Tissot Ballade vale a pena? Todo automático dela é cronômetro certificado
Existem quarenta relógios certificados pelo COSC à venda no Brasil. Quatro deles estão na mesma linha da Tissot, e ela é a única em que o selo não é exceção.
A Ballade é a linha que a Tissot menos anuncia, e é onde ela guarda uma decisão que nenhuma outra linha da casa tomou.
Ela não fez isso em uma referência de vitrine. Fez em todas as que podia.
A linha tem dois produtos
Levantamos o catálogo inteiro e a primeira coisa que aparece não é um número técnico, é um buraco no meio da tabela de preço.
| Peça | Preço |
|---|---|
| Piso, Ballade dois tons quartzo | R$ 3.978 |
| Ballade azul quartzo | R$ 4.182 |
| Ballade verde quartzo | R$ 4.284 |
| Ballade prata quartzo | R$ 4.488 |
| Powermatic 48 COSC | R$ 8.568 |
| Powermatic 80 COSC azul | R$ 8.772 |
| Teto, Powermatic 80 COSC dois tons | R$ 9.282 |
Repare no salto entre a quarta e a quinta linha. São R$ 4.080 de diferença sem nada no meio, e é ali que a linha deixa de ser uma coisa e vira outra.
Embaixo são sete referências de quartzo, com calibres ETA F06.115 e F05.115, que são os mesmos do PR 100, tratado em Tissot PR 100 vale a pena.
Em cima são quatro automáticos, todos com Powermatic e todos com uma palavra a mais no nome.
Todo automático é certificado
Aqui está o achado, e ele é o motivo deste post existir.
As quatro referências automáticas da Ballade trazem COSC no nome. Não uma delas, não a mais cara. As quatro.
COSC é o instituto suíço que testa movimentos, e a definição da Monochrome lembra que a palavra cronômetro é protegida por lei na Suíça: nenhum relógio pode ser chamado assim sem esse certificado.
O que o ensaio cobra está em o que é um cronômetro certificado e no glossário da Monochrome.
Agora ponha isso em contexto. Levantamos o catálogo brasileiro inteiro pelas duas formas em que o selo aparece, Chronometer e COSC:
| Marca | Referências certificadas |
|---|---|
| Mido | 18 |
| Tissot | 7 |
| Christopher Ward | 6 |
| Certina | 5 |
| Frederique Constant | 4 |
São 40 no total, de R$ 5.202 a R$ 19.278. E quatro das sete da Tissot estão na Ballade, que é uma linha de onze referências.
Nenhuma outra linha da marca concentra tanto. Isso não é acaso de estoque, é posicionamento: a Ballade é onde a Tissot põe o selo.
Vale a nota honesta. A Ballade não é o cronômetro automático mais barato do Brasil. Esse posto é do Tissot Heritage 1938, a R$ 7.956, e o piso geral da certificação é R$ 5.202, num Certina de quartzo tratado em Certina DS Podium vale a pena.

Os 100 metros em todas
Vale registrar, porque é raro numa linha de vestir.
As 11 referências brasileiras declaram 100 metros de água. Sem exceção, e sem uma versão social enfraquecida embaixo.
Compare com o resto da prateleira clássica da própria marca:
| Linha | Água |
|---|---|
| Ballade | 100 m |
| Chemin des Tourelles | 50 m |
| Le Locle | 30 m |
O Chemin des Tourelles fica na metade e o Le Locle em um terço, sendo os dois relógios da mesma vocação.
Ou seja, a Ballade é o clássico da Tissot que você pode usar sem pensar, e a régua está em 30, 50, 100 e 200 metros.
Uma curiosidade do catálogo merece nota. Uma das referências se chama Powermatic 48, e não 80.
É um nome incomum na família, e vale conferir a reserva de marcha na loja antes de fechar, porque o número do nome costuma ser justamente ela, como explica reserva de marcha, 40 ou 80 horas.

O panorama dos selos que existem além do COSC está numa guia de certificações da Monochrome.
Quanto custa no Brasil
São 11 referências, de R$ 3.978 a R$ 9.282, com mediana em R$ 4.488.
O corte é 7 de quartzo e 4 automáticos, e os quatro automáticos são os quatro mais caros.
A decisão da linha cabe numa pergunta, e ela custa R$ 4.590:
Você quer o mostrador, e aí o quartzo de R$ 3.978 entrega o mesmo desenho, o mesmo acabamento guilhochê e os mesmos 100 metros.
Ou você quer a mecânica com selo, e aí são R$ 8.568 para ter movimento automático que passou por ensaio independente.
Não existe meio-termo nessa linha, e isso é bom: a escolha é limpa.
Onde ela perde
Vale listar, porque é onde nasce o arrependimento.
O buraco de preço é grande. Quatro mil e oitenta reais sem nenhuma opção no meio deixa muita gente fora dos dois lados.
A linha é invisível. Ballade não tem o reconhecimento do PRX nem do Le Locle, e isso pesa na revenda, assunto de relógio é investimento.
O selo não garante o resto. Cronômetro é precisão medida em bancada, e não diz nada sobre água, choque ou durabilidade.
A ficha esconde o cristal. Nenhuma das 11 publica o material, cuja régua está em safira, mineral ou acrílico.
Uma referência tem nome estranho. Powermatic 48 não é a nomenclatura padrão da casa e merece pergunta antes da compra.
Contra a vizinhança
A comparação no automático certificado, que é onde a linha se justifica.
| Ballade COSC | Mido Commander II | Certina DS Podium | Tissot Le Locle | |
|---|---|---|---|---|
| Piso | R$ 8.568 | R$ 8.568 | R$ 5.202 | R$ 5.916 |
| Certificado | sim | sim | sim | não |
| Movimento | automático | automático | quartzo | automático |
| Água | 100 m | menos | 100 m | 30 m |
| Reserva | 80 h | 80 h | não se aplica | 80 h |
A leitura é boa para ela em uma linha. A Ballade empata com o Commander no preço e ganha na água.
O Commander II custa exatamente o mesmo e vem da mesma família de movimento. O DS Podium entrega o selo por R$ 3.366 a menos, em quartzo, que mede melhor e não tem mecanismo.
O Le Locle entra R$ 2.652 abaixo, sem selo e com um terço da água.
Qual comprar
Compre o quartzo dois tons se o desenho é o motivo. R$ 3.978 pelo mesmo mostrador guilhochê e os mesmos 100 metros.
Compre um Powermatic 80 COSC se o selo importa. R$ 8.772 pelo automático certificado com 80 horas de reserva.
Compre o azul se você quer o mostrador mais fotografado da linha. Ele existe nos dois lados da faixa.
Não pague pelo selo esperando durabilidade. O ensaio mede precisão em bancada, e só.
Confira o nome Powermatic 48 se ele aparecer. É nomenclatura fora do padrão e a reserva de marcha precisa ser confirmada.
Perguntas frequentes
O Tissot Ballade é certificado pelo COSC?
Os quatro automáticos da linha são, sem exceção. As sete referências de quartzo não são.
Quanto custa um Tissot Ballade no Brasil?
De R$ 3.978 a R$ 9.282, em 11 referências, com mediana em R$ 4.488. Os quatro automáticos começam em R$ 8.568.
Quantos metros o Tissot Ballade aguenta?
Cem metros em todas as 11 referências brasileiras, o que é o dobro do Chemin des Tourelles e o triplo do Le Locle.
Qual o cronômetro certificado mais barato da Tissot?
Entre os automáticos, o Heritage 1938 a R$ 7.956. Na Ballade, o piso certificado é R$ 8.568.
O Tissot Ballade é automático?
Quatro das 11 referências são. As outras sete usam quartzo suíço, com calibres ETA F06.115 e F05.115.
Vale pagar a mais pelo Ballade certificado?
Depende do que te move. São R$ 4.590 a mais pelo movimento mecânico e pelo ensaio independente, com o mesmo desenho e a mesma água do quartzo.
O que fica
A Ballade é a linha mais discreta do catálogo da Tissot e a que toma a decisão mais clara.
Os quatro automáticos dela são certificados pelo COSC, sem exceção, num catálogo brasileiro que tem só 40 referências certificadas no total. Quatro das sete certificadas da marca inteira estão aqui.
E as 11 referências declaram 100 metros, o dobro do Chemin des Tourelles e o triplo do Le Locle, que são os clássicos vizinhos da mesma casa.
O que atrapalha é o buraco no meio. São R$ 4.080 entre o quartzo mais caro e o automático mais barato, sem nada entre os dois.
Se o desenho é o que te move, o quartzo de R$ 3.978 entrega tudo menos o mecanismo. Se o selo é o que te move, você já sabe onde a Tissot guarda os dela.