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Doxa vale a pena? Seis referências, um preço só, e a escolha é a cor

Maison Garde & Co. 7 min de leitura
Doxa Sub 200 de mostrador laranja e bracelete de aço sobre pedra molhada

Existe uma marca no catálogo em que o preço não participa da decisão. As seis referências custam o mesmo número, até o último real, e a única pergunta que sobra é a cor do mostrador.

Comprar relógio quase sempre é escolher entre patamares de preço.

Aqui não é. E isso muda completamente como a decisão funciona.

Um preço, seis cores

Levantamos o catálogo. São 6 referências Doxa no Brasil, e o dado é este:

As seis custam exatamente R$ 12.240.

Peça Preço
Sub 200 preto R$ 12.240
Sub 200 azul R$ 12.240
Sub 200 laranja R$ 12.240
Sub 200 amarelo R$ 12.240
Sub 200 prata R$ 12.240
Sub 200 Aquamarine turquesa R$ 12.240

Não é arredondamento e não é coincidência de vitrine. É a mesma peça em seis mostradores, e a marca não cobra a mais por nenhum deles.

Isso é raro no catálogo. Comparando com marcas de porte parecido, o Baltic HMS tem seis das sete referências no mesmo preço, e é o caso mais próximo. Preço único em cem por cento da linha não acontece em quase nenhum lugar.

E tem uma consequência prática boa. Você não vai pagar mais caro por gostar da cor errada, que é exatamente o que acontece com edição limitada de cor em outras marcas.

A ficha do grupo é uniforme:

Sub 200
Movimento automático
Calibre ETA 2824-2
Água 200 metros
Espessura 13,8 mm
Garantia 2 anos

Por que o laranja existe

Aqui está a parte que dá sentido à linha, e ela é de 1966.

A retrospectiva da Monochrome sobre o Sub 300 conta a história com detalhe verificável.

A Doxa apresentou o Sub 300 em 1966, na feira de Basileia, com venda ao público a partir de 1967. Ele foi desenhado do zero, e não como resposta ao que a concorrência fazia.

E o mostrador laranja não foi capricho de designer. A equipe testou várias cores brilhantes debaixo d’água, no lago de Neuchâtel, em profundidades diferentes. O laranja se provou a cor mais legível até trinta metros de profundidade.

Isso num momento em que todo mergulhador do mercado tinha mostrador preto. A marca fez o teste e seguiu o resultado, mesmo que ele contrariasse a convenção.

O segundo achado do Sub 300 foi o bisel. Ele trazia marcações espelhadas na tabela de não descompressão da Marinha americana, ou seja, o mergulhador lia no bisel não só o tempo, mas a profundidade até a qual podia ficar sem parada de descompressão.

E existe o carimbo de credibilidade. Depois de uma sugestão do mergulhador francês Claude Wesly, a marca procurou a US Divers, empresa de Jacques Cousteau.

A equipe gostou tanto que passou a distribuir o relógio com exclusividade nos Estados Unidos e a usar a peça nas próprias expedições.

Ou seja: a cor que hoje parece ousadia de marketing nasceu de um teste de legibilidade, e as seis referências brasileiras são herdeiras diretas dele.

O laranja venceu um teste de legibilidade debaixo d'água em 1966.
O laranja venceu um teste de legibilidade debaixo d'água em 1966.

O que o Sub 200 entrega

Vale separar o mito da ficha, porque o Sub 200 de hoje não é o Sub 300 de 1966.

São 200 metros de água, e não 300. O nome diz a profundidade, e a régua do que cada patamar cobre está em 30, 50, 100 e 200 metros. Duzentos metros é mergulho recreativo com folga larga.

O calibre é ETA 2824-2, que é um dos movimentos automáticos suíços mais fabricados do mundo. Isso é bom e é morno ao mesmo tempo: é confiável e barato de consertar, e não é exclusivo de jeito nenhum.

Sendo mecânico, ele também erra mais que qualquer quartzo, diferença explicada no comparativo da Monochrome e medida em quantos segundos um relógio pode errar.

A espessura é 13,8 mm. Isso é grosso. A mediana do catálogo brasileiro é 11,6 mm, e mesmo entre os relógios de 200 metros, que já são altos, a mediana é 13,0 mm, conta detalhada em a espessura do relógio.

Ou seja, ele é mais alto que a mediana da própria categoria dele. Não é peça para punho de camisa.

O panorama do que define um mergulhador está no texto técnico da Monochrome.

Onde ele perde

Vale listar, porque é onde nasce o arrependimento.

Doze mil reais é muito para um ETA 2824-2. O mesmo calibre roda em peças de metade do preço, e quem compra está pagando pela marca e pela história, não pelo motor.

Treze vírgula oito milímetros. É alto até para mergulhador, e some sob a manga com dificuldade.

Não existe rede no Brasil. Marca pequena e sem representação local, com o custo que está em revisão de relógio quanto custa.

A ficha da loja é incompleta. Quatro das seis referências não publicam água nem espessura, e o dado precisa ser perguntado antes de fechar.

São 200 metros, não 300. Quem procura o herdeiro literal do Sub 300 de 1966 está olhando outra linha da marca, que não está à venda aqui.

Contra a vizinhança

A faixa de doze a dezessete mil reais, entre mergulhadores.

Doxa Sub 200 Oris Aquis Mido Ocean Star 600 Sinn EZM 3
Piso R$ 12.240 R$ 19.176 R$ 13.464 R$ 19.176
Água 200 m 300 m 600 m 500 m
Espessura 13,8 mm 10 a 14 mm 14,1 a 14,6 mm 12,3 mm
Calibre ETA 2824-2 Sellita com nome Oris próprio de grupo Sellita SW200-1
Rede no Brasil não sim sim não

A leitura é honesta. O Doxa é o mais barato da mesa e o menos fundo dela.

O Mido Ocean Star 600 entra R$ 1.224 acima com três vezes a profundidade e tem assistência no Brasil. O Oris Aquis custa R$ 6.936 a mais.

O que só o Doxa tem é a história do laranja e um preço que não muda com a cor.

As seis referências custam exatamente o mesmo. Você escolhe cor, e só.
As seis referências custam exatamente o mesmo. Você escolhe cor, e só.

Qual comprar

Compre o laranja se a marca é o motivo. É a cor que a casa testou no lago em 1966 e a única que conta a história inteira.

Compre o Aquamarine turquesa se você quer a versão menos vista. Custa o mesmo.

Compre o preto se o relógio precisa passar despercebido no trabalho.

Compre o prata se você quer o mais discreto dos seis.

Não compre se você precisa de assistência local. É a fraqueza real e ela não tem contorno.

Não compre pela profundidade. Duzentos metros é bom e não é o argumento da marca, e existe mais fundo por menos.

Perguntas frequentes

O relógio Doxa é bom?

É um automático suíço de 200 metros com calibre ETA 2824-2, bem construído e com história real de mergulho. O que pesa contra é o preço para esse calibre e a ausência de assistência no Brasil.

Quanto custa um Doxa no Brasil?

R$ 12.240. As seis referências à venda custam exatamente o mesmo valor, e a única diferença entre elas é a cor do mostrador.

Por que o Doxa tem mostrador laranja?

Porque a marca testou várias cores debaixo d’água em 1966, no lago de Neuchâtel, e o laranja se mostrou o mais legível até trinta metros de profundidade.

Quantos metros o Doxa Sub 200 aguenta?

Duzentos metros, o que cobre mergulho recreativo com folga. O Sub 300 histórico, de 1966, fazia trezentos.

Qual movimento o Doxa usa?

ETA 2824-2, um dos automáticos suíços mais fabricados do mundo. É confiável e fácil de consertar, e não é exclusivo da marca.

O Doxa tem relação com Jacques Cousteau?

Tem. A US Divers, empresa de Cousteau, passou a distribuir o Sub 300 com exclusividade nos Estados Unidos depois de 1966 e usou os relógios nas expedições da equipe.

O que fica

A Doxa chega ao Brasil com uma proposta de compra que quase não existe no catálogo.

As seis referências custam exatamente R$ 12.240, o que remove o preço da decisão inteira. Você escolhe cor, e só.

A cor tem uma razão documentada. O laranja venceu um teste de legibilidade debaixo d’água em 1966, contra a convenção do mostrador preto, e virou a assinatura da casa depois que a equipe de Cousteau adotou o relógio.

O que a ficha entrega hoje é mais modesto que a lenda. São 200 metros, calibre ETA 2824-2 e 13,8 mm de altura, num preço em que a concorrência oferece mais profundidade e assistência local.

Ou seja, você está pagando pela história e pela cor. Isso é uma escolha legítima, desde que seja consciente. Se o critério for ficha por real gasto, a mesa toda bate ele.

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