MAISON GARDE Consultoria grátis

Taquímetro: a escala mais impressa e menos usada do mostrador

Maison Garde & Co. 6 min de leitura
Bisel de cronógrafo com escala de taquímetro numerada sobre pedra escura

Está impressa no bisel de metade dos cronógrafos do mundo e quase ninguém usou uma vez. Ela funciona, tem um número no meio que explica tudo, e tem um limite que ninguém conta.

Aquele anel com números decrescentes em volta do mostrador, começando perto de 400 e terminando em 60, tem nome e tem função.

Os dois são mais simples do que parecem.

O que a escala faz

O taquímetro converte tempo em velocidade.

O guia técnico da Monochrome resume assim: você dispara o cronógrafo, para num marco de distância conhecida, e a agulha de segundos aponta a velocidade direto na escala.

Repare no que essa frase exige. Ela exige um cronógrafo.

E é aqui que o catálogo é categórico. Levantamos as 34 referências brasileiras que declaram taquímetro:

As 34 são cronógrafo. Sem exceção.

Isso não é coincidência de sortimento, é dependência funcional. A escala sozinha não faz nada. Ela é só uma régua impressa, e quem lê a régua é a agulha do cronógrafo. Sem o cronógrafo, o anel é enfeite.

O vocabulário de cronógrafo está em cronógrafo vale a pena, e a outra função que vive no mesmo mecanismo, o rattrapante, está detalhada em o que é rattrapante.

Como usar, com número

Vale fazer a conta uma vez, porque ela fixa.

A regra é uma só: você mede quanto tempo leva para percorrer um quilômetro.

O procedimento:

Passe pelo marco de quilometragem e dispare o cronógrafo no mesmo instante.

Passe pelo marco seguinte, um quilômetro depois, e pare o cronógrafo.

Leia onde a agulha parou na escala do bisel. Aquele número é a sua velocidade média em quilômetros por hora.

Um exemplo com número redondo:

Tempo do quilômetro Agulha aponta Velocidade
36 segundos 100 100 km/h
45 segundos 80 80 km/h
60 segundos 60 60 km/h

Por que 36 segundos dá 100? Porque a escala é uma divisão fixa: 3.600 dividido pelo tempo em segundos. Uma hora tem 3.600 segundos, e se você faz um quilômetro em 36, faz cem em uma hora.

E não precisa ser quilômetro. Funciona com qualquer distância conhecida, desde que a unidade da resposta acompanhe. Um marco de milha devolve milhas por hora.

Serve também para produção. Se você cronometra uma peça saindo da linha e a agulha aponta 120, são 120 peças por hora.

E vale saber por que os números do bisel são desiguais. Eles ficam espremidos no começo e espaçados no fim porque a escala não é linear: entre 400 e 300 cabem três segundos, e entre 70 e 60 cabem quase nove.

É por isso que a leitura é precisa nas velocidades baixas e grosseira nas altas. Acima de uns 200 km/h os traços ficam tão juntos que a agulha aponta uma faixa, e não um número.

A escala é uma divisão fixa: 3.600 dividido pelo tempo em segundos.
A escala é uma divisão fixa: 3.600 dividido pelo tempo em segundos.

Por que ela para em 60

Aqui está o limite que quase nenhum texto menciona, e ele é a razão de a função ser tão pouco usada no Brasil.

A escala acaba quando a agulha completa uma volta.

A agulha de segundos leva 60 segundos para dar a volta inteira. Se o seu quilômetro demorar mais que isso, a agulha passa do 60, começa a segunda volta e a leitura deixa de valer.

Sessenta segundos por quilômetro são exatamente 60 km/h.

Ou seja:

Velocidade A escala funciona
Acima de 60 km/h sim
Exatamente 60 km/h no limite
Abaixo de 60 km/h não

Isso apaga boa parte do uso urbano. Em trânsito de cidade a escala é inutilizável, porque a média quase nunca passa de 60. Ela nasceu para estrada e para pista, e é lá que continua fazendo sentido.

Existe uma segunda restrição, e ela é de segurança. Ler bisel dirigindo é uma péssima ideia, e a rigor a função pede um passageiro ou um cronômetro de mão.

As 34 referências

Levantamos o catálogo. São 34 referências, de R$ 3.570 a R$ 20.298, com mediana em R$ 16.422.

Repare na mediana. Metade das peças com taquímetro custa mais de dezesseis mil reais, num catálogo cuja mediana geral fica bem abaixo disso. A escala mora na metade cara.

Marca Referências
TAG Heuer 12
Citizen 9
Certina 6
Hamilton 3
Outras 4

A TAG Heuer sozinha responde por doze, e as doze ficam entre R$ 16.116 e R$ 19.992. É a marca que mais amarra a própria identidade à corrida, e o bisel é parte disso.

Do outro lado da faixa, a entrada custa R$ 3.570, num Citizen Brycen solar.

O movimento das 34:

Movimento Referências
Quartzo 20
Solar 9
Automático 5

Vale registrar, porque contraria a expectativa. Taquímetro é majoritariamente quartzo aqui, e não relojoaria mecânica de corrida. A diferença entre as duas tecnologias está no comparativo da Monochrome.

E existe um custo físico que não aparece na vitrine:

A espessura vai de 10,5 a 17 mm. Nenhuma das 34 é fina, porque cronógrafo empilha mecanismo, conta detalhada em a espessura do relógio.

A garantia varia de 1 a 5 anos dentro do grupo, sem padrão de marca, levantamento que está em garantia de relógio por marca.

Metade das peças com taquímetro passa de dezesseis mil reais.
Metade das peças com taquímetro passa de dezesseis mil reais.

Vale pagar por isso

Vale ser franco, porque a escala é bonita e o uso é raríssimo.

Se você anda em pista, é a função certa e ela é rápida de ler.

Se você quer o visual de corrida, é um argumento honesto. Bisel numerado muda a cara do relógio, e ninguém precisa fingir que vai cronometrar quilômetro.

Se você espera usar em trânsito, não vai. Abaixo de 60 km/h a escala não responde.

Se o relógio é de vestir, o anel numerado briga com o punho da camisa e com o resto do guarda-roupa.

E vale a comparação de altura. Um cronógrafo com taquímetro dificilmente desce de 11 mm, contra 6,5 mm num Tissot Everytime. São relógios para ocasiões diferentes.

Perguntas frequentes

Para que serve o taquímetro do relógio?

Para medir velocidade média. Você cronometra o tempo de uma distância conhecida, normalmente um quilômetro, e a agulha de segundos aponta a velocidade na escala.

Como usar o taquímetro na prática?

Dispare o cronógrafo ao passar por um marco, pare no marco seguinte a um quilômetro e leia o número onde a agulha parou. Se levou 36 segundos, são 100 km/h.

O taquímetro funciona sem cronógrafo?

Não. A escala é só uma régua impressa, e quem a lê é a agulha do cronógrafo. As 34 referências brasileiras com taquímetro são todas cronógrafo.

Por que o taquímetro para em 60?

Porque a agulha de segundos dá uma volta em 60 segundos. Um quilômetro em 60 segundos são 60 km/h, e abaixo disso a agulha passa da escala e a leitura perde o sentido.

Quanto custa um relógio com taquímetro no Brasil?

De R$ 3.570 a R$ 20.298, em 34 referências, com mediana em R$ 16.422. A TAG Heuer tem 12 delas, entre R$ 16.116 e R$ 19.992.

Dá para usar o taquímetro para outra coisa além de velocidade?

Dá, para qualquer taxa por hora. Se você cronometra uma unidade sendo produzida e a agulha aponta 120, são 120 unidades por hora.

O que fica

O taquímetro é a escala mais impressa da relojoaria e uma das menos usadas, e as duas coisas têm o mesmo motivo.

Ela converte tempo em velocidade por uma divisão fixa, 3.600 pelo tempo em segundos, e a conta é honesta: um quilômetro em 36 segundos são 100 km/h.

Ela não existe sozinha. As 34 referências brasileiras com taquímetro são cronógrafo, porque sem a agulha do cronógrafo o anel é decoração impressa.

E ela morre abaixo de 60 km/h, quando a agulha completa a volta. Isso elimina o trânsito urbano inteiro e explica por que tanta gente tem a escala e nunca a usou.

Fica o outro lado, que é legítimo. Metade das peças com taquímetro passa de dezesseis mil reais, e boa parte de quem compra está comprando a cara de corrida, não a função. Isso é uma escolha de estilo, e como escolha de estilo ela se defende sozinha.

Continue lendo