Oris vale a pena? O melhor movimento dela não vem ao Brasil
A Oris fez o automático mais ambicioso da faixa dela: cinco dias de reserva e dez anos de garantia. Levantamos as 31 referências brasileiras e ele não está em nenhuma.
Existe uma marca suíça que continua independente, que não pertence a nenhum grupo, e que decidiu fazer o próprio movimento do zero.
Isso é caro, é raro e é exatamente o motivo de alguém comprar uma Oris. O problema é o que atravessa o oceano.
O que é a Oris
Ela é uma casa suíça independente de Hölstein, no Jura, e faz relógio desde 1904.
Independente quer dizer uma coisa concreta nesta indústria: ela não pertence ao Swatch Group, nem à Richemont, nem à LVMH. Quase todo o resto pertence a um dos três.
Isso tem consequência prática. Marca dentro de grupo compra movimento do próprio grupo, que é a história de meio mercado contada em o motor suíço dentro de meio mercado.
A Oris não tem esse atalho. Ou ela compra de fora, ou ela faz.
O catálogo dela se organiza em poucas famílias, e as principais são:
| A linha | O que ela é |
|---|---|
| Big Crown Pointer Date | coroa grande e ponteiro central de data |
| Aquis | o mergulhador |
| ProPilot | aviação |
| Artelier | o social |
| Divers Sixty-Five | o vintage de 1965 |
O calibre de cinco dias
Aqui está o que a marca fez de mais importante em quarenta anos.
Em 2020 ela lançou o Calibre 400, e a explicação técnica da Monochrome traz os números que importam:
| Oris Calibre 400 | |
|---|---|
| Reserva de marcha | 5 dias, com dois tambores |
| Frequência | 28.800 por hora |
| Escapamento | silício, antimagnético |
| Parada de segundos | sim |
| Garantia | 10 anos |
| Intervalo de revisão | 10 anos |
Leia as duas últimas linhas de novo, porque elas são o argumento inteiro.
Dez anos de garantia e dez anos entre revisões. O padrão da indústria é dois anos de garantia e revisão a cada cinco, e a conta disso está em quanto custa manter um relógio mecânico.
Cinco dias de reserva também muda o uso. Você tira o relógio na sexta, volta na quarta seguinte e ele ainda está andando.
Foi a primeira linha de automáticos própria da marca em mais de quarenta anos, e o calibre segue se espalhando pela coleção, do Divers Sixty-Five para cima.
O que chega ao Brasil
Agora o achado deste post, e ele é desconfortável.
Levantamos as 31 referências brasileiras. Os calibres declarados são Oris 733, Oris 754 e Oris 754-1.
| O calibre | O que ele é |
|---|---|
| Oris 733 | base Sellita |
| Oris 754 | base Sellita |
| Calibre 400 | nenhuma referência |
Os calibres 733 e 754 são movimentos comprados e ajustados, não os de fabricação própria. São confiáveis e comuns, e é o que meio mercado usa.
Nenhuma das 31 referências traz o Calibre 400. Quem compra Oris no Brasil por causa dos cinco dias e dos dez anos de garantia não vai receber isso.
Isso não faz o relógio ruim. Faz o argumento da marca não chegar junto com ela, e é a mesma história de Venezianico vale a pena, onde o calibre próprio italiano também ficou lá fora.

Quanto custa aqui
O catálogo brasileiro tem 31 referências, de R$ 16.728 a R$ 20.400, com mediana em R$ 19.788.
| Peça | Preço |
|---|---|
| Piso, Artelier | R$ 16.728 |
| Big Crown Pointer Date | R$ 16.830 |
| Aquis Date | R$ 19.176 |
| Teto, Aquis Oceanic | R$ 20.400 |
Repare na largura da faixa. Do piso ao teto são 1,22 vez, o que é absurdamente estreito para uma marca com trinta e uma referências.
Isso diz que o Brasil traz uma fatia fina do catálogo, e traz a fatia de cima. A Oris lá fora começa bem abaixo disso.
A mediana em R$ 19.788 também é reveladora: a maior parte das referências está empilhada perto do teto, e não distribuída.
O ponteiro que é assinatura da casa
Vale abrir a linha que mais chega ao Brasil, porque o desenho dela não existe em mais ninguém.
O Big Crown Pointer Date tem um quarto ponteiro central que aponta para uma escala de 1 a 31 na borda do mostrador. Ele marca o dia do mês sem janela nenhuma.
Isso resolve um problema estético antigo. Janela de data quebra a simetria do mostrador, e o ponteiro central não quebra nada.
A coroa grande, que dá nome à linha, vem da aviação dos anos 1930: piloto de luva precisava dar corda sem tirar a mão do controle.
A marca segue investindo nesse desenho, inclusive com movimento novo de corda manual, como mostra a análise do Big Crown Calibre 473.
É por isso que o Big Crown domina o catálogo brasileiro. Ele é o produto que identifica a marca de longe, e é o que a loja daqui escolheu trazer.
Onde ela perde
Vale listar, porque nessa faixa de preço o erro é caro.
O calibre próprio não vem. É o argumento central da marca e ele não está no catálogo brasileiro.
O preço aqui é de outro patamar. Dezesseis mil e setecentos como piso coloca a Oris acima de Longines e Mido, contra as quais ela briga de igual para igual lá fora.
A faixa é estreita. Sem opção barata, você entra no topo ou não entra.
O nome é fraco no Brasil. Fora do público entusiasta, Oris não tem o reconhecimento de Tissot nem de TAG Heuer, e isso pesa na revenda.
A assistência é limitada. Menos pontos que as marcas de grupo, e a conta está em revisão de relógio, quanto custa.
Contra a vizinhança
A comparação na faixa acima de quinze mil reais.
| Oris | TAG Heuer | Longines | Frederique Constant | |
|---|---|---|---|---|
| Piso aqui | R$ 16.728 | R$ 14.400 | mais barato | mais barato |
| Movimento no Brasil | automático | quartzo | automático | automático |
| Independente | sim | não, LVMH | não, Swatch | não |
| Nome no Brasil | fraco | forte | forte | fraco |
A leitura é dura para as duas pontas. A Oris entrega mecânica onde a TAG Heuer entrega quartzo, e o comparativo está em TAG Heuer vale a pena.
E a Longines entrega nome e movimento por menos, assunto de Longines vale a pena.

Qual comprar
Compre o Big Crown Pointer Date se você quer o desenho que só a Oris faz. O ponteiro central de data é assinatura da casa desde os anos 1930.
Compre o Aquis se você quer mergulhador de marca independente. É o carro-chefe e o mais robusto do catálogo daqui.
Confira o calibre antes de fechar. Se a proposta é o Calibre 400, ele precisa estar escrito na ficha, e no Brasil ele não está.
Não compre se você quer o melhor movimento por real. Nessa faixa, Longines e Mido entregam mais mecânica por menos dinheiro.
Não compre para revender. Marca de nicho no Brasil tem saída lenta.
Perguntas frequentes
A Oris é uma marca boa?
É uma casa suíça independente desde 1904, uma das poucas que não pertence a grupo. Ela faz movimento próprio e tem reputação sólida entre entusiastas.
O que é o Oris Calibre 400?
É o automático de fabricação própria lançado em 2020, com cinco dias de reserva, escapamento de silício e dez anos de garantia e de intervalo de revisão.
O Calibre 400 chega ao Brasil?
Não nas 31 referências que levantamos. Os calibres declarados aqui são o Oris 733 e o Oris 754, que têm base Sellita.
Quanto custa uma Oris no Brasil?
De R$ 16.728 a R$ 20.400, com mediana em R$ 19.788. A faixa é estreita porque só a parte de cima do catálogo chega aqui.
Oris ou TAG Heuer?
A Oris entrega automático e independência. A TAG Heuer entrega nome muito mais forte, e no Brasil ela chega quase toda em quartzo.
A Oris é independente mesmo?
É. Ela não pertence ao Swatch Group, à Richemont nem à LVMH, o que é raro numa indústria em que quase tudo pertence a um dos três.
O que fica
A Oris é uma das marcas mais fáceis de gostar da relojoaria suíça. Independente desde 1904, com desenho próprio e um movimento que envergonha concorrente muito mais cara.
O Calibre 400 é a peça central dessa história. Cinco dias de reserva, silício no escapamento e dez anos de garantia são números que quase ninguém pratica.
E é exatamente esse movimento que não está em nenhuma das 31 referências brasileiras. O que chega aqui roda base Sellita, entre R$ 16.728 e R$ 20.400, numa faixa estreita de 1,22 vez.
Compre pela caixa, pelo ponteiro de data e pela independência da casa, que são reais. Só não compre pelo movimento da manchete, porque ele ficou em Hölstein.