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Rattrapante: a complicação mais cara da relojoaria custa R$ 4.080 aqui

Maison Garde & Co. 6 min de leitura
Cronógrafo Tissot de mostrador antracite e pulseira azul de tecido, com bisel de taquímetro

Em relojoaria mecânica, esta é uma das complicações mais difíceis que existem. No catálogo brasileiro ela aparece 25 vezes, a partir de quatro mil reais. As duas frases são verdadeiras.

Existe uma palavra francesa no mostrador de alguns cronógrafos que quase ninguém sabe ler.

Ela descreve um movimento físico, e o movimento explica tudo.

O que rattrapante faz

Rattrapante quer dizer “que alcança”, em francês.

E é literalmente isso que a agulha faz. O verbete da Monochrome define assim: é um cronógrafo com uma agulha de segundos a mais, e um botão a mais, que consegue cronometrar dois eventos que começam juntos e terminam em momentos diferentes.

Na prática, o ciclo é este:

Você dispara. As duas agulhas de segundo saem juntas, uma exatamente em cima da outra, e você enxerga só uma.

Você aperta o botão extra. Uma agulha congela e você lê o tempo parcial. A outra continua girando, sem interrupção.

Você aperta de novo. A agulha parada alcança a que está andando, num salto, e as duas voltam a girar sobrepostas.

O nome descreve esse salto. Nada mais.

O caso clássico é a corrida. Você quer o tempo da volta e o tempo total, e não quer parar o relógio para ter os dois. Com rattrapante, você tem.

O panorama completo de cronógrafos está no guia técnico da Monochrome, e o vocabulário básico de cronógrafo em cronógrafo vale a pena.

Por que ele deveria ser caríssimo

Aqui está o motivo de a palavra impressionar quem conhece.

Num relógio mecânico, o rattrapante é uma das construções mais difíceis que existem. O mesmo guia da Monochrome descreve o mecanismo de segundos partidos como estando entre os mais complexos de projetar e de fabricar.

O motivo é físico. Para uma agulha parar enquanto a outra segue, o relógio precisa de uma pinça que agarra uma roda de coração e a segura imóvel, sem travar o resto do mecanismo que continua andando.

E quando você solta, essa roda tem que girar até a posição exata da outra agulha, instantaneamente e sem erro.

São peças a mais, atrito a mais e ajuste manual a mais. Por isso, na relojoaria mecânica, rattrapante mora na mesma prateleira do calendário perpétuo e do repetidor de minutos.

Isso cria uma expectativa de preço muito alta. E é essa expectativa que faz o catálogo brasileiro parecer estranho.

As duas agulhas saem sobrepostas, e uma delas congela quando você aperta o botão extra.
As duas agulhas saem sobrepostas, e uma delas congela quando você aperta o botão extra.

As 25 referências e o truque

Levantamos o catálogo. Vinte e cinco referências declaram rattrapante, de R$ 4.080 a R$ 9.894, com mediana em R$ 5.202.

Agora o dado que resolve o mistério:

Nenhuma das 25 é mecânica. As 25 são de quartzo.

Referências
Quartzo 25
Mecânicas 0

E isso não é pegadinha da loja, é engenharia. Num movimento de quartzo, a segunda agulha não precisa de pinça nem de roda de coração. Ela tem um motor próprio e um circuito que decide quando ela para e quando ela salta para alcançar a outra.

Ou seja: a mesma função, por um caminho completamente diferente. O que é carríssimo em metal é barato em eletrônica.

Por marca:

Marca Referências Faixa
Tissot 23 R$ 4.080 a R$ 6.630
Hamilton 2 R$ 9.690 a R$ 9.894

As linhas que concentram a função são SuperSport com 9, Seastar com 6 e XL Classic com 3, e o topo são os dois Hamilton Khaki Aviation X-Wind, da marca tratada em a Hamilton é suíça ou americana.

A ficha do grupo é consistente. As 25 declaram 2 anos de garantia, a espessura vai de 11 a 14 mm e a água se distribui assim:

Água Referências
100 metros 17
300 metros 5
200 metros 3
Vinte e cinco referências declaram rattrapante, e as vinte e cinco são de quartzo.
Vinte e cinco referências declaram rattrapante, e as vinte e cinco são de quartzo.

Vale a nota honesta: existe purista que não chama isso de rattrapante, porque a proeza histórica é mecânica. A discussão é justa, e não muda o que acontece no seu pulso. A diferença entre as duas tecnologias está no comparativo da Monochrome.

Quando isso importa para você

Vale ser franco, porque a função é linda e o uso é estreito.

Se você cronometra voltas, é a função certa. Kart, natação, corrida de rua com parciais, qualquer coisa com trechos dentro de um total.

Se você cozinha ou treina por intervalos, o cronógrafo comum já resolve. A agulha extra não acrescenta nada.

Se você nunca usou o cronógrafo do relógio que tem hoje, o rattrapante não vai mudar isso. É mais uma função para não usar.

E existe um efeito colateral que ninguém menciona:

O mostrador fica mais cheio. Duas agulhas centrais de segundo, mais os contadores do cronógrafo, mais data. Em peça pequena isso vira poluição.

O botão extra confunde. Ele fica em posição diferente em cada linha, e é comum o dono levar meses até descobrir para que serve.

Onde ele perde

A altura. Nenhuma das 25 desce de 11 mm, e a mediana do catálogo é 11,6 mm. Cronógrafo é grosso por natureza, conta detalhada em a espessura do relógio.

Não é a proeza que o nome sugere. Quem compra achando que leva alta relojoaria mecânica está comprando outra coisa.

Pilha. São 25 relógios de quartzo, com a troca e o custo que isso implica.

A revenda é indiferente. O mercado de usado não paga a mais pela função nessa faixa, lógica que está em relógio é investimento.

Qual comprar

Compre o Tissot XL Classic a R$ 4.080 se você quer a função pelo menor preço. É o piso da lista e faz 100 metros.

Compre o Tissot SuperSport a partir de R$ 4.488 se você quer a linha com mais opções de cor. São 9 referências.

Compre o Tissot Seastar a partir de R$ 6.222 se água pesa. São as referências de 300 metros da lista.

Compre o Hamilton X-Wind a R$ 9.690 se o mostrador de aviação é o motivo. Ele soma segundo fuso à conta.

Não compre pela palavra. Se você não cronometra parciais, o cronógrafo simples entrega o mesmo por menos e com mostrador mais limpo.

Perguntas frequentes

O que significa rattrapante?

É francês para “que alcança”. Descreve a agulha de segundos extra que fica parada e depois salta para alcançar a agulha que continuou girando.

Para que serve um relógio rattrapante?

Para cronometrar dois eventos que começam juntos e terminam em momentos diferentes, como uma volta dentro de uma corrida. Você lê o tempo parcial sem interromper o total.

Quanto custa um relógio rattrapante no Brasil?

De R$ 4.080 a R$ 9.894, em 25 referências, com mediana em R$ 5.202.

Por que o rattrapante é considerado caro?

Porque na versão mecânica ele é uma das construções mais complexas da relojoaria, com pinça, roda de coração e ajuste manual. As 25 referências brasileiras são de quartzo, onde a mesma função sai por um caminho eletrônico.

Rattrapante de quartzo conta como rattrapante?

Faz exatamente o mesmo trabalho para quem usa. O que ele não é, é a proeza mecânica que dá fama à palavra, e há quem faça essa distinção.

Qual a diferença entre rattrapante e cronógrafo comum?

O cronógrafo comum mede um intervalo por vez. O rattrapante mede um intervalo dentro de outro, com duas agulhas de segundo em vez de uma.

O que fica

Rattrapante é uma palavra que carrega um mito de preço, e o catálogo brasileiro desmonta esse mito de um jeito específico.

São 25 referências, de R$ 4.080 a R$ 9.894, e a função faz o que promete: uma agulha congela para você ler o parcial, a outra segue, e depois a primeira alcança a segunda num salto.

Nenhuma delas é mecânica. Em metal, o mecanismo está entre os mais complexos de fabricar. Em quartzo, ele vira um segundo motor e um circuito, e o preço despenca.

Isso não é defeito. É a mesma função por outro caminho, e quem cronometra voltas leva a utilidade inteira por quatro mil reais.

O que não dá é comprar a palavra achando que ela vem com a proeza. A proeza está em outra prateleira, e ela não custa quatro mil.

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