Relógio cor Tiffany: a cor que multiplicou preço por 123
Um relógio com essa cor tinha preço de tabela de cinquenta e dois mil dólares. O primeiro exemplar foi a leilão e saiu por seis milhões e meio.
Existe uma cor que fez o mercado de relógio perder a cabeça, e quase todo mundo que usa o nome dela usa errado.
Vale entender a história inteira, porque ela explica preço de vitrine no Brasil hoje.
De onde a cor vem
Comece pela origem, porque ela não é da relojoaria. É de uma joalheria de Nova York.
A Tiffany & Co. foi fundada em 1837, e o tom que virou marca dela apareceu na capa de um catálogo de 1845, o Blue Book, que a casa publica até hoje.
Duas coisas fazem essa cor diferente de qualquer outra usada em relógio:
Ela é registrada. A empresa protege o tom como marca, e o padrão industrial dele carrega o número 1837, que é o ano de fundação da casa.
Ela não é vendida. Não existe pote dessa tinta no mercado. Quem usa o tom em outro produto está usando uma aproximação, e a joalheria já foi atrás de quem tentou.
Isso cria uma situação curiosa na relojoaria. Quase todo relógio que o mercado chama de “cor Tiffany” não tem autorização nenhuma para usar esse nome, e a marca também não reclama, porque ninguém está escrevendo Tiffany no mostrador.
Está escrevendo no boca a boca, que é onde o preço se forma.
O relógio que multiplicou por 123
Aqui está o episódio que fez a cor virar dinheiro, e ele tem data e número.
Em dezembro de 2021 a Patek Philippe lançou o Nautilus 5711/1A-018 com mostrador na cor da joalheria. Foram 170 exemplares, e o número não é aleatório: marca os 170 anos da parceria entre as duas casas.
O registro da Monochrome sobre o lançamento traz a ficha: mostrador na cor da joalheria, índices e ponteiros em ouro escurecido, janela de data emoldurada em metal e a assinatura do lojista às 6 horas.
O preço de tabela era US$ 52.635.
E então veio o leilão. O relato da Monochrome sobre a venda registra o número: o primeiro exemplar foi a leilão em Nova York e saiu por US$ 6.503.500, já com taxas, revertidos para uma organização ambiental.
| Nautilus 5711/1A-018 Tiffany | |
|---|---|
| Exemplares | 170 |
| Preço de tabela | US$ 52.635 |
| Preço no leilão | US$ 6.503.500 |
| Multiplicador | 123 vezes |
Cento e vinte e três vezes. É um número de leilão beneficente e não de mercado corrente, e mesmo assim ele fez o que qualquer manchete faz: colou a cor à ideia de dinheiro.
A cor também chegou ao topo da indústria de outro jeito. A Monochrome flagrou um Nautilus 5740 único, nessa cor, no pulso do dono da LVMH, que é o grupo que comprou a joalheria.

O Rolex que não é Tiffany
Agora a parte que este post existe para corrigir, porque ela custa dinheiro de gente de verdade.
Em 2020 a Rolex renovou o Oyster Perpetual e passou o modelo de 39 para 41 mm, na referência 124300.
A análise da Monochrome sobre o lançamento descreve o que veio junto: sete cores de mostrador laqueado, inspiradas nos mostradores Stella dos anos 1970, entre elas um azul turquesa.
E a mesma fonte é explícita sobre o que aconteceu depois. Esse relógio não tem mostrador Tiffany, e a Tiffany não tem nada a ver com ele.
O que aconteceu foi mercado. Depois que o Patek bateu o recorde, vendedores pela internet passaram a anunciar o Oyster Perpetual turquesa por cerca de dez vezes o preço de tabela ou mais.
Ou seja:
Um relógio ganhou apelido de outro. A cor é parecida, a origem não tem relação, e o apelido pegou.
O apelido virou ágio. Dez vezes a tabela por uma laca que a marca escolheu por conta própria, sem nenhuma parceria envolvida.
A referência saiu de linha. As versões turquesa, coral e amarela foram descontinuadas, e a 124300 deu lugar à 134300.
Vale ter isso claro antes de olhar qualquer vitrine. Nome de cor não é certificado de nada, e a régua de o que realmente muda o preço de um relógio está em relógio é investimento.
Como reconhecer o tom
Vale separar quatro tons que o mercado brasileiro embaralha, porque a busca por um deles não acha os outros.
| Tom | Como ele é | Como aparece na ficha |
|---|---|---|
| Tiffany | azul com puxada de verde, opaco | Tiffany, azul aquático |
| Turquesa | o mesmo território, mais saturado | turquesa, aquamarine |
| Azul gelo | azul frio, sem verde | azul gelo, ice blue |
| Menta | verde claro com puxada de azul | menta, mint green |
A diferença prática está na segunda coluna. Tiffany e turquesa puxam para o verde. Azul gelo não puxa.
Se você viu uma foto e o que te ganhou foi o tom quase de piscina, você quer turquesa. Se o que te ganhou foi um azul pálido e limpo, você quer azul gelo, e a lista dele está em relógio azul claro.
O post do modelo mais procurado dessa família está em Tissot PRX Ice Blue, e ele é azul gelo, não Tiffany, apesar de todo mundo chamar assim.
Quanto custa no Brasil
Levantamos o catálogo inteiro pelos quatro termos. São onze referências no tom Tiffany e turquesa, de R$ 3.060 a R$ 12.240.
| Peça | Preço | Água |
|---|---|---|
| Citizen Urban Diver Tiffany | R$ 3.060 | 100 m |
| Citizen Eco-Drive Marine Turquesa | R$ 3.264 | 100 m |
| Citizen Eco-Drive Marine Turquesa | R$ 3.264 | 100 m |
| Citizen Tsuyosa Tiffany | R$ 3.468 | |
| Citizen Promaster Dive Turquesa | R$ 4.284 | 200 m |
| Tissot PRX Menta | R$ 4.284 | 100 m |
| Citizen Forza Chrono Titânio Turquesa | R$ 4.488 | 200 m |
| Tissot Seastar 1000 Chrono Turquesa | R$ 5.202 | 300 m |
| Tissot PRX Ice Blue | R$ 5.814 | 100 m |
| Tissot Seastar 1000 Powermatic 80 | R$ 7.854 | 300 m |
| Doxa Sub 200 Aquamarine | R$ 12.240 | 200 m |
Duas coisas saltam dessa tabela, e as duas são boas notícias.
A entrada custa R$ 3.060. A cor que virou manchete de leilão milionário está disponível por três mil reais, num automático japonês com cem metros de água.
A cor não cobra ágio. Não existe um degrau de preço a mais por causa do tom, e o mesmo padrão apareceu no levantamento de relógio azul claro. Você escolhe pela ficha e a cor está lá.
E vale a contagem por marca, porque ela é desequilibrada:
| Marca | Referências |
|---|---|
| Citizen | 6 |
| Tissot | 3 |
| Doxa | 1 |
| Christopher Ward | 1 |
A Citizen sozinha tem mais da metade. É a marca que mais apostou no tom no mercado brasileiro, e ela aposta na faixa de baixo, entre três e quatro mil e quinhentos.
As duas que escrevem Tiffany
Aqui está o achado do levantamento, e ele é literal.
Duas referências do catálogo brasileiro trazem a palavra Tiffany no nome do produto, e as duas são Citizen.
A primeira é o Urban Diver Tiffany, referência NJ0170-83X, a R$ 3.060. A ficha dele descreve a cor do mostrador como azul aquático, Tiffany Blue, com todas as letras.
A segunda é o Tsuyosa Tiffany, referência NJ0151-88M, a R$ 3.468.
O Tsuyosa é o automático de bracelete integrado da marca, tratado em Citizen Tsuyosa vale a pena, e é o modelo que o mercado compara com o PRX, comparação que está em Citizen Tsuyosa ou Tissot PRX.
Vale a nota honesta, porque ela importa. Isso não é uma parceria com a joalheria. É uma descrição de cor usada pela loja, do mesmo jeito que se diz verde militar ou azul marinho.
A única parceria de verdade que existiu na relojoaria foi a da Patek, e ela custou cinquenta e dois mil dólares de tabela.
O que você leva por três mil reais é o tom, e é isso que a maior parte das pessoas quer.

Se você quer a cor com água
Vale separar, porque tom de piscina combina com piscina de verdade.
A maior parte da lista fica em 100 metros, que cobre natação. Quatro referências vão além:
| Peça | Água | Preço |
|---|---|---|
| Tissot Seastar 1000 Chrono | 300 m | R$ 5.202 |
| Tissot Seastar 1000 Powermatic 80 | 300 m | R$ 7.854 |
| Citizen Promaster Dive | 200 m | R$ 4.284 |
| Citizen Forza Chrono Titânio | 200 m | R$ 4.488 |
| Doxa Sub 200 Aquamarine | 200 m | R$ 12.240 |
O Seastar 1000 Chrono a R$ 5.202 é a melhor conta da lista se água importa. São trezentos metros, mostrador em gradiente turquesa e cronógrafo, e a linha está em Tissot Seastar vale a pena.
O Citizen Forza a R$ 4.488 é de titânio, que pesa cerca de metade do aço, material tratado em relógio de titânio vale a pena.
A régua de água está em 30, 50, 100 e 200 metros e o contexto de mergulhador no panorama técnico da Monochrome.
Vale a nota de sempre. Duzentos ou trezentos metros não é o mesmo que certificação de mergulho, e a diferença está em o melhor relógio de mergulho até R$ 10.000.
O que essa cor pede de você
Vale listar, porque é uma cor exigente e quase ninguém avisa.
Ela é datada e assumidamente. Turquesa em relógio é um fenômeno de 2020 para cá, e daqui a dez anos ela vai marcar o ano em que você comprou.
Ela combina com pouca coisa. Azul marinho é quase neutro. Turquesa não é, e ele briga com marrom, bordô e boa parte do guarda-roupa formal.
Ela mostra sujeira sob o vidro. Mostrador claro denuncia poeira e marca de dedo muito mais que preto.
Ela desbota em laca barata. Mostrador laqueado de cor forte é o primeiro a mudar de tom com sol, e vale conferir o material antes.
Ela some com ponteiro polido. Contraste baixo em mostrador claro é legibilidade perdida, e por isso as melhores versões usam ponteiro escuro ou dourado.
Contra a vizinhança
A comparação na entrada da cor, que é onde a maioria compra.
| Citizen Urban Diver Tiffany | Citizen Tsuyosa Tiffany | Tissot Seastar Chrono | Doxa Sub 200 | |
|---|---|---|---|---|
| Preço | R$ 3.060 | R$ 3.468 | R$ 5.202 | R$ 12.240 |
| Movimento | automático | automático | quartzo | automático |
| Água | 100 m | menos | 300 m | 200 m |
| Bracelete | aço | integrado | aço | aço |
| Tom | Tiffany declarado | Tiffany declarado | turquesa gradiente | aquamarine |
A leitura é direta e favorece a base. As duas mais baratas são as únicas que declaram o tom pelo nome, e as duas são automáticas.
O Seastar triplica a água por R$ 2.142 a mais, em quartzo. O Doxa custa quatro vezes a entrada e entrega nome de mergulhador histórico.

Qual comprar
Compre o Urban Diver Tiffany se o tom é o motivo. R$ 3.060, automático, cem metros, e a ficha diz Tiffany Blue com todas as letras.
Compre o Tsuyosa Tiffany se você quer bracelete integrado. R$ 3.468, e é o desenho que o mercado compara com o PRX.
Compre o Seastar 1000 Chrono se você entra na água. Trezentos metros e gradiente turquesa por R$ 5.202.
Compre o Forza Titânio se peso importa. R$ 4.488, duzentos metros e metade do peso do aço.
Não pague ágio pelo apelido. O relógio famoso pela cor é um Patek de 170 exemplares, e nenhum outro tem relação com a joalheria.
Confira se a cor é laca ou pintura fosca. Laca de cor forte é a que mais muda de tom com o tempo.
Perguntas frequentes
O que é a cor Tiffany?
É o tom azul com puxada de verde que a joalheria Tiffany & Co. usa desde 1845, na capa do catálogo Blue Book. A empresa foi fundada em 1837 e o padrão da cor carrega esse número.
Qual relógio tem mostrador Tiffany de verdade?
O Patek Philippe Nautilus 5711/1A-018, feito em 170 exemplares em 2021 para os 170 anos da parceria entre as duas casas. É o único com relação oficial.
O Rolex turquesa é um relógio Tiffany?
Não. O Oyster Perpetual 41 referência 124300 tem mostrador laqueado inspirado nos Stella dos anos 1970, e a Tiffany não tem nenhuma relação com ele.
Por que o Patek Tiffany custou US$ 6,5 milhões?
Porque foi o primeiro exemplar dos 170 e foi a leilão beneficente em Nova York. O preço de tabela era US$ 52.635, o que dá um multiplicador de 123 vezes.
Quanto custa um relógio cor Tiffany no Brasil?
De R$ 3.060 a R$ 12.240, em onze referências. A entrada é um Citizen automático com cem metros de água.
Qual a diferença entre cor Tiffany e azul gelo?
O tom Tiffany e o turquesa puxam para o verde. O azul gelo, ou ice blue, é um azul frio sem verde nenhum, e é o do Tissot PRX que todo mundo chama de Tiffany.
Existe relógio cor Tiffany de mergulho?
Existe. O Tissot Seastar 1000 chega a 300 metros por R$ 5.202, e o Citizen Promaster e o Doxa Sub 200 fazem 200 metros.
A cor Tiffany encarece o relógio?
Não no catálogo brasileiro. As onze referências estão distribuídas pela faixa normal de preço das linhas delas, sem ágio pelo tom.
O que fica
Essa cor é o caso mais claro de como uma manchete vira preço de vitrine.
O único relógio com relação oficial com a joalheria é um Patek Philippe de 170 exemplares. Preço de tabela de US$ 52.635, e o primeiro exemplar saiu de leilão por US$ 6.503.500, um multiplicador de 123 vezes.
O Rolex turquesa que todo mundo chama de Tiffany não é Tiffany. É uma laca inspirada nos mostradores Stella dos anos 1970, e a joalheria não tem nada a ver com ele.
Depois do recorde do Patek, vendedores passaram a pedir dez vezes a tabela por ele mesmo assim.
No Brasil a história é bem mais barata e bem mais simples. São onze referências no tom, de R$ 3.060 a R$ 12.240, e a cor não cobra ágio nenhum.
Duas delas escrevem Tiffany no próprio nome, e as duas são Citizen. A mais barata custa três mil e sessenta reais, é automática e aguenta cem metros.
Não é o Patek, e não precisa ser. Se o que te ganhou foi o tom, ele está à venda pelo preço de um automático japonês de entrada, e ninguém no elevador vai saber a diferença.