Doxa vale a pena? Seis referências, um preço só, e a escolha é a cor
Existe uma marca no catálogo em que o preço não participa da decisão. As seis referências custam o mesmo número, até o último real, e a única pergunta que sobra é a cor do mostrador.
Comprar relógio quase sempre é escolher entre patamares de preço.
Aqui não é. E isso muda completamente como a decisão funciona.
Um preço, seis cores
Levantamos o catálogo. São 6 referências Doxa no Brasil, e o dado é este:
As seis custam exatamente R$ 12.240.
| Peça | Preço |
|---|---|
| Sub 200 preto | R$ 12.240 |
| Sub 200 azul | R$ 12.240 |
| Sub 200 laranja | R$ 12.240 |
| Sub 200 amarelo | R$ 12.240 |
| Sub 200 prata | R$ 12.240 |
| Sub 200 Aquamarine turquesa | R$ 12.240 |
Não é arredondamento e não é coincidência de vitrine. É a mesma peça em seis mostradores, e a marca não cobra a mais por nenhum deles.
Isso é raro no catálogo. Comparando com marcas de porte parecido, o Baltic HMS tem seis das sete referências no mesmo preço, e é o caso mais próximo. Preço único em cem por cento da linha não acontece em quase nenhum lugar.
E tem uma consequência prática boa. Você não vai pagar mais caro por gostar da cor errada, que é exatamente o que acontece com edição limitada de cor em outras marcas.
A ficha do grupo é uniforme:
| Sub 200 | |
|---|---|
| Movimento | automático |
| Calibre | ETA 2824-2 |
| Água | 200 metros |
| Espessura | 13,8 mm |
| Garantia | 2 anos |
Por que o laranja existe
Aqui está a parte que dá sentido à linha, e ela é de 1966.
A retrospectiva da Monochrome sobre o Sub 300 conta a história com detalhe verificável.
A Doxa apresentou o Sub 300 em 1966, na feira de Basileia, com venda ao público a partir de 1967. Ele foi desenhado do zero, e não como resposta ao que a concorrência fazia.
E o mostrador laranja não foi capricho de designer. A equipe testou várias cores brilhantes debaixo d’água, no lago de Neuchâtel, em profundidades diferentes. O laranja se provou a cor mais legível até trinta metros de profundidade.
Isso num momento em que todo mergulhador do mercado tinha mostrador preto. A marca fez o teste e seguiu o resultado, mesmo que ele contrariasse a convenção.
O segundo achado do Sub 300 foi o bisel. Ele trazia marcações espelhadas na tabela de não descompressão da Marinha americana, ou seja, o mergulhador lia no bisel não só o tempo, mas a profundidade até a qual podia ficar sem parada de descompressão.
E existe o carimbo de credibilidade. Depois de uma sugestão do mergulhador francês Claude Wesly, a marca procurou a US Divers, empresa de Jacques Cousteau.
A equipe gostou tanto que passou a distribuir o relógio com exclusividade nos Estados Unidos e a usar a peça nas próprias expedições.
Ou seja: a cor que hoje parece ousadia de marketing nasceu de um teste de legibilidade, e as seis referências brasileiras são herdeiras diretas dele.

O que o Sub 200 entrega
Vale separar o mito da ficha, porque o Sub 200 de hoje não é o Sub 300 de 1966.
São 200 metros de água, e não 300. O nome diz a profundidade, e a régua do que cada patamar cobre está em 30, 50, 100 e 200 metros. Duzentos metros é mergulho recreativo com folga larga.
O calibre é ETA 2824-2, que é um dos movimentos automáticos suíços mais fabricados do mundo. Isso é bom e é morno ao mesmo tempo: é confiável e barato de consertar, e não é exclusivo de jeito nenhum.
Sendo mecânico, ele também erra mais que qualquer quartzo, diferença explicada no comparativo da Monochrome e medida em quantos segundos um relógio pode errar.
A espessura é 13,8 mm. Isso é grosso. A mediana do catálogo brasileiro é 11,6 mm, e mesmo entre os relógios de 200 metros, que já são altos, a mediana é 13,0 mm, conta detalhada em a espessura do relógio.
Ou seja, ele é mais alto que a mediana da própria categoria dele. Não é peça para punho de camisa.
O panorama do que define um mergulhador está no texto técnico da Monochrome.
Onde ele perde
Vale listar, porque é onde nasce o arrependimento.
Doze mil reais é muito para um ETA 2824-2. O mesmo calibre roda em peças de metade do preço, e quem compra está pagando pela marca e pela história, não pelo motor.
Treze vírgula oito milímetros. É alto até para mergulhador, e some sob a manga com dificuldade.
Não existe rede no Brasil. Marca pequena e sem representação local, com o custo que está em revisão de relógio quanto custa.
A ficha da loja é incompleta. Quatro das seis referências não publicam água nem espessura, e o dado precisa ser perguntado antes de fechar.
São 200 metros, não 300. Quem procura o herdeiro literal do Sub 300 de 1966 está olhando outra linha da marca, que não está à venda aqui.
Contra a vizinhança
A faixa de doze a dezessete mil reais, entre mergulhadores.
| Doxa Sub 200 | Oris Aquis | Mido Ocean Star 600 | Sinn EZM 3 | |
|---|---|---|---|---|
| Piso | R$ 12.240 | R$ 19.176 | R$ 13.464 | R$ 19.176 |
| Água | 200 m | 300 m | 600 m | 500 m |
| Espessura | 13,8 mm | 10 a 14 mm | 14,1 a 14,6 mm | 12,3 mm |
| Calibre | ETA 2824-2 | Sellita com nome Oris | próprio de grupo | Sellita SW200-1 |
| Rede no Brasil | não | sim | sim | não |
A leitura é honesta. O Doxa é o mais barato da mesa e o menos fundo dela.
O Mido Ocean Star 600 entra R$ 1.224 acima com três vezes a profundidade e tem assistência no Brasil. O Oris Aquis custa R$ 6.936 a mais.
O que só o Doxa tem é a história do laranja e um preço que não muda com a cor.

Qual comprar
Compre o laranja se a marca é o motivo. É a cor que a casa testou no lago em 1966 e a única que conta a história inteira.
Compre o Aquamarine turquesa se você quer a versão menos vista. Custa o mesmo.
Compre o preto se o relógio precisa passar despercebido no trabalho.
Compre o prata se você quer o mais discreto dos seis.
Não compre se você precisa de assistência local. É a fraqueza real e ela não tem contorno.
Não compre pela profundidade. Duzentos metros é bom e não é o argumento da marca, e existe mais fundo por menos.
Perguntas frequentes
O relógio Doxa é bom?
É um automático suíço de 200 metros com calibre ETA 2824-2, bem construído e com história real de mergulho. O que pesa contra é o preço para esse calibre e a ausência de assistência no Brasil.
Quanto custa um Doxa no Brasil?
R$ 12.240. As seis referências à venda custam exatamente o mesmo valor, e a única diferença entre elas é a cor do mostrador.
Por que o Doxa tem mostrador laranja?
Porque a marca testou várias cores debaixo d’água em 1966, no lago de Neuchâtel, e o laranja se mostrou o mais legível até trinta metros de profundidade.
Quantos metros o Doxa Sub 200 aguenta?
Duzentos metros, o que cobre mergulho recreativo com folga. O Sub 300 histórico, de 1966, fazia trezentos.
Qual movimento o Doxa usa?
ETA 2824-2, um dos automáticos suíços mais fabricados do mundo. É confiável e fácil de consertar, e não é exclusivo da marca.
O Doxa tem relação com Jacques Cousteau?
Tem. A US Divers, empresa de Cousteau, passou a distribuir o Sub 300 com exclusividade nos Estados Unidos depois de 1966 e usou os relógios nas expedições da equipe.
O que fica
A Doxa chega ao Brasil com uma proposta de compra que quase não existe no catálogo.
As seis referências custam exatamente R$ 12.240, o que remove o preço da decisão inteira. Você escolhe cor, e só.
A cor tem uma razão documentada. O laranja venceu um teste de legibilidade debaixo d’água em 1966, contra a convenção do mostrador preto, e virou a assinatura da casa depois que a equipe de Cousteau adotou o relógio.
O que a ficha entrega hoje é mais modesto que a lenda. São 200 metros, calibre ETA 2824-2 e 13,8 mm de altura, num preço em que a concorrência oferece mais profundidade e assistência local.
Ou seja, você está pagando pela história e pela cor. Isso é uma escolha legítima, desde que seja consciente. Se o critério for ficha por real gasto, a mesa toda bate ele.