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Tissot PR516 vale a pena? O número do nome não é a água

Maison Garde & Co. 8 min de leitura
Tissot PR516 de mostrador preto e pulseira de couro marrom perfurada sobre pedra escura

Em quase toda linha PR da Tissot o número é a resistência à água. Neste não é, e a explicação envolve um volante de corrida furado.

A Tissot tem um sistema de nomes que funciona quase sempre. O número que vem depois do PR é a água: PR 100 são cem metros, PRC 200 são duzentos.

Este quebra a regra, e é o único que quebra.

O 516 não é uma medida

Comece pelo que o número não é. Ele não são 516 metros, e nem podia ser.

Levantamos as nove referências brasileiras e todas as nove declaram 100 metros, sem exceção. A régua está em 30, 50, 100 e 200 metros.

Então o 516 é o quê? É herança.

A retrospectiva da Monochrome sobre a linha traça a origem a 1956, e registra que ali o PR queria dizer Particulièrement Robustes, particularmente robustos em francês.

Vale a nota de honestidade, porque as duas leituras circulam.

A comunicação moderna da marca em torno do PRX costuma usar Précis et Robuste, e é essa que aparece em Tissot PR 100 vale a pena. As duas apontam para a mesma ideia e vêm de épocas diferentes da casa.

O que importa para quem compra é mais simples:

Linha O que o número diz
PR 100 100 metros
PRC 200 200 metros
PRX X é 10 ATM, 100 metros
PR516 um modelo de 1965

A conta completa da família está em Tissot PRC vale a pena.

Os furos vieram do volante

Aqui está a parte que faz o relógio valer a pena conhecer, e ela é de 1965.

Naquele ano a coleção passou por uma reformulação sob o designer suíço Lucien Gurtner. A mesma fonte descreve o que ele criou: um bracelete de aço com perfurações grandes e visíveis, feito para evocar um volante de corrida.

Não é metáfora vaga. Volante de carro de corrida dos anos 1960 era furado, para aliviar peso e para a mão suar menos, e o bracelete copiava exatamente esse desenho.

A ligação da marca com automobilismo já vinha de antes. A Monochrome registra que em 1958 o piloto suíço Harry Zweifel mandou à Tissot uma foto assinada de dentro do carro dele com a mensagem de que o Tissot estava ao lado dele em cada corrida.

O PR516 foi lançado e vendido como o relógio do piloto, e virou um dos produtos centrais da marca nos anos 1960 e no começo dos 1970.

E aqui está o detalhe que só aparece quando você abre as fotos das referências brasileiras. A perfuração sobreviveu, e ela mudou de material.

As duas referências Powermatic 80 vêm em pulseira de couro marrom perfurada, no padrão de luva de piloto, com os furos redondos bem visíveis. As versões de cronógrafo vêm em bracelete de aço liso, sem furo nenhum.

Ou seja, quem quer o traço de 1965 no pulso precisa comprar o automático. O furo não está em toda a linha, e a loja não avisa isso.

A perfuração sobreviveu, e migrou do aço para o couro.
A perfuração sobreviveu, e migrou do aço para o couro.

Quanto custa no Brasil

Levantamos o catálogo inteiro. São 9 referências, de R$ 5.100 a R$ 19.278, com mediana em R$ 6.120.

Peça Preço
Piso, Chrono PR516 azul quartzo R$ 5.100
Chrono PR516 preto quartzo R$ 5.100
PR516 Powermatic 80 preto R$ 6.018
Chrono PR516 dois tons R$ 6.222
PR516 Powermatic 80 branco R$ 7.548
Chrono PR516 Mecânico R$ 17.136
Teto R$ 19.278

Repare no salto entre a quinta e a sexta linha. São R$ 9.588 de diferença, e é onde a linha deixa de ser um esportivo acessível e vira outra coisa.

O corte de movimento é 3 de quartzo, 2 automáticos e 1 mecânico de corda.

Os cronógrafos de quartzo rodam o ETA G10.212 Powerdrive, e o Powerdrive é o sistema que faz os ponteiros correrem rápido nos dois sentidos ao zerar, em vez de voltarem devagar. A complicação está em cronógrafo vale a pena.

Os automáticos rodam Powermatic 80, com 80 horas de reserva, tratado em reserva de marcha, 40 ou 80 horas e na análise da Monochrome sobre a versão automática.

A marca segue mexendo na linha, e a série de cores novas de 38 mm mostra que ela virou produto permanente e não homenagem pontual.

O cronógrafo de corda que voltou

Vale abrir uma seção só para a peça de R$ 17.136, porque ela é rara no catálogo brasileiro inteiro.

Ela se chama Chrono PR516 Mecânico, e a Monochrome descreve o que é: uma reedição de um dos cronógrafos de corda manual de corrida dos anos 1970 da marca.

Cronógrafo de corda manual quase não existe mais. Quase todo cronógrafo mecânico vendido hoje é automático, porque o rotor é o que o comprador espera.

O que a corda manual dá em troca:

Caixa mais fina. Sem rotor, sobra altura, assunto de a espessura do relógio.

Fundo limpo. Dá para ver o mecanismo inteiro pelo vidro, sem massa oscilante tapando metade.

O gesto. Você dá corda todo dia, e para parte das pessoas isso é o motivo da compra, discutido em automático ou corda manual.

O que ela cobra é o preço. Dezessete mil cento e trinta e seis reais põe esse relógio contra marcas de nome muito maior, e é uma compra de gosto e não de ficha.

Onde ele perde

Vale listar, porque é onde nasce o arrependimento.

O nome confunde. Quem aprendeu a regra do número vai achar que são 516 de alguma coisa, e não são.

O buraco de preço é enorme. Nove mil e quinhentos entre a quinta e a sexta referência, sem nada no meio.

Metade é de quartzo. Quem quer mecânica na faixa de baixo tem só duas opções, as Powermatic 80.

A ficha esconde quase tudo. Nenhuma das nove publica cristal nem tamanho de caixa, e a régua de material está em safira, mineral ou acrílico.

A perfuração não vem em tudo. Só as duas referências Powermatic 80 trazem a pulseira furada, e os cronógrafos vêm em aço liso.

Contra a vizinhança

A comparação no piso da linha, que é onde a maioria compra.

PR516 quartzo Tissot T-Race PRC 200 Certina DS Podium
Piso R$ 5.100 R$ 5.100 R$ 4.998 R$ 5.202
Movimento quartzo quartzo quartzo quartzo
Água 100 m 100 m 200 m 100 m
Cronógrafo sim sim sim sim
Certificado COSC não não não sim

A leitura é apertada, e é o retrato de uma faixa de preço muito disputada. Quatro cronógrafos de quartzo dentro de R$ 204 um do outro.

O T-Race empata no preço com desenho de corrida moderno. O PRC 200 entrega o dobro de água por R$ 102 a menos. O DS Podium traz selo de cronômetro por R$ 102 a mais.

O que só o PR516 tem é o bracelete furado e a linhagem de 1965.

Nove referências, e as nove declaram cem metros. O 516 é um ano, não uma medida.
Nove referências, e as nove declaram cem metros. O 516 é um ano, não uma medida.

Qual comprar

Compre o Chrono azul ou preto se o desenho é o motivo. R$ 5.100, cronógrafo de quartzo suíço e o bracelete que dá identidade à linha.

Compre o Powermatic 80 se você quer mecânica. R$ 6.018 com 80 horas de reserva é das melhores contas da marca.

Compre o Mecânico se cronógrafo de corda é o que te move. Ele é raro no catálogo brasileiro e custa R$ 17.136.

Não compre esperando 516 metros. São cem, como em quase toda a marca.

Confira se a referência vem com a pulseira furada. Ela é o traço de 1965 e só aparece nas duas versões automáticas.

Perguntas frequentes

O que significa o 516 do Tissot PR516?

É herança de um modelo de 1965, e não uma medida. Todas as nove referências brasileiras declaram 100 metros de água.

O PR516 vem com pulseira furada?

Só as duas referências Powermatic 80, em couro marrom perfurado. Os cronógrafos vêm em bracelete de aço liso. O furo vem do desenho de 1965, que copiou os volantes de corrida da época.

Quanto custa um Tissot PR516 no Brasil?

De R$ 5.100 a R$ 19.278, em 9 referências, com mediana em R$ 6.120.

O Tissot PR516 é automático?

Duas das nove referências usam Powermatic 80, três são de quartzo e uma é cronógrafo de corda manual.

Quantos metros o PR516 aguenta?

Cem metros em todas as nove referências brasileiras, o que cobre natação e piscina com folga.

O que é o Powerdrive do calibre G10.212?

É o sistema que faz os ponteiros do cronógrafo correrem rápido nos dois sentidos ao zerar, em vez de voltarem devagar pelo caminho normal.

O que fica

O PR516 é o Tissot que quebra o sistema de nomes da própria marca, e por um motivo bom.

O 516 não é uma medida. São cem metros nas nove referências, e o número vem de um modelo de 1965 reformulado pelo designer Lucien Gurtner.

A perfuração copia um volante de corrida, e é o traço mais antigo do produto. A marca já flertava com automobilismo desde 1958, quando o piloto suíço Harry Zweifel mandou uma foto assinada de dentro do carro.

E ela só chega aqui nas duas referências automáticas, em couro marrom. Os cronógrafos vêm em aço liso, o que é bom saber antes de escolher pela foto da vitrine.

O catálogo brasileiro tem duas linhas bem separadas. De R$ 5.100 a R$ 7.548 é um esportivo acessível, com quartzo ou Powermatic 80. A R$ 17.136 está a reedição do cronógrafo de corda dos anos 1970, que é outra compra inteira.

Se o desenho é o que te move, o piso resolve por cinco mil e cem. Se você chegou procurando ficha técnica, este não é o Tissot que ganha comparação.

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