976

O corte de movimento merece atenção. Oito referências são de quartzo e apenas três são automáticas, e as três automáticas são o topo da faixa.

Ou seja, quem quer mecânica no T-Race paga R$ 1.938 acima da mediana e sai da faixa de quartzo por completo.

Os automáticos rodam o Powermatic 80, cujo número são as horas de reserva de marcha, o movimento analisado no balanço da Monochrome sobre os 20 anos dele.

A diferença entre os dois tipos de motor está em qual a diferença entre mecânico e quartzo, da mesma casa.

O detalhe que separa o quartzo do automático

Vale explicar, porque é a decisão real da linha e o preço esconde ela.

O cronógrafo de quartzo mede melhor. O G10.212 marca frações que o mecânico não alcança, e não custa quase nada de manutenção.

O cronógrafo automático dá o mecanismo. Ele tem a massa oscilante, as 80 horas de reserva e a conversa, e pede revisão periódica.

Existe uma armadilha aqui, e ela é de expectativa. As três referências automáticas do T-Race não são cronógrafos automáticos. Elas são Powermatic 80 de três ponteiros, num desenho de caixa de cronógrafo.

Quem quer as duas coisas juntas, mecânica e cronógrafo, precisa olhar outra prateleira, e a conta muda de patamar, como mostra Longines ou Tissot.

Onde ele perde

Vale listar, porque é onde nasce o arrependimento.

A caixa é grande. T-Race é relógio de presença, e em pulso fino ele domina tudo. O método está em como medir o pulso.

O desenho envelhece rápido. Estética de corrida é datada por natureza, e a peça de hoje parece de uma década específica em poucos anos.

Só três dos vinte são automáticos. A linha é de quartzo na maior parte, e o mecânico custa caro.

Quatro fichas trazem EOL. O calibre está em descontinuação nessas referências, o que pesa em manutenção futura.

A revenda é ruim. Esportivo de quartzo com desenho marcado é dos piores segmentos nisso, e a lógica está em relógio é investimento.

Contra a vizinhança

A comparação na faixa de cinco a sete mil reais.

T-Race PR 100 Chrono Certina DS Podium Chemin des Tourelles
Piso R$ 5.100 R$ 4.284 R$ 5.202 R$ 7.650
Movimento quartzo quartzo quartzo automático
Água 100 m 100 m 100 m 50 m
Certificado COSC não não sim não
Cronógrafo sim sim sim não

A leitura é dura para ele. Três concorrentes entregam cronógrafo com a mesma água, e dois deles custam menos.

O PR 100 Chrono tem o mesmo calibre por R$ 816 a menos. O DS Podium custa R$ 102 a mais e vem com selo de cronômetro. O Chemin des Tourelles entrega mecânica e perde metade da água.

Oito de quartzo, três automáticos. E os automáticos não são cronógrafos.
Oito de quartzo, três automáticos. E os automáticos não são cronógrafos.

Qual comprar

Compre o Chrono preto se o desenho é o motivo. É o piso da linha a R$ 5.100 e entrega tudo o que o T-Race promete.

Compre uma referência sem EOL na ficha quando o preço empatar. Não muda nada hoje e ajuda daqui a dez anos.

Compre o Powermatic 80 se você quer mecânica com essa cara. São R$ 7.038, e saiba que ele não é cronógrafo.

Não compre esperando cronógrafo mecânico. Ele não existe nesta linha, e a caixa engana bastante.

Não compre sem experimentar no pulso. Esta é a linha da marca em que o tamanho mais decide, e foto não resolve.

Perguntas frequentes

O Tissot T-Race é automático?

Só três das 20 referências brasileiras. Oito são de quartzo, e as três automáticas são o topo da faixa, com o calibre Powermatic 80.

Quanto custa um Tissot T-Race no Brasil?

De R$ 5.100 a R$ 8.976, em 20 referências, com mediana em R$ 6.222.

Qual calibre o T-Race usa?

O cronógrafo de quartzo ETA G10.212 na maior parte das referências. É o mesmo calibre que aparece no PR 100 Chrono, que custa R$ 816 a menos.

O que significa EOL na ficha do calibre?

É a sigla de End Of Life, fim de vida, o termo da indústria para um componente em descontinuação. Quatro referências brasileiras trazem a marcação.

Quantos metros o T-Race aguenta?

Cem metros em 18 das 20 referências, o que cobre natação e piscina com folga.

O T-Race Powermatic 80 é cronógrafo?

Não. As versões automáticas são de três ponteiros, apesar do desenho de caixa esportiva com aparência de cronógrafo.

O que fica

O T-Race é o Tissot que se vê de longe, e é bom nisso. O problema é o que a ficha técnica revela quando você compara com o resto da casa.

O calibre é o mesmo do PR 100 Chrono, o ETA G10.212, por R$ 816 a mais. A diferença inteira entre os dois relógios é a caixa.

Quatro referências trazem EOL na ficha, sigla de fim de vida do movimento. Isso não muda o uso hoje e muda a conta de manutenção lá na frente.

E as três versões automáticas, que parecem a saída nobre da linha, não são cronógrafos. São Powermatic 80 de três ponteiros numa caixa que promete outra coisa.

Se o desenho é o que te move, ele entrega, e cinco mil e cem é preço justo por isso. Se o que te move é a mecânica ou o cronógrafo, a mesma marca resolve melhor e mais barato duas prateleiras ao lado.

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