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Relógio alemão vale a pena? São 3,9% do catálogo e 38% da corda manual

Maison Garde & Co. 7 min de leitura
Relógio de aviação alemão de mostrador preto e correia marrom sobre madeira escura

A Suíça vende marca, o Japão vende escala, e a Alemanha vende uma coisa muito mais estreita. Os números do catálogo brasileiro mostram exatamente qual.

Quase toda conversa sobre relógio começa e termina na Suíça, com uma parada no Japão.

A Alemanha aparece pouco, vende pouco, e o que ela vende é bem diferente do resto da prateleira.

Quem é alemão no Brasil

Levantamos o catálogo inteiro. São 92 referências alemãs, de R$ 3.978 a R$ 20.400, com mediana em R$ 11.118.

Marca Referências Faixa Mediana
Laco 68 R$ 3.978 a R$ 20.094 R$ 11.118
Nomos 12 R$ 15.504 a R$ 19.380 R$ 16.932
Sinn 6 R$ 13.260 a R$ 20.400 R$ 16.320
Stowa 6 R$ 9.486 a R$ 13.260 R$ 12.240

Noventa e duas referências de 2.357. A Alemanha é 3,9% do catálogo brasileiro, e três das quatro marcas têm menos de treze peças cada.

A Laco sozinha é 68 das 92, e sustenta o piso da categoria: as referências mais baratas do grupo são dois Pilot Basic Aachen a R$ 3.978.

O panorama geográfico está no guia da Monochrome sobre os polos da relojoaria, que aponta Glashütte como a capital relojoeira alemã e Pforzheim como o outro polo, e cita nominalmente a Nomos e a Laco.

Noventa e seis por cento é mecânica

Aqui está o número que define a categoria, e ele é uma anomalia.

Classificamos o movimento das 92 referências alemãs:

Movimento Referências
Automático 67
Corda manual 21
Quartzo 3
Não classificado 1

Some as duas primeiras linhas. Oitenta e oito das 92 são mecânicas, ou 96%.

Agora compare com o catálogo inteiro. Entre as 1.983 referências brasileiras cujo movimento dá para classificar, 1.395 são mecânicas, ou 70%.

Mecânicas
Alemãs 96%
Catálogo brasileiro 70%

Três referências alemãs de quartzo, num grupo de 92. Praticamente não existe alemão a pilha à venda aqui, e as três exceções são Laco de entrada.

Isso é uma declaração de posicionamento. A régua de precisão está em quantos segundos um relógio pode errar, e ela é dura com a mecânica: quartzo mede melhor, com margem larga, como mostra o comparativo da Monochrome.

Ou seja, essas marcas escolheram deliberadamente a tecnologia que erra mais.

Oitenta e oito das 92 referências alemãs são mecânicas, contra 70% do catálogo.
Oitenta e oito das 92 referências alemãs são mecânicas, contra 70% do catálogo.

O dado da corda manual

Este é o achado mais estreito e o mais revelador.

Corda manual é rara no Brasil. De 1.983 referências classificadas, apenas 56 dão corda à mão, ou 2,8%. Todo o resto se enrola sozinho ou funciona a pilha.

Agora veja de onde saem essas 56:

Marca Corda manual
Hamilton 24
Laco 10
Nomos 10
Maen 5
Baltic 3
Tissot 2
Outras 2

Some as alemãs: Laco 10, Nomos 10 e Stowa 1 dão 21.

Leia os dois números juntos e a conta salta. As alemãs são 3,9% do catálogo e 38% de toda a corda manual do país. Elas estão dez vezes mais representadas nessa tecnologia do que no mercado em geral.

Corda manual não é economia, é escolha. Um movimento sem rotor é mais fino, e o dono precisa dar corda todo dia para o relógio não parar. É a forma mais deliberadamente antiquada de vender hora.

E há um segundo padrão na mesma direção. Entre as alemãs que publicam a lista de funções, 48 não têm data e 11 têm, ou seja, 81% abrem mão da janela, contra 29% do catálogo, levantamento que está em relógio sem data.

Mecânica, corda à mão, mostrador sem data. É o mesmo gosto, repetido em três linhas de ficha diferentes.

O que a Alemanha faz diferente

Vale nomear, porque as marcas partilham vocabulário visual.

Mostrador Bauhaus. O guia da Monochrome descreve a escola alemã como mostradores sem excesso, com índices finos e texto mínimo. É a estética da Nomos, tratada em Nomos vale a pena.

Platina de três quartos. Em vez de várias pontes pequenas, uma placa grande segurando o mecanismo, o que dá mais rigidez.

Prata alemã. Uma liga de cobre, níquel e zinco usada nas peças do movimento, que envelhece com um tom quente em vez do branco do latão banhado.

Mostrador de aviação. É o que a Laco e a Stowa vendem. Números enormes, triângulo no topo, leitura em um décimo de segundo. O tipo está explicado em o que é um relógio de piloto.

Engenharia declarada. É a via da Sinn, tratada em Sinn vale a pena. A ficha da marca lista o que ela publica como argumento de venda: antimagnetismo por norma DIN, faixa de operação de 45 graus negativos a 80 positivos, e aço de submarino.

E vale o contraponto honesto: três das quatro marcas usam movimento suíço. A Sinn roda Sellita, a Stowa roda Sellita, e boa parte da Laco roda Miyota japonês.

A Nomos é a única das quatro que fabrica o próprio calibre. Alemão, aqui, quer dizer projeto e montagem, e nem sempre o motor.

As alemãs são 3,9% do catálogo e 38% de toda a corda manual do país.
As alemãs são 3,9% do catálogo e 38% de toda a corda manual do país.

Onde a categoria perde

Vale listar, porque é onde nasce o arrependimento.

Assistência é o problema real. Nenhuma das quatro tem rede no Brasil, e o custo está em revisão de relógio quanto custa.

A água é modesta. Quarenta e duas das 92 param em 50 metros, régua que está em 30, 50, 100 e 200 metros.

O reconhecimento é baixo. Nenhum dos quatro nomes é identificado numa mesa brasileira, ao contrário de Tissot ou Seiko.

A entrada é alta. Fora a Laco, a categoria só começa perto de dez mil reais.

Corda manual cansa. Quem nunca teve um subestima o ritual diário, e é a reclamação mais comum de quem devolve.

Qual comprar

Compre a Laco Pilot Basic a R$ 3.978 se você quer entrar na categoria pelo menor preço. É o mostrador de aviação alemão clássico.

Compre a Stowa a partir de R$ 9.486 se você quer o Flieger com movimento Sellita e um desenho mais sóbrio. São 6 referências, até R$ 13.260.

Compre a Sinn a partir de R$ 13.260 se engenharia publicada é o argumento. É a marca que vende número de ficha.

Compre a Nomos a partir de R$ 15.504 se o mostrador Bauhaus e o calibre próprio são o motivo. É a única das quatro que fabrica o movimento.

Não compre se assistência local pesa na decisão. É a fraqueza estrutural da categoria e ela não tem contorno.

Perguntas frequentes

Quais marcas de relógio alemãs existem no Brasil?

Quatro com presença real: Laco com 68 referências, Nomos com 12, Sinn com 6 e Stowa com 6. Somam 92 referências, ou 3,9% do catálogo.

Relógio alemão é bom?

Dentro do que ele se propõe, sim. A categoria é quase toda mecânica, com 88 referências de 92, e vende mostrador limpo e construção antes de marca.

Quanto custa um relógio alemão no Brasil?

De R$ 3.978 a R$ 20.400, com mediana em R$ 11.118. Fora a Laco, a categoria só começa perto de dez mil reais.

Qual a diferença entre relógio alemão e suíço?

O alemão concentra mecânica e mostrador sem excesso, e é onde mora 38% de toda a corda manual do país. O suíço tem escala, rede de assistência e reconhecimento de marca muito maiores.

Relógio alemão usa movimento próprio?

Depende da marca. A Nomos fabrica o próprio calibre. Sinn e Stowa usam Sellita suíço, e boa parte da Laco usa Miyota japonês.

Qual o relógio alemão mais barato do Brasil?

Um Laco Pilot Basic Aachen a R$ 3.978. Depois dele a categoria salta para perto de R$ 4.600.

O que fica

A Alemanha ocupa um canto pequeno e muito bem definido do catálogo brasileiro.

São 92 referências, ou 3,9% do mercado, e três das quatro marcas cabem em menos de treze peças cada.

Oitenta e oito delas são mecânicas, ou 96%, contra 70% do catálogo. E o dado que fecha o retrato é o mais estreito: as alemãs concentram 38% de toda a corda manual à venda no país, dez vezes o peso que elas têm no mercado.

Some a isso o mostrador. Oitenta e um por cento das que declaram funções não têm data, contra 29% do catálogo.

Mecânica, corda à mão, mostrador limpo. Não é uma coincidência de sortimento, é uma posição, e ela custa assistência local e reconhecimento de mesa.

Se essas três coisas são exatamente o que você procura, existe um lugar do catálogo que fala só disso. Se você quer rede de assistência e nome conhecido, ele é o lugar errado.

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