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Maen vale a pena? A marca que começou no Kickstarter e matou o próprio quartzo

Maison Garde & Co. 7 min de leitura
Maen Hudson 38 GMT de mostrador preto e bisel de 24 horas sobre pedra escura

Quase toda microempresa de relojoaria começa com mecânica cara e desce. Esta fez o caminho oposto, e abandonou de vez o produto que a financiou.

Existe um caminho quase obrigatório para quem começa uma marca de relógio hoje: financiamento coletivo, quartzo barato, e depois esquecer que aquilo aconteceu.

Esta fez o caminho inteiro e virou a página com uma decisão limpa.

De onde a Maen veio

A marca tem duas nacionalidades e vale saber as duas.

A reportagem da Monochrome sobre marcas de raiz holandesa registra a origem: a Maen foi fundada pelos holandeses Sebastiaan Cortjaens e Jules van Helvoort, e a empresa é sediada em Estocolmo.

Os dois se encontraram pela paixão comum por relógio e montaram a marca a partir disso. A mesma fonte descreve a trajetória: as primeiras coleções eram de quartzo, financiadas por vaquinha coletiva, e foi assim que a marca construiu público.

Isso importa porque explica o produto. Marca que começou vendendo barato aprende a fazer conta, e a Maen chega ao Brasil com uma ficha que quase não tem gordura.

O panorama de microempresa europeia está em Baltic vale a pena e Venezianico vale a pena, que são os vizinhos diretos dela na prateleira.

Ela matou o próprio quartzo

Aqui está a decisão que dá título a este post, e ela é rara.

A mesma fonte registra o desfecho: o portfólio inteiro abandonou o quartzo e hoje depende apenas de movimentos mecânicos.

Não é um detalhe de catálogo. É a marca fechando a porta pela qual ela entrou.

As catorze referências brasileiras são todas mecânicas. Nove automáticas e cinco de corda manual, sem uma única exceção de quartzo.

Vale a nota honesta, porque este blog não trata quartzo como inferior. Quartzo mede melhor que qualquer mecânico, como mostra quantos segundos um relógio pode errar e o comparativo da Monochrome.

O que a decisão diz não é sobre precisão, é sobre para quem a marca resolveu falar. Ela escolheu o comprador que quer mecanismo, e aceitou perder o que quer preço.

Os 300 metros em nove das catorze

Vale registrar, porque é a linha de ficha mais forte da marca.

Nove das catorze referências brasileiras declaram 300 metros de água. As outras cinco ficam em 100.

Trezentos metros é o degrau mais alto que aparece com frequência no catálogo brasileiro, e a régua está em 30, 50, 100 e 200 metros.

Compare com os vizinhos de faixa:

Marca Piso Água no topo
Maen R$ 9.384 300 m
Baltic Aquascaphe R$ 7.650 300 m em uma referência
Venezianico Nereide R$ 6.324 300 m em parte
Oris Aquis R$ 19.176 300 m

A leitura é boa para ela. A Maen entrega os mesmos 300 metros do Oris por metade do preço, e a análise do concorrente está em Oris Aquis vale a pena.

A linha de mergulho se chama Hudson, e a análise da Monochrome sobre a versão GMT descreve a proposta: um mergulhador compacto de viagem, com segundo fuso, tratado em relógio GMT até R$ 5.000.

Nove das catorze declaram 300 metros. É o degrau mais alto do catálogo.
Nove das catorze declaram 300 metros. É o degrau mais alto do catálogo.

O topo é de corda manual

Aqui está a segunda decisão incomum da marca, e ela está no teto da faixa.

As cinco referências mais caras, todas a R$ 15.300, são o Manhattan Ultra Thin, e ele é de corda manual.

Corda manual no topo de uma linha é raro. Quase toda marca reserva o automático para o produto caro, porque é o que o comprador espera.

A análise da Monochrome sobre o Manhattan 37 ultrafino explica a lógica: é um esportivo de bracelete integrado, no vocabulário angular dos anos 1970, e a corda manual é o que permite a caixa ser fina.

Sem rotor não tem massa oscilante ocupando altura, conta detalhada em a espessura do relógio e em automático ou corda manual.

O preço disso é o de sempre: você dá corda todo dia e o relógio para se você esquecer.

E repare no que muda junto com o mecanismo. O Manhattan declara 100 metros, contra os 300 do Hudson. Caixa fina não tem espaço para a vedação que o mergulhador exige, e a marca não fingiu o contrário.

Quanto custa no Brasil

Levantamos o catálogo inteiro. São 14 referências, de R$ 9.384 a R$ 15.300, com mediana em R$ 13.260.

Peça Preço Água
Piso, Hudson 38 Mk4 cinza carbono R$ 9.384 300 m
Hudson 38 Mk4 preto azeviche R$ 9.384 300 m
Brooklyn 36 verde R$ 9.792 300 m
Hudson 38 GMT R$ 13.260 300 m
Teto, Manhattan Ultra Thin R$ 15.300 100 m

A faixa é de 1,63 vez, estreita, e a linha se divide em três produtos claros: o mergulhador, o mergulhador com segundo fuso e o esportivo fino de corda.

O terceiro produto da casa, o cronógrafo de corrida Skymaster, não chega aqui. Ele está descrito na análise da Monochrome, e é a lacuna mais visível do catálogo brasileiro da marca.

Onde ela perde

Vale listar, porque é onde nasce o arrependimento.

Não existe rede no Brasil. Microempresa sueca de raiz holandesa não tem assistência aqui, e o custo está em revisão de relógio quanto custa.

A entrada é alta. Nove mil trezentos e oitenta e quatro reais é caro para uma marca que quase ninguém reconhece.

A ficha não publica o calibre. Nenhuma das catorze referências brasileiras diz qual movimento está lá dentro.

O topo pede corda diária. Cinco das catorze param sozinhas se você esquecer.

A revenda é estreita. Marca pequena tem público fiel e pequeno, e a lógica está em relógio é investimento.

Contra a vizinhança

A comparação no piso, que é onde a conta fecha melhor.

Maen Hudson Baltic Aquascaphe Venezianico Nereide Certina DS Action
Piso R$ 9.384 R$ 7.650 R$ 6.324 R$ 5.100
Água 300 m 200 m 200 m 300 m
Movimento mecânico Miyota 9039 Seiko NH35A Powermatic 80
Reserva não publicada 42 h cerca de 41 h 80 h
Rede no Brasil não não não sim

A leitura é honesta nos dois sentidos. A Maen entrega os 300 metros já no piso, o que nenhuma das outras microempresas faz.

E ela é a mais cara das três, sem publicar reserva de marcha nem calibre. O DS Action entra R$ 4.284 abaixo com a mesma água, 80 horas de reserva e rede de assistência.

O topo da linha é de corda manual. É o que permite a caixa fina.
O topo da linha é de corda manual. É o que permite a caixa fina.

Qual comprar

Compre o Hudson 38 Mk4 se você quer a melhor conta da marca. R$ 9.384 com 300 metros é o piso e é o que ela faz de melhor.

Compre o Hudson GMT se você viaja. Segundo fuso com 300 metros por R$ 13.260.

Compre o Manhattan Ultra Thin se caixa fina te move. R$ 15.300, corda manual e bracelete integrado.

Não compre o Manhattan para a água. Ele fica em 100 metros, contra os 300 do Hudson, e a caixa fina é o motivo.

Não compre sem resolver assistência. Não existe rede da marca aqui e isso precisa entrar na conta antes.

Perguntas frequentes

De onde é a marca Maen?

Ela foi fundada pelos holandeses Sebastiaan Cortjaens e Jules van Helvoort, e é sediada em Estocolmo. As primeiras coleções foram de quartzo, financiadas por vaquinha coletiva.

A Maen tem relógio de quartzo?

Não mais. O portfólio inteiro abandonou o quartzo e hoje depende apenas de movimentos mecânicos, e as 14 referências brasileiras são todas mecânicas.

Quanto custa um Maen no Brasil?

De R$ 9.384 a R$ 15.300, em 14 referências, com mediana em R$ 13.260.

Quantos metros o Maen aguenta?

Nove das catorze referências declaram 300 metros. As cinco do Manhattan Ultra Thin ficam em 100, porque a caixa fina não comporta a vedação.

O Maen Manhattan é automático?

Não. As cinco referências do Manhattan Ultra Thin são de corda manual, e é justamente isso que permite a caixa ser fina.

Vale a pena Maen contra um suíço do mesmo preço?

Em água, sim, porque ela entrega 300 metros já no piso. Em reserva de marcha, assistência e revenda, o suíço de grupo ganha.

O que fica

A Maen é uma das poucas marcas jovens com uma decisão editorial visível, e ela está no que a empresa deixou de vender.

Ela começou com quartzo financiado por vaquinha coletiva e hoje não vende nenhum. As catorze referências brasileiras são todas mecânicas, nove automáticas e cinco de corda.

O que ela faz de melhor é água. Nove das catorze declaram 300 metros, e ela entrega no piso de R$ 9.384 a mesma vedação que um Oris de R$ 19.176.

E o topo dela inverte a lógica do mercado. As cinco referências mais caras são de corda manual, porque é isso que permite a caixa fina do Manhattan, que em troca cai para 100 metros.

O que ela não tem é o que nenhuma microempresa tem: rede de assistência aqui, reserva de marcha publicada e nome que alguém reconheça. Se essas três coisas não te fazem falta, o Hudson é uma das melhores contas de 300 metros do catálogo.

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