Tissot T-Race vale a pena? O mesmo calibre custa R$ 816 a menos
Duas linhas da Tissot vendem cronógrafo de quartzo com o mesmo motor dentro. Uma delas cobra oitocentos e dezesseis reais a mais, e o motivo cabe numa palavra.
O T-Race é o relógio mais chamativo do catálogo da Tissot, e o que mais divide opinião.
Ele também guarda duas informações na ficha técnica que mudam a conta da compra.
O que é o T-Race
É a linha esportiva da marca, e o desenho não disfarça de onde ele veio.
Caixa octogonal com parafusos sextavados aparentes no bisel, escala de taquímetro e pulseira de borracha em boa parte das cores. O vocabulário visual inteiro é de corrida.
O catálogo brasileiro confirma a vocação de competição pelo nome dos produtos. Existe uma referência T-Race Ciclismo Giro d’Italia, do ciclismo italiano, ao lado das versões de circuito.
A linha é quase toda cronógrafo. Das 20 referências brasileiras, 19 trazem Chrono no nome, e a função está explicada em cronógrafo vale a pena e no verbete da Monochrome.
A água é consistente. Dezoito das 20 referências declaram 100 metros, o que é coerente com um relógio de uso duro, e a régua está em 30, 50, 100 e 200 metros.
O mesmo calibre por menos
Aqui está o primeiro achado, e ele sai de cruzar as fichas de duas linhas da mesma casa.
O calibre que domina o T-Race é o ETA G10.212, um cronógrafo de quartzo suíço. Ele aparece em oito das 20 referências.
Esse mesmo G10.212 está no PR 100 Chrono, que é a linha de entrada da marca, tratada em Tissot PR 100 vale a pena.
| T-Race | PR 100 Chrono | |
|---|---|---|
| Calibre | ETA G10.212 | ETA G10.212 |
| Água | 100 m | 100 m |
| Cronógrafo | sim | sim |
| Preço de entrada | R$ 5.100 | R$ 4.284 |
Oitocentos e dezesseis reais separam os dois, e por dentro é a mesma peça.
O que essa diferença compra é a caixa. O PR 100 Chrono é redondo e discreto. O T-Race é grande, angular e impossível de ignorar, e há gente que quer exatamente isso.
Vale dizer o óbvio: desenho é um produto legítimo. Só é bom saber que é isso que está no preço, e não mecânica.

O aviso escondido na ficha
O segundo achado é mais delicado, e quase ninguém repara nele.
Quatro referências brasileiras trazem a sigla EOL na ficha do calibre. Elas aparecem escritas como G10.212 (EOL) e G10.212 (Quartzo EOL).
EOL é a sigla de End Of Life, fim de vida, e é o termo que a indústria usa quando um componente entra em processo de descontinuação.
O que isso muda na prática, em duas linhas honestas:
No curto prazo, nada. O relógio funciona igual, a garantia vale igual e o movimento é o mesmo que a marca vendeu por anos.
No longo prazo, é peça de reposição. Movimento descontinuado tende a ficar mais difícil de consertar com o tempo, e quartzo suíço costuma ser trocado inteiro em vez de reparado, o que está detalhado em revisão de relógio quanto custa.
Não é motivo para não comprar. É motivo para preferir a referência que não traz a sigla quando as duas custam o mesmo, e a linha tem várias assim.
Quanto custa no Brasil
Levantamos o catálogo inteiro. São 20 referências, de R$ 5.100 a R$ 8.976, com mediana em R$ 6.222.
| Peça | Preço |
|---|---|
| Piso, T-Race Chrono preto | R$ 5.100 |
| T-Race Chrono laranja | R$ 5.304 |
| T-Race Chrono prata | R$ 6.018 |
| Powermatic 80 azul | R$ 7.038 |
| Teto, Powermatic 80 preto | R$ 8.976 |
O corte de movimento merece atenção. Oito referências são de quartzo e apenas três são automáticas, e as três automáticas são o topo da faixa.
Ou seja, quem quer mecânica no T-Race paga R$ 1.938 acima da mediana e sai da faixa de quartzo por completo.
Os automáticos rodam o Powermatic 80, cujo número são as horas de reserva de marcha, o movimento analisado no balanço da Monochrome sobre os 20 anos dele.
A diferença entre os dois tipos de motor está em qual a diferença entre mecânico e quartzo, da mesma casa.
O detalhe que separa o quartzo do automático
Vale explicar, porque é a decisão real da linha e o preço esconde ela.
O cronógrafo de quartzo mede melhor. O G10.212 marca frações que o mecânico não alcança, e não custa quase nada de manutenção.
O cronógrafo automático dá o mecanismo. Ele tem a massa oscilante, as 80 horas de reserva e a conversa, e pede revisão periódica.
Existe uma armadilha aqui, e ela é de expectativa. As três referências automáticas do T-Race não são cronógrafos automáticos. Elas são Powermatic 80 de três ponteiros, num desenho de caixa de cronógrafo.
Quem quer as duas coisas juntas, mecânica e cronógrafo, precisa olhar outra prateleira, e a conta muda de patamar, como mostra Longines ou Tissot.
Onde ele perde
Vale listar, porque é onde nasce o arrependimento.
A caixa é grande. T-Race é relógio de presença, e em pulso fino ele domina tudo. O método está em como medir o pulso.
O desenho envelhece rápido. Estética de corrida é datada por natureza, e a peça de hoje parece de uma década específica em poucos anos.
Só três dos vinte são automáticos. A linha é de quartzo na maior parte, e o mecânico custa caro.
Quatro fichas trazem EOL. O calibre está em descontinuação nessas referências, o que pesa em manutenção futura.
A revenda é ruim. Esportivo de quartzo com desenho marcado é dos piores segmentos nisso, e a lógica está em relógio é investimento.
Contra a vizinhança
A comparação na faixa de cinco a sete mil reais.
| T-Race | PR 100 Chrono | Certina DS Podium | Chemin des Tourelles | |
|---|---|---|---|---|
| Piso | R$ 5.100 | R$ 4.284 | R$ 5.202 | R$ 7.650 |
| Movimento | quartzo | quartzo | quartzo | automático |
| Água | 100 m | 100 m | 100 m | 50 m |
| Certificado COSC | não | não | sim | não |
| Cronógrafo | sim | sim | sim | não |
A leitura é dura para ele. Três concorrentes entregam cronógrafo com a mesma água, e dois deles custam menos.
O PR 100 Chrono tem o mesmo calibre por R$ 816 a menos. O DS Podium custa R$ 102 a mais e vem com selo de cronômetro. O Chemin des Tourelles entrega mecânica e perde metade da água.

Qual comprar
Compre o Chrono preto se o desenho é o motivo. É o piso da linha a R$ 5.100 e entrega tudo o que o T-Race promete.
Compre uma referência sem EOL na ficha quando o preço empatar. Não muda nada hoje e ajuda daqui a dez anos.
Compre o Powermatic 80 se você quer mecânica com essa cara. São R$ 7.038, e saiba que ele não é cronógrafo.
Não compre esperando cronógrafo mecânico. Ele não existe nesta linha, e a caixa engana bastante.
Não compre sem experimentar no pulso. Esta é a linha da marca em que o tamanho mais decide, e foto não resolve.
Perguntas frequentes
O Tissot T-Race é automático?
Só três das 20 referências brasileiras. Oito são de quartzo, e as três automáticas são o topo da faixa, com o calibre Powermatic 80.
Quanto custa um Tissot T-Race no Brasil?
De R$ 5.100 a R$ 8.976, em 20 referências, com mediana em R$ 6.222.
Qual calibre o T-Race usa?
O cronógrafo de quartzo ETA G10.212 na maior parte das referências. É o mesmo calibre que aparece no PR 100 Chrono, que custa R$ 816 a menos.
O que significa EOL na ficha do calibre?
É a sigla de End Of Life, fim de vida, o termo da indústria para um componente em descontinuação. Quatro referências brasileiras trazem a marcação.
Quantos metros o T-Race aguenta?
Cem metros em 18 das 20 referências, o que cobre natação e piscina com folga.
O T-Race Powermatic 80 é cronógrafo?
Não. As versões automáticas são de três ponteiros, apesar do desenho de caixa esportiva com aparência de cronógrafo.
O que fica
O T-Race é o Tissot que se vê de longe, e é bom nisso. O problema é o que a ficha técnica revela quando você compara com o resto da casa.
O calibre é o mesmo do PR 100 Chrono, o ETA G10.212, por R$ 816 a mais. A diferença inteira entre os dois relógios é a caixa.
Quatro referências trazem EOL na ficha, sigla de fim de vida do movimento. Isso não muda o uso hoje e muda a conta de manutenção lá na frente.
E as três versões automáticas, que parecem a saída nobre da linha, não são cronógrafos. São Powermatic 80 de três ponteiros numa caixa que promete outra coisa.
Se o desenho é o que te move, ele entrega, e cinco mil e cem é preço justo por isso. Se o que te move é a mecânica ou o cronógrafo, a mesma marca resolve melhor e mais barato duas prateleiras ao lado.