MAISON GARDE Consultoria grátis

Oris vale a pena? O melhor movimento dela não vem ao Brasil

Maison Garde & Co. 7 min de leitura
Oris Big Crown de mostrador azul com ponteiro de data central, sobre couro escuro

A Oris fez o automático mais ambicioso da faixa dela: cinco dias de reserva e dez anos de garantia. Levantamos as 31 referências brasileiras e ele não está em nenhuma.

Existe uma marca suíça que continua independente, que não pertence a nenhum grupo, e que decidiu fazer o próprio movimento do zero.

Isso é caro, é raro e é exatamente o motivo de alguém comprar uma Oris. O problema é o que atravessa o oceano.

O que é a Oris

Ela é uma casa suíça independente de Hölstein, no Jura, e faz relógio desde 1904.

Independente quer dizer uma coisa concreta nesta indústria: ela não pertence ao Swatch Group, nem à Richemont, nem à LVMH. Quase todo o resto pertence a um dos três.

Isso tem consequência prática. Marca dentro de grupo compra movimento do próprio grupo, que é a história de meio mercado contada em o motor suíço dentro de meio mercado.

A Oris não tem esse atalho. Ou ela compra de fora, ou ela faz.

O catálogo dela se organiza em poucas famílias, e as principais são:

A linha O que ela é
Big Crown Pointer Date coroa grande e ponteiro central de data
Aquis o mergulhador
ProPilot aviação
Artelier o social
Divers Sixty-Five o vintage de 1965

O calibre de cinco dias

Aqui está o que a marca fez de mais importante em quarenta anos.

Em 2020 ela lançou o Calibre 400, e a explicação técnica da Monochrome traz os números que importam:

Oris Calibre 400
Reserva de marcha 5 dias, com dois tambores
Frequência 28.800 por hora
Escapamento silício, antimagnético
Parada de segundos sim
Garantia 10 anos
Intervalo de revisão 10 anos

Leia as duas últimas linhas de novo, porque elas são o argumento inteiro.

Dez anos de garantia e dez anos entre revisões. O padrão da indústria é dois anos de garantia e revisão a cada cinco, e a conta disso está em quanto custa manter um relógio mecânico.

Cinco dias de reserva também muda o uso. Você tira o relógio na sexta, volta na quarta seguinte e ele ainda está andando.

Foi a primeira linha de automáticos própria da marca em mais de quarenta anos, e o calibre segue se espalhando pela coleção, do Divers Sixty-Five para cima.

O que chega ao Brasil

Agora o achado deste post, e ele é desconfortável.

Levantamos as 31 referências brasileiras. Os calibres declarados são Oris 733, Oris 754 e Oris 754-1.

O calibre O que ele é
Oris 733 base Sellita
Oris 754 base Sellita
Calibre 400 nenhuma referência

Os calibres 733 e 754 são movimentos comprados e ajustados, não os de fabricação própria. São confiáveis e comuns, e é o que meio mercado usa.

Nenhuma das 31 referências traz o Calibre 400. Quem compra Oris no Brasil por causa dos cinco dias e dos dez anos de garantia não vai receber isso.

Isso não faz o relógio ruim. Faz o argumento da marca não chegar junto com ela, e é a mesma história de Venezianico vale a pena, onde o calibre próprio italiano também ficou lá fora.

Nenhuma das 31 referências brasileiras usa o calibre de cinco dias.
Nenhuma das 31 referências brasileiras usa o calibre de cinco dias.

Quanto custa aqui

O catálogo brasileiro tem 31 referências, de R$ 16.728 a R$ 20.400, com mediana em R$ 19.788.

Peça Preço
Piso, Artelier R$ 16.728
Big Crown Pointer Date R$ 16.830
Aquis Date R$ 19.176
Teto, Aquis Oceanic R$ 20.400

Repare na largura da faixa. Do piso ao teto são 1,22 vez, o que é absurdamente estreito para uma marca com trinta e uma referências.

Isso diz que o Brasil traz uma fatia fina do catálogo, e traz a fatia de cima. A Oris lá fora começa bem abaixo disso.

A mediana em R$ 19.788 também é reveladora: a maior parte das referências está empilhada perto do teto, e não distribuída.

O ponteiro que é assinatura da casa

Vale abrir a linha que mais chega ao Brasil, porque o desenho dela não existe em mais ninguém.

O Big Crown Pointer Date tem um quarto ponteiro central que aponta para uma escala de 1 a 31 na borda do mostrador. Ele marca o dia do mês sem janela nenhuma.

Isso resolve um problema estético antigo. Janela de data quebra a simetria do mostrador, e o ponteiro central não quebra nada.

A coroa grande, que dá nome à linha, vem da aviação dos anos 1930: piloto de luva precisava dar corda sem tirar a mão do controle.

A marca segue investindo nesse desenho, inclusive com movimento novo de corda manual, como mostra a análise do Big Crown Calibre 473.

É por isso que o Big Crown domina o catálogo brasileiro. Ele é o produto que identifica a marca de longe, e é o que a loja daqui escolheu trazer.

Onde ela perde

Vale listar, porque nessa faixa de preço o erro é caro.

O calibre próprio não vem. É o argumento central da marca e ele não está no catálogo brasileiro.

O preço aqui é de outro patamar. Dezesseis mil e setecentos como piso coloca a Oris acima de Longines e Mido, contra as quais ela briga de igual para igual lá fora.

A faixa é estreita. Sem opção barata, você entra no topo ou não entra.

O nome é fraco no Brasil. Fora do público entusiasta, Oris não tem o reconhecimento de Tissot nem de TAG Heuer, e isso pesa na revenda.

A assistência é limitada. Menos pontos que as marcas de grupo, e a conta está em revisão de relógio, quanto custa.

Contra a vizinhança

A comparação na faixa acima de quinze mil reais.

Oris TAG Heuer Longines Frederique Constant
Piso aqui R$ 16.728 R$ 14.400 mais barato mais barato
Movimento no Brasil automático quartzo automático automático
Independente sim não, LVMH não, Swatch não
Nome no Brasil fraco forte forte fraco

A leitura é dura para as duas pontas. A Oris entrega mecânica onde a TAG Heuer entrega quartzo, e o comparativo está em TAG Heuer vale a pena.

E a Longines entrega nome e movimento por menos, assunto de Longines vale a pena.

Do piso ao teto são 1,22 vez. O Brasil traz só a fatia de cima.
Do piso ao teto são 1,22 vez. O Brasil traz só a fatia de cima.

Qual comprar

Compre o Big Crown Pointer Date se você quer o desenho que só a Oris faz. O ponteiro central de data é assinatura da casa desde os anos 1930.

Compre o Aquis se você quer mergulhador de marca independente. É o carro-chefe e o mais robusto do catálogo daqui.

Confira o calibre antes de fechar. Se a proposta é o Calibre 400, ele precisa estar escrito na ficha, e no Brasil ele não está.

Não compre se você quer o melhor movimento por real. Nessa faixa, Longines e Mido entregam mais mecânica por menos dinheiro.

Não compre para revender. Marca de nicho no Brasil tem saída lenta.

Perguntas frequentes

A Oris é uma marca boa?

É uma casa suíça independente desde 1904, uma das poucas que não pertence a grupo. Ela faz movimento próprio e tem reputação sólida entre entusiastas.

O que é o Oris Calibre 400?

É o automático de fabricação própria lançado em 2020, com cinco dias de reserva, escapamento de silício e dez anos de garantia e de intervalo de revisão.

O Calibre 400 chega ao Brasil?

Não nas 31 referências que levantamos. Os calibres declarados aqui são o Oris 733 e o Oris 754, que têm base Sellita.

Quanto custa uma Oris no Brasil?

De R$ 16.728 a R$ 20.400, com mediana em R$ 19.788. A faixa é estreita porque só a parte de cima do catálogo chega aqui.

Oris ou TAG Heuer?

A Oris entrega automático e independência. A TAG Heuer entrega nome muito mais forte, e no Brasil ela chega quase toda em quartzo.

A Oris é independente mesmo?

É. Ela não pertence ao Swatch Group, à Richemont nem à LVMH, o que é raro numa indústria em que quase tudo pertence a um dos três.

O que fica

A Oris é uma das marcas mais fáceis de gostar da relojoaria suíça. Independente desde 1904, com desenho próprio e um movimento que envergonha concorrente muito mais cara.

O Calibre 400 é a peça central dessa história. Cinco dias de reserva, silício no escapamento e dez anos de garantia são números que quase ninguém pratica.

E é exatamente esse movimento que não está em nenhuma das 31 referências brasileiras. O que chega aqui roda base Sellita, entre R$ 16.728 e R$ 20.400, numa faixa estreita de 1,22 vez.

Compre pela caixa, pelo ponteiro de data e pela independência da casa, que são reais. Só não compre pelo movimento da manchete, porque ele ficou em Hölstein.

Continue lendo