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O Citizen Tsuyosa parece um Rolex?

Maison Garde & Co. 7 min de leitura
Citizen Tsuyosa de mostrador azul visto de cima, com a lente sobre a data em destaque

A semelhança é real e tem três motivos concretos. Nenhum deles é o que faz um Rolex custar o que custa.

Essa pergunta aparece em toda discussão sobre o Tsuyosa, e ela costuma receber duas respostas ruins. Uma diz que não parece nada, o que é falso. A outra diz que é um Rolex barato, o que é pior.

A resposta útil está no meio, e ela é específica.

De onde vem a semelhança

Três elementos, e o terceiro é o mais literal de todos.

O mostrador colorido com acabamento sunburst

Mostrador de cor forte com raios saindo do centro é o que uma linha específica de aço da marca coroada popularizou nos últimos anos. Verde, azul, coral, amarelo.

O Tsuyosa faz exatamente isso, em mais de dez cores, e é a primeira coisa que o olho registra. O mapa completo das cores está em qual cor de Tsuyosa comprar.

A pulseira que sai da caixa

O bracelete de três elos encaixando rente na caixa, sem alça aparente, cria uma silhueta de bloco contínuo que o olho associa a peça de outra faixa.

A lente sobre a data

Este é o mais direto, e quase ninguém nomeia.

O Tsuyosa tem uma pequena lente de aumento sobre a janela da data, detalhe que a Monochrome registrou ao pegar a peça na mão.

Essa lente é uma assinatura visual de uma marca específica desde os anos 1950. É o item da lista que menos tem a ver com função e mais tem a ver com memória visual.

A lente sobre a data é o detalhe mais literal da lista. É memória visual, não função.
A lente sobre a data é o detalhe mais literal da lista. É memória visual, não função.

O que ela não entrega

Aqui a conversa fica objetiva, e é onde a semelhança para.

A precisão. O calibre 8210 declara menos 20 a mais 40 segundos por dia.

A peça de topo passa pelo ensaio do COSC e ainda por um controle interno da própria marca, com tolerância mais apertada que a do certificado. A régua está em quantos segundos um relógio pode errar.

A água. São 50 metros contra 100 do outro lado, e nenhum dos dois tem coroa rosqueada no Tsuyosa. Cinquenta metros cobrem chuva e mão lavada, e é tudo. A régua está em 30, 50, 100 e 200 metros.

O aço. A marca de topo usa uma liga mais dura de usinar que o aço comum de relógio, com melhor resistência à corrosão e melhor polimento. O Tsuyosa usa aço inoxidável de relógio normal.

O bracelete. É onde a diferença aparece na mão antes de aparecer no olho. Peso, tolerância entre elos, comportamento do fecho. É a linha que nenhuma foto mostra.

Onde o dinheiro do outro lado vai parar

Vale ser justo com a peça de cima, porque dizer que ela é só marca é tão desonesto quanto dizer que o Tsuyosa é um atalho.

No movimento. Projeto próprio, certificado e depois reajustado internamente com tolerância mais apertada que a do selo. Isso custa caro de desenvolver e caro de manter.

No acabamento que você toca. Chanfro entre superfícies, tolerância entre elos do bracelete, comportamento do fecho. Nada disso muda o funcionamento e tudo isso muda a impressão a trinta centímetros.

Na revenda. É a única faixa de relógio em que a peça costuma devolver boa parte do que custou, e isso tem valor real para quem troca.

Nenhuma dessas três aparece numa foto de perfil de rede social, e é exatamente por isso que a semelhança visual engana.

A ficha lado a lado

Citizen Tsuyosa Oyster Perpetual
Preço no Brasil R$ 3.468 sem preço publicado aqui
Caixa 40 mm 36 ou 41 mm
Movimento 8210, automático próprio, cronômetro certificado
Precisão menos 20 a mais 40 s/dia faixa muito mais estreita
Água 50 metros 100 metros
Cristal safira safira
Compra entra na loja e leva fila, e ela é real

Os números do Citizen saem da ficha oficial da marca e o preço da New Store.

A última linha da tabela é a mais importante e a que menos aparece em comparação. O sistema da fila está descrito em Rolex Oyster Perpetual: preço e a fila, e ele muda a conversa mais que qualquer linha de ficha técnica.

Três coisas que o Tsuyosa faz e o outro não

Vale inverter a comparação, porque ela costuma ser feita só num sentido.

A cor que a outra marca não faz. Laranja, amarelo, bege e um azul-claro que o mercado apelidou de tiffany. A linha de cima tem cor forte, e não tem essa variedade nem essa ousadia.

A liberdade de apanhar. Relógio de R$ 3.468 vai para a praia, para a obra e para a viagem sem você pensar. O outro fica em casa nos dias em que você acha que pode acontecer alguma coisa, e isso é o oposto de usar um relógio.

Comprar hoje. Você entra numa loja, escolhe a cor e leva. Do outro lado existe uma fila que não é lista, não tem previsão e não aceita pressa.

Nenhuma dessas três aparece em comparação de ficha, e as três mudam quantos dias por ano o relógio sai da gaveta.

Por que comprar por isso decepciona

Este é o parágrafo que interessa de verdade, e ele não é sobre relógio.

O efeito dura semanas. A sensação de estar usando algo que lembra outra coisa some rápido, porque quem olha para o seu pulso é você, várias vezes por dia, e você sabe o que está ali.

O relógio dura dez anos. Passado o efeito, sobra o objeto. E o objeto é bom, só que você vai olhar para ele lembrando do que ele não é.

A comparação nunca fecha. Quem compra por semelhança acaba comparando detalhe por detalhe, e cada detalhe que não bate vira um pequeno arrependimento. Quem compra pelo relógio nunca faz essa conta.

Existe um teste que resolve em cinco segundos: você compraria essa cor se nenhuma outra marca tivesse mostrador parecido? Se sim, compre com tranquilidade. Se não, o problema não é o Tsuyosa.

Passado o efeito, sobra o objeto. E ele é bom pelo que é.
Passado o efeito, sobra o objeto. E ele é bom pelo que é.

O que fazer com o desejo

Duas saídas honestas, e as duas funcionam.

Se o desejo é o desenho, o Tsuyosa entrega o desenho, e por R$ 3.468. Essa é a compra que funciona, e a ficha completa dele está em Citizen Tsuyosa vale a pena.

Se o desejo é a peça de cima, nenhum atalho resolve. Comprar algo parecido adia a vontade e não a mata, e sai caro em dobro: você gasta agora e continua querendo depois.

E existe uma terceira, que é a mais interessante das três: descobrir que o que você quer é um relógio bem feito de pulseira integrada, e aí o campo abre. Comparamos a opção suíça em Citizen Tsuyosa ou Tissot PRX.

Perguntas frequentes

O Tsuyosa é uma cópia de Rolex?

Não. Ele não copia caixa, mostrador nem bracelete de nenhum modelo específico. O que existe é semelhança de família: cor forte, pulseira integrada e a lente sobre a data.

Alguém vai achar que é um Rolex?

De longe e de relance, talvez. De perto, não. O texto do mostrador diz CITIZEN, e a proporção da caixa e o bracelete são visivelmente diferentes.

A lente da data é igual?

É o mesmo princípio de ampliar a data, e a execução não é idêntica. É o detalhe que mais cria a associação e o que menos muda o relógio.

Vale mais a pena juntar dinheiro para o de cima?

Depende do que você quer. Se é o objeto específico, juntar faz sentido e a fila ainda vai existir. Se é ter um bom relógio agora, esperar anos por outro é caro em tempo.

Um deles segura valor e o outro não?

O Tsuyosa é japonês de entrada e praticamente não tem mercado de usados. A lógica inteira disso está em relógio é investimento.

Existe alternativa mais parecida ainda?

Existem peças que copiam de propósito, e a gente não recomenda nenhuma. Comprar réplica ou homenagem literal é o caminho mais rápido para não gostar do relógio em seis meses.

O que fica

A semelhança é real, tem três motivos e nenhum deles é a parte cara do relógio de cima.

O Tsuyosa é um bom automático japonês com safira, pulseira integrada e cor. Isso já é o suficiente para ele existir, e é por isso que ele vende.

O que ele não é, e nunca vai ser, é um atalho. Quem entende isso na loja compra bem. Quem entende depois de seis meses no pulso compra duas vezes.

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