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Longines La Grande Classique vale a pena? Um quartzo de R$ 11.934

Maison Garde & Co. 7 min de leitura
Longines La Grande Classique de mostrador azul e caixa fina sobre linho claro

Onze mil novecentos e trinta e quatro reais num relógio de quartzo é uma frase difícil de defender. Existe uma medida que defende, e ela tem uma vírgula.

Este é o relógio mais difícil de justificar do catálogo da Longines, e o mais fácil de entender depois que você olha uma linha da ficha.

A linha não é o movimento. É a altura.

Seis referências, um preço

Levantamos o catálogo inteiro e a primeira coisa que aparece é uma tabela que não tem tabela.

São 6 referências, e as seis custam exatamente R$ 11.934.

Não é uma faixa estreita como as que este blog já registrou. É um preço só, sem piso, sem teto e sem mediana diferente disso.

La Grande Classique
Referências 6
Preço R$ 11.934, todas
Movimento quartzo, todas
Água 30 metros, todas
Espessura 5,4 mm

Isso simplifica a compra a um grau que quase não existe. Você não escolhe versão, não escolhe patamar e não escolhe mecanismo. Escolhe cor de mostrador e acabou.

E cria uma pergunta que o resto do post responde. Onze mil e novecentos por um quartzo de 30 metros é, na tabela crua, a pior conta técnica do catálogo brasileiro. A régua de água está em 30, 50, 100 e 200 metros.

Os 5,4 milímetros

Aqui está a linha que muda tudo, e ela é a razão de o relógio existir.

A caixa tem 5,4 milímetros de espessura.

Levantamos as 2.051 referências do catálogo brasileiro que publicam essa medida. O retrato está em a espessura do relógio, e o resumo é este:

Espessura
Mediana do catálogo 11,6 mm
Limiar prático da camisa cerca de 11 mm
La Grande Classique 5,4 mm
O mais fino do catálogo 5,0 mm

Ele é menos da metade da mediana do mercado, e o segundo mais fino de todas as duas mil e cinquenta e uma referências levantadas.

A seleção da Monochrome sobre relojoaria ultrafina registra onde começa esse território: para a maior parte do setor, relógio fino quer dizer algo em torno de 5 ou 6 milímetros, e é essa altura que desliza embaixo de qualquer punho.

Ou seja, o La Grande Classique não é um relógio fino. Ele está dentro da definição estrita de ultrafino da indústria, que só 4% do catálogo brasileiro alcança.

E o panorama técnico da Monochrome explica por que isso é caro: relojoaria ultrafina deve ser considerada uma complicação de verdade, porque exige miniaturizar componentes até um limite que beira o inacreditável.

Cinco vírgula quatro milímetros. Menos da metade da mediana do mercado.
Cinco vírgula quatro milímetros. Menos da metade da mediana do mercado.

Por que quartzo, e não mecânica

Agora a pergunta que todo comprador faz, e ela tem resposta física.

Não existe automático de 5,4 mm. O rotor de um automático é uma massa metálica que gira sobre o movimento, e ele sozinho ocupa altura que essa caixa não tem, comparação detalhada em automático ou corda manual.

As três saídas possíveis para chegar nessa altura:

Corda manual. Sem rotor, e o preço é dar corda todo dia. É o caminho da Nomos e do Maen Manhattan.

Quartzo. Sem rotor e sem mola grande, e o preço é não ter mecanismo.

Engenharia de altíssimo custo. É o caminho das casas que fazem ultrafino mecânico, e ele começa em outra casa dos milhares.

A Longines escolheu a segunda. O relógio não é de quartzo por economia, é de quartzo por geometria, e isso muda como julgar o preço.

O que você não leva por R$ 11.934: rotor, reserva de marcha e a conversa do mecanismo. O que você leva: uma altura que só 4% do catálogo tem, num relógio suíço com rede de assistência no Brasil.

A diferença entre os dois mundos está no comparativo da Monochrome, e o quartzo ainda tem a vantagem de medir melhor, régua que está em quantos segundos um relógio pode errar.

Os 30 metros

Vale abrir uma seção, porque é o segundo número desconfortável da ficha.

As seis referências declaram 30 metros de água. É o degrau mais baixo do mercado.

E aqui a explicação é a mesma da anterior. Cinco vírgula quatro milímetros não comportam anel de vedação nem coroa de rosca. Cada milímetro que sai da caixa sai de algum lugar, e nesse relógio saiu da estanqueidade.

O que 30 metros cobre e o que não cobre:

Situação 30 metros
Chuva, mão lavada cobre
Banho rápido limite
Piscina de rotina não cobre
Mar não cobre

Compare dentro da própria casa. O Flagship também fica em 30 metros e tem 8,7 mm, ou seja, mais de três milímetros a mais de caixa pela mesma água.

Isso diz uma coisa útil sobre o La Grande Classique: a altura foi a prioridade absoluta do projeto, acima de tudo o resto.

E o mostrador confirma. Ele tem só dois ponteiros, hora e minuto, sem ponteiro de segundos e sem janela de data. Cada uma dessas ausências devolve altura, e a marca abriu mão das três.

Onde ele perde

Vale listar, porque é onde nasce o arrependimento.

Onze mil e novecentos em quartzo. É a frase mais dura do post e ela é verdadeira. Nenhuma justificativa de engenharia apaga o número.

Trinta metros de água. O menor degrau do mercado, e nenhuma referência da linha resolve.

Não existe escolha. Seis referências, um preço, um movimento. Ou serve ou não serve.

A pilha é consumível. Troca a cada dois ou três anos, ao contrário do solar, assunto de Citizen Eco-Drive vale a pena.

A revenda é fraca. Quartzo suíço caro é dos piores segmentos nisso, e a lógica está em relógio é investimento.

Contra a vizinhança

A comparação com o que a altura custa em cada lugar.

La Grande Classique Citizen Stiletto Baume Classima Longines Flagship
Espessura 5,4 mm 5,0 mm 5,0 mm 8,7 mm
Preço R$ 11.934 R$ 3.978 R$ 13.464 R$ 13.260
Movimento quartzo solar quartzo automático
Água 30 m 30 m 30 m 30 m
Rede no Brasil sim sim sim sim

A leitura é dura na segunda coluna. O Citizen Stiletto é mais fino e custa um terço, e ele é solar, então nunca pede pilha.

O que a Longines entrega em troca é o nome e o acabamento suíço, e é honesto dizer que é só isso. O Flagship da mesma casa entrega mecânica com 72 horas de reserva por R$ 1.326 a mais, e cobra três milímetros de altura.

Seis referências, um preço, um movimento. Ou serve ou não serve.
Seis referências, um preço, um movimento. Ou serve ou não serve.

Qual comprar

Compre se a altura é o motivo. Ultrafino suíço com rede de assistência aqui é uma combinação que quase não existe.

Compre pela cor. Como as seis custam o mesmo, o orçamento não decide nada e o mostrador decide tudo.

Compre o Stiletto se o que você quer é só o resultado no pulso. Ele é mais fino, é solar e custa um terço.

Não compre para nadar. Trinta metros não cobre piscina, e a linha inteira para nesse número.

Não compre esperando mecânica. Não existe automático nessa altura, e o quartzo aqui é consequência e não escolha comercial.

Perguntas frequentes

Quanto custa um Longines La Grande Classique no Brasil?

R$ 11.934. As seis referências do catálogo brasileiro custam exatamente o mesmo preço.

O Longines La Grande Classique é automático?

Não. As seis referências são de quartzo, porque não existe movimento automático que caiba numa caixa de 5,4 mm.

Qual a espessura do La Grande Classique?

Cinco vírgula quatro milímetros. Ele é o segundo mais fino das 2.051 referências do catálogo brasileiro que publicam essa medida.

Por que um quartzo custa quase doze mil reais?

Porque o que ele vende é a altura. Relojoaria ultrafina é tratada pela indústria como uma complicação, e só 4% do catálogo brasileiro fica abaixo de 8 mm.

Quantos metros o La Grande Classique aguenta?

Trinta metros, nas seis referências. A caixa de 5,4 mm não comporta vedação reforçada nem coroa de rosca.

Existe relógio mais fino e mais barato?

Existe. O Citizen Stiletto tem 5,0 mm e custa R$ 3.978, e ele é solar, então nunca pede troca de pilha.

O que fica

O La Grande Classique é o relógio do catálogo que pior sobrevive a uma tabela técnica e melhor sobrevive a uma fita métrica.

Seis referências, um preço de R$ 11.934, todas de quartzo e todas com 30 metros. Lido assim, é a pior conta do catálogo brasileiro.

Ele tem 5,4 milímetros. Menos da metade da mediana do mercado, e dentro da definição estrita de ultrafino que só 4% das referências alcança.

O quartzo não é escolha comercial, é consequência. Não existe automático que caiba nessa altura, e as três saídas possíveis são corda manual, quartzo ou uma conta de outra casa dos milhares.

E os 30 metros vêm do mesmo lugar. Cada milímetro que sai da caixa sai de algum lugar, e aqui saiu da vedação.

Se o que te move é o relógio sumir embaixo da manga e ninguém saber que ele está lá, essa é uma das poucas respostas suíças com assistência no Brasil.

Se você está somando ficha, o Citizen de três mil e novecentos é mais fino, é solar e custa um terço.

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