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Relógio de titânio vale a pena? Sessenta por cento mais leve

Maison Garde & Co. 7 min de leitura
Relógio de caixa de titânio fosco sobre pedra escura, ao lado de um de aço polido

Titânio é mais leve, não arranha a pele de ninguém e risca mais fácil que aço. As três coisas são verdade, e a terceira tem solução.

Todo mundo já ouviu que titânio é mais leve. Quase ninguém sabe quanto, e quase ninguém foi avisado do que vem junto.

São 128 referências no Brasil, e a entrada custa três mil reais.

O que o titânio muda

Três coisas, e a primeira é a única que vende.

O peso. Titânio é cerca de 40% mais leve que aço, e o tratado da Citizen chega a 60%. Num relógio de 43 mm isso é a diferença entre lembrar que ele está no pulso e esquecer.

Peso é a razão número um pela qual relógio grande vai para a gaveta. Se você já devolveu um por isso, essa é a linha que importa.

A pele. Titânio é hipoalergênico. Aço inox comum leva níquel na liga, e níquel é um dos alérgenos de contato mais comuns. Quem fica com a marca vermelha do fecho depois de um dia resolve isso trocando de material.

A corrosão. Ele não enferruja e resiste melhor a suor e água salgada que aço.

E tem uma quarta, silenciosa: titânio é antimagnético. Ele não protege o movimento sozinho, e não piora nada, ao contrário do aço.

O problema do risco

Aqui está a parte que ninguém coloca no anúncio, e ela é a razão de tanta gente se decepcionar.

Titânio puro risca mais fácil que aço. Ele é mais duro por peso e mais macio na superfície, o que soa contraditório e é exatamente o que acontece.

Na prática: a caixa marca no primeiro mês, e a marca aparece mais que no aço porque o acabamento fosco não disfarça.

A solução existe e ela é tratamento de superfície. A retrospectiva da Monochrome sobre 55 anos de titânio na Citizen explica o caso mais conhecido.

A Citizen fez o primeiro relógio de titânio do mundo em 1970, o X-8 Chronometer. O que ela vende hoje como Super Titanium é a combinação do processamento dela com um endurecimento de superfície chamado Duratect.

O resultado: dureza de superfície cerca de cinco vezes superior à do aço inox, no mesmo material que sozinho riscaria mais.

Ou seja, “titânio risca fácil” é meia verdade. O titânio sem tratamento risca. O tratado risca bem menos que aço.

Sessenta por cento mais leve, e cinco vezes mais duro na superfície quando tratado.
Sessenta por cento mais leve, e cinco vezes mais duro na superfície quando tratado.

Grau 2 ou grau 5

Este é o termo que aparece em ficha de relógio caro e quase ninguém traduz.

O guia de materiais da Monochrome separa os dois com precisão, e ele traz o número que fecha a discussão.

Grau 2 é titânio comercialmente puro. É o mais comum, principalmente nas faixas mais baratas, e é o mais fácil de trabalhar.

Grau 5 é uma liga, com 6% de alumínio e 4% de vanádio. Ele é mais forte e mais duro que o grau 2, e mais caro de usinar.

Agora o número. O tratamento Duratect leva um grau 5 de 400 para mais de 1.000 na escala Vickers, e aço inox de relógio fica perto de 200.

Ou seja, o tratamento não melhora um pouco. Ele multiplica por duas vezes e meia a dureza do próprio titânio, e o resultado passa longe do aço.

A leitura prática: grau 5 aparece em peça de topo e justifica parte do preço. Grau 2 é o que você encontra na entrada da categoria, e ele não é ruim.

O que decide mais que o grau é se existe tratamento de superfície. Um grau 2 tratado resiste melhor a risco que um grau 5 sem tratamento, e essa ordem surpreende quem só olha o número.

Vale conferir na ficha, e vale perguntar. A palavra a procurar é o nome do tratamento, não o grau.

Quanto custa no Brasil

Levantamos o catálogo inteiro. São 128 referências de titânio, de R$ 3.060 a R$ 20.400, com mediana em R$ 7.038.

Marca Refs O que ela traz
Citizen 68 mais da metade, e o Super Titanium tratado
Certina 26 mergulho em titânio, incluindo o Super PH
Hamilton 17 campo e aviação
Tissot 5 pontual
Baltic, Christopher Ward, Victorinox 8 topo de linha

A concentração diz tudo: a Citizen sozinha tem mais da metade da categoria no Brasil, e a entrada dela a R$ 3.060 é o piso do material aqui.

Faz sentido histórico. Ela foi a primeira a fazer, em 1970, e passou 55 anos resolvendo o problema do risco enquanto o resto da indústria tratava titânio como material exótico.

O mesmo grupo de marcas aparece lá fora. Uma seleção de titânio acessível da Monochrome escolhe seis peças e quatro delas são de Citizen, Baltic, Hamilton e Certina.

O panorama da linha profissional dela está em Citizen Promaster vale a pena.

No lado suíço, o exemplo mais extremo é o Certina Super PH2000M, que usa titânio grau 2 para aguentar dois mil metros sem virar um tijolo no pulso.

O que o titânio não resolve

Vale listar, porque é onde a expectativa desanda.

Não muda o tamanho. Um relógio de 43 mm em titânio continua tendo 43 mm. Ele pesa menos e ocupa o mesmo espaço, e quem tem pulso fino não ganha nada. O método de medida está em como medir o pulso.

Não deixa o relógio mais preciso. Material de caixa não toca no movimento.

Não é mais barato. Titânio custa mais que aço para comprar e para usinar, e isso aparece no preço da mesma referência.

Não brilha como aço polido. Titânio tem tom mais acinzentado e acabamento mais fosco por natureza. Quem quer o brilho de aço polido não vai achar aqui.

Não é fácil de polir depois. Repolimento de titânio tratado é serviço delicado, porque tirar risco pode significar tirar o tratamento junto.

Contra o aço, linha por linha

A comparação inevitável, e ela é mais equilibrada do que a propaganda sugere.

Titânio Aço
Peso 40 a 60% menos referência
Pele sensível não irrita níquel na liga
Risco sem tratamento pior melhor
Risco com tratamento muito melhor não se aplica
Brilho fosco, acinzentado polido
Preço mais caro mais barato
Repolimento delicado simples

O caso mais claro do blog é o I.N.O.X. de aço contra o de carbono, em que 35 gramas custaram R$ 3.243. Titânio resolve o mesmo problema por menos.

Fosco e acinzentado. Quem quer brilho de aço polido não vai achar aqui.
Fosco e acinzentado. Quem quer brilho de aço polido não vai achar aqui.

Qual comprar

Compre titânio se peso é o seu problema conhecido. Se você já tirou um relógio do pulso por causa disso, é a resposta certa e não tem substituto.

Compre titânio se você tem alergia a níquel. Aqui não é preferência, é solução.

Compre tratado se você usa todo dia. Sem tratamento a caixa marca rápido, e com tratamento ela resiste melhor que aço.

Não compre se você quer brilho. O material é fosco por natureza e polir titânio nunca dá o mesmo resultado de aço.

Não compre esperando caixa menor. O peso muda, o diâmetro não.

Perguntas frequentes

Quanto um relógio de titânio pesa a menos?

Cerca de 40% menos que aço, e até 60% nas versões tratadas da Citizen. É a diferença entre sentir e esquecer o relógio no pulso.

Titânio risca mais que aço?

Sem tratamento, sim. Com tratamento de superfície, o oposto: o Super Titanium da Citizen tem dureza cerca de cinco vezes superior à do aço inox.

Qual a diferença entre grau 2 e grau 5?

Grau 2 é titânio puro e mais comum. Grau 5 é liga com 6% de alumínio e 4% de vanádio, mais forte e mais cara. O tratamento de superfície importa mais que o grau.

Titânio serve para quem tem alergia?

Serve. Ele é hipoalergênico, e a alergia comum em relógio vem do níquel presente na liga do aço inox.

Qual o relógio de titânio mais barato do Brasil?

Perto de R$ 3.060, num Citizen Eco-Drive Super Titanium. A categoria vai até R$ 20.400.

Dá para polir titânio riscado?

Dá, com cuidado. Em peça tratada o repolimento pode remover o tratamento junto, então procure assistência que conheça o material.

O que fica

Titânio é um dos poucos materiais da relojoaria que resolve um problema real em vez de contar uma história.

Ele tira metade do peso do pulso, não irrita pele sensível e não enferruja. Para quem já desistiu de um relógio grande, isso muda a compra sozinho.

O que a propaganda esconde é a outra metade: titânio puro risca mais que aço, e a solução tem nome, tem processo e custa dinheiro.

Quem compra sem perguntar sobre tratamento leva o benefício do peso e a desvantagem do risco. Quem pergunta leva os dois lados bons, e a pergunta é gratuita.

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