MAISON GARDE Consultoria grátis

Venezianico Nereide vale a pena? O preço triplica e o motor quase não muda

Maison Garde & Co. 8 min de leitura
Venezianico Nereide de mostrador azul e bisel de mergulho sobre pedra clara

A mais cara desta linha custa quase três vezes a mais barata. Elas mergulham igual, medem quase igual, e a diferença inteira está no que a caixa é feita.

Quando uma linha vai de seis mil a dezoito mil reais, a suposição natural é que o mecanismo lá em cima seja outro.

Levantamos as 25 referências e não é. O que dobra e triplica o preço aqui é material, e vale entender qual.

O que é o Nereide

É o mergulhador da Venezianico, e foi ele que fez o nome da marca.

A análise da Monochrome sobre a casa conta a origem: a empresa foi fundada em 2017 pelos irmãos Alberto e Alessandro Morelli, com o nome Meccaniche Veneziane, e trocou para Venezianico em 2022 para reforçar o vínculo com Veneza.

Os dois produtos que colocaram a marca no mapa foram o Nereide, que é o mergulhador, e o Redentore, que é a linha social.

O nome vem das nereidas, as ninfas do mar da mitologia grega, o que é coerente com a cidade e com a função.

Uma coisa vale registrar antes de qualquer preço. As 25 referências brasileiras declaram 200 ou 300 metros de água, sem uma única exceção abaixo disso, o que é raro numa linha com esse alcance de preço. A régua está em 30, 50, 100 e 200 metros.

O contexto da marca inteira está em Venezianico vale a pena.

A escada de preço não é mecânica

Aqui está o achado, e ele sai de cruzar preço com calibre nas 25 fichas.

Faixa Calibre Origem
R$ 6.324, o piso Seiko NH35A Japão
R$ 7.650 Seiko NH70A Japão
R$ 9.690 Sellita SW200-1 Suíça
R$ 12.546 Miyota 9039 Japão
R$ 18.564, o teto Sellita SW200-1 Suíça

Repare na quarta linha e você já vê o problema da suposição. Um relógio de R$ 12.546 roda calibre japonês, e um de R$ 9.690 roda suíço. O preço e o movimento não sobem juntos.

O Seiko NH35A do piso é o automático mais usado do mundo em relógio de entrada, e o Sellita SW200-1 é a alternativa suíça ao ETA 2824. Os dois são confiáveis, os dois têm cerca de 41 horas de reserva e nenhum dos dois é peça rara.

Então o que a diferença compra? A caixa e o mostrador:

Material Preço típico
Aço R$ 6.324
Titânio R$ 13.056
Tungstênio R$ 9.690 a R$ 12.546
Cerâmica R$ 9.690 a R$ 14.586
Bronze R$ 18.564

Vale registrar o que torna isso mais irônico. A marca tem um calibre próprio desenhado e fabricado na Itália, o V5001, apresentado na análise da Monochrome sobre o Redentore Utopia II.

Nenhuma das 25 referências de Nereide do catálogo brasileiro usa ele.

Isso não é crítica. É o modelo de negócio de quase toda microempresa de relojoaria, e ele é honesto desde que você saiba. O paralelo com movimento japonês está em Miyota, o movimento japonês e com o suíço em Sellita SW200, o movimento suíço.

O preço sobe com o material da caixa, não com o que está dentro dela.
O preço sobe com o material da caixa, não com o que está dentro dela.

O vidro de Murano no mostrador

Este trecho é o motivo de a marca poder cobrar o que cobra, e ele é verdadeiro.

Várias referências do topo trazem a palavra Avventurina no nome, e ela não é adjetivo de cor.

A seleção da Monochrome sobre mostradores de aventurina explica o material: avventurina é um vidro inventado na ilha veneziana de Murano no século 17.

O processo é o seguinte. Adicionam-se partículas metálicas ao vidro triturado e aquecido, e ao esfriar essas partículas cristalizam dentro da massa. O resultado parece um céu estrelado, e ele pode ser azul, preto, vermelho ou verde.

Ou seja, uma marca de Veneza está colocando no mostrador um material inventado em Veneza há quatrocentos anos. É o raro caso em que a história de marca é a mesma coisa que o produto.

O catálogo brasileiro também traz mostradores de pedra de verdade: ametista a R$ 11.934, lápis-lazúli a R$ 12.138 e malaquita a R$ 13.566.

Vale a nota honesta. Pedra e vidro não melhoram o relógio em nada funcional. Eles não medem melhor, não mergulham mais fundo e não duram mais. É estética cara, e ela é legítima quando comprada como estética.

Quanto custa no Brasil

Levantamos o catálogo inteiro. São 25 referências, de R$ 6.324 a R$ 18.564, com mediana em R$ 9.894.

Peça Preço
Piso, Nereide Subacqueo azul R$ 6.324
Nereide GMT prata R$ 7.630
Ultraleggero prata, 300 m R$ 7.650
Nereide Cerâmica preto R$ 9.690
Nereide Titânio azul R$ 13.056
Teto, Nereide Bronzo R$ 18.564

A faixa é de 2,93 vezes do piso ao teto, a mais larga de qualquer linha deste blog. Aqui você escolhe patamar de verdade, e não só cor.

Repare na terceira linha. O Ultraleggero a R$ 7.650 já entrega 300 metros, que é o teto de água da linha inteira, por R$ 5.406 a menos que o titânio. Ele roda o Seiko NH70A, que é a versão de mostrador vazado do NH35, tratada em relógio open heart.

Existe também um GMT a R$ 7.630, com o calibre NH34A, e a função está em relógio GMT até R$ 5.000.

Onde ele perde

Vale listar, porque é onde nasce o arrependimento.

O movimento não acompanha o preço. Dezoito mil reais com Sellita SW200-1 é uma conta que só fecha se o material for o motivo.

A reserva é curta. Cerca de 41 horas nos calibres da linha, contra as 80 do suíço de grupo, assunto de automático ou corda manual.

Não existe rede no Brasil. Marca italiana pequena não tem assistência aqui, e o custo está em revisão de relógio quanto custa.

Pedra lasca. Mostrador de ametista, malaquita ou vidro de Murano é frágil, e não existe reposição fácil.

A revenda é estreita. Microempresa tem público fiel e pequeno, e a lógica está em relógio é investimento.

Contra a vizinhança

A comparação no piso da linha, que é onde a conta fecha melhor.

Nereide Subacqueo Baltic Aquascaphe Certina DS Action Orient Kamasu
Piso R$ 6.324 R$ 7.650 R$ 5.100 R$ 2.754
Movimento Seiko NH35A Miyota 9039 Powermatic 80 Orient F6922
Reserva 41 h 42 h 80 h 40 h
Água 200 m 200 m 300 m 200 m
Norma de mergulho não não ISO 6425 não

A leitura é honesta nos dois sentidos. O Nereide entra R$ 1.326 abaixo do Aquascaphe com a mesma ficha, e perde feio para o suíço em reserva e em norma.

O Kamasu entrega os mesmos 200 metros por menos da metade. O DS Action entrega 300 metros, o dobro de reserva e certificação de mergulho por R$ 1.224 a menos.

O que o Nereide tem e nenhum deles tem é o topo da linha. Titânio, cerâmica, bronze e vidro de Murano não existem na prateleira dos outros.

Avventurina é vidro inventado em Murano no século 17. Parece céu estrelado.
Avventurina é vidro inventado em Murano no século 17. Parece céu estrelado.

Qual comprar

Compre o Subacqueo se você quer entrar. R$ 6.324, 200 metros, calibre japonês confiável, e é a melhor conta da linha.

Compre o Ultraleggero se água importa. Ele já entrega os 300 metros do topo por R$ 7.650, com mostrador vazado de brinde.

Compre um de material se o material é o motivo. Bronze, cerâmica e Murano são o que a marca faz de único, e não existe substituto na faixa.

Não pague o topo esperando mecânica. O calibre de R$ 18.564 é o mesmo tipo do de R$ 9.690, e isso precisa estar claro antes.

Não compre sem resolver assistência. Não existe rede da marca aqui, e a conta tem que incluir isso.

Perguntas frequentes

Qual movimento o Venezianico Nereide usa?

Seiko NH35A e NH70A nas versões de entrada, Sellita SW200-1 nas de topo e Miyota 9039 em algumas. Todos ficam perto de 41 horas de reserva.

Quanto custa um Venezianico Nereide no Brasil?

De R$ 6.324 a R$ 18.564, em 25 referências, com mediana em R$ 9.894. A faixa é de 2,93 vezes, a mais larga deste blog.

O que é a avventurina do mostrador?

É um vidro inventado na ilha veneziana de Murano no século 17, feito com partículas metálicas que cristalizam ao esfriar e parecem um céu estrelado.

Quantos metros o Nereide aguenta?

Duzentos ou trezentos metros, em todas as 25 referências brasileiras, sem exceção abaixo disso.

Por que o Nereide caro custa tanto?

Pela caixa e pelo mostrador. Titânio, tungstênio, cerâmica, bronze e mostradores de pedra explicam a escada de preço, e não o movimento.

O Venezianico é italiano de verdade?

A marca é de Veneza e foi fundada em 2017 pelos irmãos Morelli. Os movimentos das referências brasileiras são japoneses e suíços.

O que fica

O Nereide é a linha mais bem resolvida da Venezianico, e a decisão de compra depende de aceitar uma coisa desconfortável.

A escada de preço não é mecânica. O calibre de R$ 18.564 é do mesmo tipo do de R$ 9.690, e há referência japonesa custando mais que referência suíça dentro da mesma linha.

O que os 2,93 vezes compram é titânio, tungstênio, cerâmica, bronze e vidro de Murano. E no caso da avventurina isso é raro de verdade: um material inventado em Veneza no século 17, num relógio veneziano.

O piso, a R$ 6.324, é onde a conta fecha melhor. Duzentos metros de água, automático japonês confiável e o mesmo desenho de todos os outros.

Se o material é o que te move, o topo entrega algo que ninguém na faixa entrega. Se você queria mecânica melhor conforme sobe o preço, ela não está aqui, e uma prateleira suíça resolve isso por menos.

Continue lendo