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Material da caixa do relógio: 89% do mercado é a mesma coisa

Maison Garde & Co. 6 min de leitura
Caixas de relógio em aço, titânio e bronze lado a lado sobre pedra escura

A ficha diz aço inoxidável e a maior parte das pessoas para de ler ali. Existem dois aços diferentes em uso, e só um de cada dez relógios diz qual dos dois está no pulso.

Material de caixa é a linha da ficha que quase todo comprador lê e quase ninguém interroga.

Levantamos ela em duas mil e vinte e quatro referências, e o retrato tem uma surpresa e uma omissão.

O que o catálogo tem

A surpresa é o tamanho da concentração.

Material Referências Fatia Piso
Aço inoxidável 1.599 79% R$ 1.530
Aço 316L declarado 215 10% R$ 3.264
Titânio 109 5% R$ 3.060
Aço com revestimento 43 2% R$ 3.264
Ouro 22 1% R$ 3.570
Cerâmica 21 1% R$ 4.284
Bronze 9 menos de 1% R$ 8.364
Carbono 5 menos de 1% R$ 3.876

Some as duas primeiras linhas e você tem 89% do mercado. Nove em cada dez relógios à venda no Brasil têm caixa de aço, e o resto inteiro divide 11%.

Isso muda como a decisão deve ser tomada. Material de caixa quase nunca é uma escolha, é o padrão. Quando ele deixa de ser aço, aí sim vira informação.

O panorama do material está no verbete de aço inoxidável da Monochrome.

A omissão dos 316L

Aqui está o achado, e ele é sobre o que a ficha não diz.

Só 215 das 2.024 referências dizem qual aço é. As outras 1.599 escrevem apenas aço inoxidável, sem grau nenhum.

E existem dois aços em uso corrente na relojoaria, com diferença real:

Aço comum Aço 316L
Também chamado de 304 grau marítimo
Molibdênio na liga não sim
Resiste a água salgada menos mais
Libera níquel na pele mais menos
Aparece na ficha 1.599 vezes 215 vezes

O molibdênio é o que muda tudo. Ele é o elemento que segura a corrosão por cloreto, que é o que existe em água salgada e em suor.

Duas consequências práticas:

Se o relógio vai ao mar, 316L é a resposta certa, e é por isso que quase todo mergulhador sério declara o grau, exigência descrita no panorama técnico da Monochrome sobre mergulhadores.

Se você tem alergia a níquel, 316L libera menos, e isso é a diferença entre usar e não usar.

Agora a nota honesta, porque ela evita paranoia. Muita referência que não declara o grau usa 316L mesmo assim, e simplesmente não escreve. A omissão não prova que é aço comum, prova que a loja não publicou.

O que ela significa na prática é outra coisa: se o grau importa para você, você precisa perguntar, porque em 79% dos casos a ficha não responde.

Só 215 de 2.024 referências dizem qual aço é.
Só 215 de 2.024 referências dizem qual aço é.

Titânio começa mais barato do que parece

Vale abrir uma seção, porque o preço de entrada surpreende.

São 109 referências de titânio, e a mais barata custa R$ 3.060.

Titânio pesa cerca de metade do aço e quase não causa alergia, e a régua completa está em relógio de titânio vale a pena e no verbete da Monochrome.

O defeito histórico dele é ser mole, o que faz riscar com facilidade. Marcas japonesas atacam isso com tratamento de superfície, como mostra Citizen Attesa vale a pena.

Repare no que isso significa dentro da tabela. Titânio entra R$ 204 abaixo do piso do aço 316L declarado. Ele não é um material de luxo, é um material de nicho, e o nicho tem preço de entrada normal.

Onde ele aparece com mais força é em mergulhador, porque metade do peso importa muito quando a caixa é grande, e os casos estão em Certina DS Action Diver e Baltic Aquascaphe vale a pena.

Os materiais raros

Vale listar os quatro que somam menos de 3% do catálogo, porque cada um resolve um problema diferente.

Cerâmica, 21 referências, piso R$ 4.284. Ela é o único material da lista que praticamente não risca, e o defeito é que ela lasca em queda. Cor permanente, sem desbotar.

Ouro, 22 referências, piso R$ 3.570. Esse piso baixo entrega o que ele é: quase tudo é revestimento e não ouro maciço, distinção que está em relógio dourado vale a pena.

Bronze, 9 referências, piso R$ 8.364. É o material mais caro de entrar do catálogo, e é o único que muda de cor de propósito, ganhando pátina com o uso, como no Baltic Hermétique.

Carbono, 5 referências, piso R$ 3.876. Muito leve e muito resistente, com padrão visual que nunca se repete entre duas peças.

Aço com revestimento, 43 referências. É o aço com camada preta ou colorida depositada a vácuo, e a régua de durabilidade está em relógio dourado vale a pena.

O que a ficha não conta

Vale listar, porque material sozinho não resolve a compra.

O acabamento pesa mais que a liga. Aço escovado e aço polido no mesmo grau se comportam de forma diferente com risco, e o polido denuncia tudo.

A espessura muda o peso mais que o material. Um aço fino pesa menos que um titânio grosso, e a conta está em a espessura do relógio.

Revestimento não é material. Aço com PVD preto continua sendo aço embaixo, e o que acaba é a camada.

Ninguém publica o grau do titânio. Existem vários, e a ficha brasileira não distingue nenhum.

Cerâmica lasca, não risca. Ela troca um defeito por outro, e o outro é pior porque não tem conserto.

Nove em cada dez relógios do catálogo têm caixa de aço.
Nove em cada dez relógios do catálogo têm caixa de aço.

Como escolher

Se o relógio vai ao mar, procure 316L declarado. É o grau que resiste melhor ao cloreto da água salgada e do suor.

Se você tem alergia a níquel, procure 316L ou titânio. Os dois liberam menos níquel que o aço comum.

Se peso incomoda, titânio resolve por R$ 3.060, e ele não é caro como a fama sugere.

Se você odeia risco, cerâmica é a única resposta real, e ela custa a partir de R$ 4.284.

Se a ficha não diz o grau, pergunte antes de fechar. Em 79% dos casos ela não diz, e isso não é sinal ruim, é só informação que falta.

Perguntas frequentes

Qual o material mais comum de caixa de relógio?

Aço inoxidável, em 89% do catálogo brasileiro somando as referências que declaram o grau 316L e as que não declaram.

O que significa aço 316L num relógio?

É o aço de grau marítimo, com molibdênio na liga. Ele resiste melhor à corrosão por água salgada e por suor, e libera menos níquel na pele.

Aço 316L é melhor que aço comum?

Para uso em água salgada e para quem tem alergia a níquel, sim. Para uso urbano seco, a diferença é pequena.

Quanto custa o relógio de titânio mais barato do Brasil?

R$ 3.060, entre as 109 referências de titânio do catálogo. Titânio pesa cerca de metade do aço.

Por que a maior parte das fichas não diz o grau do aço?

Porque a loja não publica esse dado. Só 215 de 2.024 referências declaram 316L, e a omissão não prova que o restante use aço comum.

Qual material de caixa não risca?

Cerâmica. Ela praticamente não risca e em troca lasca em queda, o que não tem conserto. São 21 referências no catálogo, a partir de R$ 4.284.

O que fica

Material de caixa parece uma decisão e quase nunca é. Nove em cada dez relógios à venda no Brasil são de aço, e o resto do mundo dos materiais divide onze por cento.

A informação que muda a compra não é qual material, é qual aço. Existem dois em uso corrente, e o 316L tem molibdênio, o que faz ele resistir à corrosão de água salgada e liberar menos níquel na pele.

Só 215 das 2.024 referências dizem qual dos dois está lá dentro. As outras 1.599 escrevem apenas aço inoxidável e param por aí.

E o dado que mais surpreende é o titânio. Ele começa em R$ 3.060, abaixo do piso do 316L declarado, e pesa metade. Não é material de luxo, é material de nicho com preço de entrada normal.

Se o relógio nunca vai ver água salgada e o peso não te incomoda, aço resolve e a conversa acaba aqui. Se alguma dessas duas coisas importa, a ficha provavelmente não vai responder, e a pergunta é sua para fazer.

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