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Oris Big Crown vale a pena? O relógio que salvou a marca

Maison Garde & Co. 8 min de leitura
Oris Big Crown Pointer Date de mostrador cinza-azulado e pulseira de camurça marrom

Depois da crise do quartzo, a Oris quase não existiu. O que salvou a empresa foi tirar da gaveta um relógio de piloto de 1938 e apostar que alguém ainda ia querer.

Quase todo relógio marca a data do mesmo jeito: uma janelinha, um número, e você segue a vida.

Este marca de outro jeito, e o método é mais velho que a janela.

O nome é literal

Comece pelo nome, porque ele descreve uma peça e não uma sensação.

Big Crown quer dizer coroa grande, e a coroa é grande por um motivo prático.

A apresentação da Monochrome sobre o calibre 403 registra a origem: o modelo foi lançado em 1938 como relógio de piloto, com uma coroa superdimensionada para o piloto acertar a hora sem tirar a luva.

É a mesma lógica que produziu tudo o que a categoria tem de característico, e o panorama está em relógio de piloto, o que é.

Repare no que isso significa em 2026. A coroa continua grande porque a proporção virou a assinatura, e não porque alguém ainda usa luva de cabine aberta. Virou desenho, e é honesto que seja.

A data por ponteiro

Aqui está a característica que dá nome ao modelo, e ela é a mais elegante da faixa.

Em vez de uma janela recortada no mostrador, o Big Crown Pointer Date tem um quarto ponteiro central, com a ponta pintada de vermelho, que gira devagar e aponta para um anel de 1 a 31 na borda do mostrador.

A mesma fonte registra a origem da ideia: a complicação foi patenteada em 1915 por A. Hammerly, que também patenteou a janela de data comum.

O mesmo inventor criou as duas formas, e o mercado escolheu uma. Este é o relógio que ficou com a outra.

Janela de data Ponteiro de data
Como se lê número recortado ponteiro no anel
Efeito no mostrador corta a simetria preserva
Legibilidade alta média
Quantos usam hoje quase todos quase ninguém

A vantagem visual é real. Uma janela sempre quebra o desenho de um lado, e um ponteiro não quebra nada, porque ele nasce do mesmo centro que os outros três.

A análise da Monochrome sobre a versão de mostrador vermelho mostra o efeito num mostrador escuro, que é onde o anel de datas some melhor.

A desvantagem também é real. Ler a data leva um segundo a mais, e num anel apertado a diferença entre 17 e 18 exige atenção.

A data é um quarto ponteiro apontando um anel de 1 a 31, e não uma janela.
A data é um quarto ponteiro apontando um anel de 1 a 31, e não uma janela.

O relógio que salvou a marca

Agora a parte que quase ninguém conta, e ela é a mais interessante da história da Oris.

Nos anos 1970 e 1980 a relojoaria mecânica suíça quase desapareceu. Quem sobreviveu, sobreviveu por decisão de alguém.

A Monochrome registra a decisão que salvou esta casa. O Big Crown Pointer Date foi reintroduzido em 1984 pelo diretor-geral Dr. Rolf Portmann, apostando que a nostalgia por relógio mecânico com um traço de história de aviação podia pegar.

E o resumo da fonte é direto: o modelo foi em grande parte responsável pela sobrevivência da marca depois da crise do quartzo.

Ou seja, esta não é uma reedição feita para vender nostalgia. É o produto que manteve a empresa viva, e ele está em produção contínua há mais de 80 anos.

O contexto da casa está em Oris vale a pena, e o mergulhador dela em Oris Aquis vale a pena.

Quanto custa no Brasil

Levantamos o catálogo inteiro. São 14 referências, de R$ 16.830 a R$ 20.400, com mediana em R$ 19.176.

Peça Preço
Piso, Pointer Date azul R$ 16.830
Pointer Date tâmara R$ 16.830
Pointer Date vermelho R$ 17.034
Pointer Date azul 754-1 R$ 17.238
Cervo Volante Limited R$ 19.992
Teto, Pointer Date verde R$ 20.400

A faixa é de 1,21 vez do piso ao teto, estreita, então o orçamento decide pouco aqui.

O calibre que aparece nas fichas é o Oris 754, que é base Sellita, mesma família do 733 do Aquis, tratada em Sellita SW200, o movimento suíço.

O motor de cinco dias não chega aqui

Vale abrir uma seção só para isso, porque é a informação que mais muda a decisão.

A Oris lançou para este modelo um calibre novo, o 403. A apresentação da Monochrome descreve o que ele faz: tambores gêmeos e 120 horas de reserva de marcha, que são cinco dias inteiros.

Cento e vinte horas é um número de outro patamar. Você tira o relógio na sexta e ele ainda está andando na quarta seguinte.

Nenhuma referência brasileira traz esse calibre. As que declaram o movimento trazem o Oris 754, base Sellita, na casa das 40 horas.

Oris 754 Oris 403
Base Sellita própria, tambores gêmeos
Reserva casa das 40 horas 120 horas
Está no Brasil sim, é o que chega não

A conta que isso cria está detalhada em reserva de marcha, 40 ou 80 horas, e o resumo é desconfortável: por R$ 16.830 você leva um motor de 40 horas, enquanto um Tissot de R$ 4.386 leva um de 80.

Isso não é defeito de fabricação, é o que o importador trouxe. E é uma pergunta para fazer antes de fechar, porque a marca tem a resposta melhor lá fora.

Onde ele perde

Vale listar, porque é onde nasce o arrependimento.

A reserva é curta para o preço. Casa das 40 horas em dezessete mil reais, com o motor de 120 horas existindo e não chegando.

Cinquenta metros de água. Onze das 14 referências param aí, e um relógio de piloto não é um relógio de água.

Ler a data é mais lento. É o preço de não ter janela, e incomoda quem confere data toda hora.

A caixa é grande. Big Crown é presença por definição, e o método de medida está em como medir o pulso.

A revenda é média. Oris tem público fiel e não tem a liquidez de nome maior, e a lógica está em relógio é investimento.

Contra a vizinhança

A comparação na faixa de dezesseis a vinte mil reais.

Big Crown Longines Flagship Oris Aquis Nomos Club Campus
Piso R$ 16.830 R$ 13.260 R$ 19.176 R$ 15.504
Reserva casa das 40 h 72 h 41 h cerca de 42 h
Água 50 m 30 m 300 m 100 m
Corda automática automática automática manual
Desenho próprio sim sim sim sim

A leitura é honesta. O Flagship entra R$ 3.570 abaixo com quase o dobro de reserva, e o Aquis faz seis vezes mais água por R$ 2.346 a mais.

O que o Big Crown tem e nenhum deles tem é a data por ponteiro e uma história de produto que é a própria sobrevivência da marca. Isso vale dinheiro para muita gente, e é bom saber que é isso que está sendo pago.

O Flagship resolve melhor a ficha e não tem nada parecido no mostrador.

Onze das catorze param em 50 metros. Relógio de piloto não é relógio de água.
Onze das catorze param em 50 metros. Relógio de piloto não é relógio de água.

Qual comprar

Compre o azul de R$ 16.830 se o modelo é o que te move. É o piso da linha e a diferença para o teto é de 21%.

Compre o Pointer Date, não o Propilot. As três referências Propilot Big Date da mesma família usam janela comum, e aí você perde a razão de comprar este relógio.

Compre uma edição limitada se exclusividade importa. A Cervo Volante fica em R$ 19.992.

Pergunte pelo calibre antes de fechar. Se aparecer um 403, são 120 horas em vez de 40, e isso muda a peça inteira.

Não compre para usar na água. Cinquenta metros não cobre piscina de rotina, e nenhuma referência da linha resolve.

Perguntas frequentes

O que significa Big Crown na Oris?

Coroa grande, e é literal. O modelo nasceu em 1938 como relógio de piloto, com coroa superdimensionada para ser acertada sem tirar a luva.

Como funciona a data por ponteiro?

Um quarto ponteiro central, com a ponta vermelha, gira devagar e aponta para um anel de 1 a 31 na borda do mostrador, em vez de uma janela recortada.

Quanto custa um Oris Big Crown no Brasil?

De R$ 16.830 a R$ 20.400, em 14 referências, com mediana em R$ 19.176.

Qual movimento o Big Crown usa no Brasil?

O Oris 754, base Sellita, na casa das 40 horas de reserva. O calibre 403, de 120 horas, não aparece nas referências brasileiras.

Quantos metros o Oris Big Crown aguenta?

Cinquenta metros em 11 das 14 referências. As outras três são Propilot Big Date e declaram 100 metros.

Por que o Big Crown é importante para a Oris?

Ele foi reintroduzido em 1984 e é apontado como o principal responsável pela sobrevivência da marca depois da crise do quartzo.

O que fica

O Big Crown é um dos poucos relógios em que cada detalhe do desenho tem uma razão verificável, e nenhuma delas é estilo puro.

A coroa é grande porque piloto usava luva. A data é um ponteiro porque a patente de 1915 previa as duas formas e esta ficou com a que o mercado abandonou.

E ele tem uma linha de currículo que quase nenhum produto tem. Foi ele que manteve a Oris viva depois da crise do quartzo, quando um diretor apostou em 1984 que a nostalgia ia pegar.

O que pesa contra é a ficha que chega aqui. Cinquenta metros e a casa das 40 horas de reserva, por dezesseis mil oitocentos e trinta, com o motor de cinco dias existindo e ficando do lado de fora.

Se a data por ponteiro é o que te move, não existe substituto na faixa. Se você está comparando ficha por ficha, essa comparação ele não ganha.

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