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I.N.O.X. quartzo ou automático: R$ 3.376 de diferença

Maison Garde & Co. 7 min de leitura
Dois Victorinox I.N.O.X. lado a lado sobre pedra escura, um de mostrador liso e outro com janela de movimento

Os dois passam pelos mesmos 130 testes e aguentam a mesma coisa. O que o dobro do preço compra é o motor, e mais nada.

O I.N.O.X. existe em duas versões e a diferença entre elas é uma linha da ficha.

Só que essa linha custa R$ 3.376, quase o preço de um segundo relógio, e quase toda a discussão sobre ela é feita sem os dois números na mesa.

Os dois preços, direto da marca

I.N.O.X. quartzo I.N.O.X. Mechanical
Referência 241682.1 241835
Preço oficial R$ 4.588 R$ 7.964
Movimento quartzo analógico Sellita SW200-1, automático

Os dois valores são os que a própria Victorinox publica no Brasil, e a ficha do quartzo traz o preço junto da especificação.

Isso é raro e vale registrar: você está comparando preço de fabricante contra preço de fabricante, sem margem de canal no meio. Nenhuma outra marca deste blog oferece essa base.

R$ 3.376 de diferença, ou 74% a mais. Guarde o número.

O que é idêntico nos dois

Vale listar antes, porque encurta a conversa pela metade.

A caixa. Quarenta e três milímetros nos dois, com a mesma altura e a mesma construção.

A água. Duzentos metros nos dois, com norma ISO.

Os 130 testes. A homologação de resistência extrema que define a linha vale para as duas versões. O detalhe do que cada ensaio faz está em o relógio que passou pelo tanque.

A garantia. Cinco anos nos dois, contra dois anos do padrão da faixa.

Ou seja: nada do que você paga a mais melhora a resistência. O relógio caro não aguenta mais pancada, não entra mais fundo na água e não dura mais. Ele só tem outro motor.

Mesma caixa, mesma água, mesmos 130 testes. Só o motor muda.
Mesma caixa, mesma água, mesmos 130 testes. Só o motor muda.

O que o automático compra

Sendo justo com ele, porque a lista é curta e real.

A mecânica em si. Rotor, mola, engrenagem, e o ponteiro varrendo em vez de pular. Se é isso que te atrai em relógio, nenhum argumento de ficha substitui, e a diferença entre os dois tipos está em automático ou corda manual.

Nenhuma troca de pilha, nunca. Você troca por revisão a cada cinco a sete anos, e nunca por energia.

Um movimento que qualquer relojoeiro conhece. O Sellita SW200-1 é um dos calibres mais usados da indústria suíça de entrada, o que significa peça disponível e mão de obra treinada por décadas.

Repare no que não está na lista: precisão. O automático erra segundos por dia, o quartzo erra segundos por mês, e a régua está em quantos segundos um relógio pode errar.

Você está pagando 74% a mais por um motor menos preciso. Isso é normal em relojoaria e continua sendo contraintuitivo para quem chega de fora.

Para dar tamanho: um automático suíço de entrada anda numa faixa de alguns segundos por dia.

Um japonês da mesma categoria declara de menos 35 a mais 45, como mostra a ficha oficial do calibre 4R36 da Seiko. Qualquer quartzo fica em segundos por mês.

O que ele cobra em troca

Três coisas, e a terceira quase ninguém soma.

A revisão completa. A cada cinco a sete anos, na oficina, e é o serviço mais caro do uso normal. O quartzo pede troca de pilha, que é o mais barato. A conta de dez anos está em quanto custa manter um relógio mecânico por 10 anos.

A reserva. Automático parado precisa de corda e acerto. Se este for o seu segundo relógio, ele vai estar parado toda vez que você o pegar.

A espessura. Movimento mecânico ocupa mais espaço que um módulo de quartzo, e numa caixa que já tem 43 mm isso conta.

A conta de dez anos

Dez anos I.N.O.X. quartzo I.N.O.X. Mechanical
Compra R$ 4.588 R$ 7.964
Manutenção 3 a 4 trocas de pilha 1 a 2 revisões completas
Custo do serviço baixo, feito na hora alto, semanas na oficina
Garantia 5 anos 5 anos
Teste de vedação vale a cada 2 anos vale a cada 2 anos

A diferença de R$ 3.376 na compra cresce ao longo da década, porque a manutenção do mecânico também é mais cara. Não é uma decisão de R$ 3.376, é uma decisão maior que isso.

O automático erra segundos por dia. O quartzo erra segundos por mês.
O automático erra segundos por dia. O quartzo erra segundos por mês.

O que os dois cobram igual

Existe uma despesa que aparece nas duas colunas e que quase ninguém soma numa compra de relógio de água.

O teste de estanqueidade. A vedação envelhece sozinha, com ou sem uso, e um I.N.O.X. de dez anos sem nenhum teste não é mais o relógio de 200 metros que saiu da caixa.

O serviço é barato e vale a cada dois anos se você realmente molha o relógio. Comprar 200 metros e nunca testar é jogar fora exatamente aquilo pelo qual você pagou o prêmio da marca.

A pulseira. As duas versões saem em borracha ou aço dependendo da referência, e borracha de uso diário tem prazo. É pouco dinheiro por vez e é recorrente.

Nenhuma dessas duas linhas separa quartzo de automático, e as duas entram na conta de qualquer uma das versões.

Qual dos dois comprar

Compre o quartzo se o que te atraiu no I.N.O.X. foi a resistência. Ela é idêntica nos dois, e você economiza R$ 3.376 para levar exatamente a mesma proteção.

Compre o quartzo se este vai ser um relógio de apanhar, de viagem ou de fim de semana. Ele nunca para e nunca pede nada.

Compre o automático se você quer a mecânica pela mecânica, e sabe que está pagando por isso e não por desempenho.

Compre o automático se este vai ser o seu relógio de todo dia. O pulso dá corda sozinho e a desvantagem da reserva desaparece.

Existe um teste que resolve em cinco segundos: você compraria este relógio se ele fosse quartzo? Se a resposta é sim, compre o quartzo, porque é o mesmo relógio por menos. Se a resposta é não, você quer a mecânica e o preço já está justificado.

Por que a marca vende os dois

Vale entender, porque ajuda a escolher.

A Victorinox só entrou no ramo de relógios em 1989, depois de mais de um século fazendo ferramenta. A cultura da casa é resistência, não relojoaria, e isso explica o catálogo.

O quartzo é o produto que traduz melhor essa cultura: preciso, fino, sem manutenção e imune a choque de um jeito que mecânico nenhum é. Um movimento de pilha simplesmente não tem o que quebrar numa queda.

O automático existe porque o mercado pede. Quem compra relógio suíço acima de sete mil reais espera mecânica dentro, e a marca atende.

Ou seja: o quartzo é o I.N.O.X. mais fiel à ideia original, e o automático é a concessão ao gosto de quem compra. Saber disso muda como você lê a diferença de preço.

Perguntas frequentes

O I.N.O.X. automático é mais resistente?

Não. Os dois passam pela mesma homologação de 130 testes, têm a mesma caixa de 43 mm e os mesmos 200 metros de água.

Por que o automático custa 74% a mais?

Pelo movimento. Um calibre mecânico suíço custa muito mais que um módulo de quartzo para fabricar, montar e regular, e isso aparece inteiro no preço final.

Qual é mais preciso?

O quartzo, com folga. Ele erra segundos por mês e o automático erra segundos por dia. É a troca clássica entre os dois tipos.

O automático precisa de enrolador?

Não precisa. Enrolador só faz sentido para quem tem vários automáticos com calendário complicado. Para um relógio de uso diário, o pulso resolve.

Qual segura melhor o valor?

O automático perde menos, porque tem mercado de usados um pouco maior. Nenhum dos dois é investimento, e a marca tem revenda fraca no Brasil.

Os dois têm cinco anos de garantia?

Têm. É um dos itens em que a marca se destaca na faixa, onde o padrão são dois anos.

O que decide

Nesta comparação a ficha não decide nada, porque ela empata em tudo que importa para o uso.

O que decide é uma pergunta de gosto: você quer um motor mecânico dentro? Se quer, pague e seja feliz. Se não faz diferença, o quartzo entrega o mesmo relógio, a mesma água e os mesmos 130 testes por R$ 3.376 a menos.

O erro caro é comprar o automático achando que ele é mais resistente. A ficha completa da marca está em Victorinox vale a pena.

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