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Tissot Everytime vale a pena? A linha inteira fica abaixo de 8 mm

Maison Garde & Co. 8 min de leitura
Tissot Everytime de mostrador azul e caixa fina sobre linho claro

Existem quatro linhas no catálogo brasileiro em que nenhuma referência passa de 8 milímetros. Duas delas custam mais de onze mil reais. Esta começa em três mil quinhentos e setenta.

Relógio fino é caro por um motivo estrutural, e não por capricho de marca.

Esta linha resolve isso pelo caminho mais direto que existe, e o caminho tem custo.

A linha inteira é fina

Levantamos as 2.051 referências do catálogo brasileiro que publicam espessura.

Noventa e sete ficam abaixo de 8 mm, ou 4,7% do mercado, número detalhado em a espessura do relógio. A mediana do catálogo é 11,6 mm.

Agora o achado. Procuramos linhas de produto em que toda referência fica abaixo de 8 mm. Existem quatro no catálogo inteiro.

Linha Referências Espessura Preço a partir de
Tissot Everytime 7 6,5 a 7,1 mm R$ 3.570
Tissot SRV 5 7,25 mm R$ 3.978
Longines La Grande Classique 6 5,4 mm R$ 11.934
Maen Manhattan 5 6,9 mm R$ 15.300

A Everytime é a mais barata das quatro, e a distância para a terceira colocada é de mais de oito mil reais.

Ou seja, esta é a porta de entrada do relógio realmente fino no Brasil. Três mil quinhentos e setenta reais compram uma altura que 95% do catálogo não tem.

A mais fina das oito referências brasileiras tem 6,5 mm e custa R$ 3.774.

E a altura importa por um motivo prático que só aparece no uso. Punho de camisa social passa por cima de um relógio de 7 mm sem prender, e trava num de 12, conta detalhada no levantamento de espessura.

O conceito de relógio de vestir está no verbete da Monochrome.

Quatro linhas do catálogo inteiro ficam todas abaixo de 8 mm. Esta é a mais barata.
Quatro linhas do catálogo inteiro ficam todas abaixo de 8 mm. Esta é a mais barata.

O que ela troca por isso

Aqui está a conta honesta, porque a altura não sai de graça.

O movimento é quartzo. A referência que publica o calibre declara ETA 902.101, um quartzo suíço de 11 linhas e meia.

Existe um motivo geométrico para isso, e ele decide a linha inteira. Um movimento de quartzo é mais baixo que um automático, porque não tem rotor girando dentro da caixa nem barrilete de mola.

O catálogo confirma isso com números. Separamos as referências que publicam espessura por tipo de movimento:

Referências Mediana Abaixo de 8 mm
Automáticos 1.203 11,7 mm 15, ou 1,2%
Quartzo e solar 461 11,5 mm 44, ou 9,5%

A mediana quase não muda, e a ponta fina muda tudo. Um quartzo tem oito vezes mais chance de ficar abaixo de 8 mm que um automático.

Compare dentro da própria Tissot. O PRX automático começa em 10,9 mm e vai a 14,5, contra 7,1 aqui. A altura de 7 mm só existe porque não há rotor.

A diferença entre as duas tecnologias está no comparativo da Monochrome, e vale a lembrança: quartzo mede melhor, com margem larga, régua que está em quantos segundos um relógio pode errar.

O que se perde não é precisão, é o motivo estético. Quem quer ver mecanismo trabalhando não compra Everytime.

E existe uma segunda coisa que some junto, essa por decisão de projeto.

Nenhuma das oito referências tem data. Abrimos a foto de cada uma e não existe janela em nenhuma: só as três agulhas, a marca, o ano de fundação e a inscrição SWISS MADE na borda de baixo.

Isso soma às duas contas da linha. Um disco de data ocupa altura e o mecanismo que gira ele ocupa mais, então tirar a função devolve décimos de milímetro à caixa. E um mostrador sem janela fecha simétrico de todos os lados.

O argumento completo está em relógio sem data, onde 333 referências do catálogo fazem a mesma escolha.

E existe uma terceira troca, essa na ficha:

A água é 50 metros. As sete referências que declaram registram 5 bar, que cobre chuva, banho e mão lavada, e não cobre piscina de rotina, segundo a régua de 30, 50, 100 e 200 metros.

Vale a comparação justa. Cinquenta metros é mais do que o Longines Flagship e o La Grande Classique entregam, e os dois custam mais de onze mil reais. Mas é metade do que o Citizen Corso faz por R$ 306 a menos.

O relógio é Swiss Made, critério explicado no verbete da Monochrome, e a caixa é de aço 316L.

Quanto custa no Brasil

São 8 referências, de R$ 3.570 a R$ 4.488, com mediana em R$ 3.774.

Peça Preço Espessura
Everytime Gent azul R$ 3.570 7,1 mm
Everytime azul, aço 316L R$ 3.672 7,07 mm
Everytime prata, couro R$ 3.774 6,5 mm
Everytime Gent prata R$ 3.774 7,1 mm
Everytime Gent verde R$ 3.774 7,1 mm
Everytime prata 40 mm R$ 3.876 7,1 mm
Everytime verde R$ 4.284 7,1 mm
Everytime champanhe R$ 4.488 não publicada

A faixa cabe em 1,26 vez, que é estreita. Você escolhe cor e bracelete, não patamar de produto.

E repare numa coisa. A referência mais fina da linha não é a mais cara. O prata de 6,5 mm sai por R$ 3.774, contra R$ 4.488 no topo.

A garantia é previsível

Vale abrir uma seção curta, porque é onde a linha se separa da concorrência direta.

As oito referências declaram dois anos de garantia. Sem exceção.

Isso soa banal até você comparar. O Citizen Corso, que disputa a mesma faixa, tem três prazos diferentes dentro da mesma linha, de um a cinco anos.

O levantamento completo está em garantia de relógio por marca, e a Tissot aparece ali como uma das marcas mais consistentes do catálogo.

Dois anos não é o prazo mais longo do mercado, e o mais longo é de cinco anos num relógio de R$ 2.550. Mas é um prazo que você sabe qual é antes de escolher a cor, e isso tem valor próprio.

Onde ela perde

Vale listar, porque é onde nasce o arrependimento.

É quartzo. Numa faixa em que existe automático suíço a partir de R$ 5.916, quem quer mecânica vai olhar para o lado.

Cinquenta metros. Não cobre piscina de rotina, e a concorrência japonesa faz o dobro por menos.

A ficha é incompleta. Nenhuma das oito declara o cristal, e o movimento só aparece numa referência.

O desenho é discreto demais para alguns. O mostrador é limpo por projeto, e quem quer presença no pulso não encontra aqui.

A revenda é morna. Quartzo de entrada tem saída lenta, lógica que está em relógio é investimento.

Contra a vizinhança

A faixa de três a seis mil reais.

Tissot Everytime Citizen Corso Tissot Le Locle Tissot PRX quartzo
Piso R$ 3.570 R$ 3.264 R$ 5.916 R$ 3.876
Movimento quartzo suíço solar automático quartzo suíço
Espessura 6,5 a 7,1 mm 7,5 a 12 mm 8,95 a 10 mm 9,0 a 10,9 mm
Água 50 m 100 m 30 m 100 m
Garantia 2 anos, uniforme 1 a 5 anos 2 anos 2 anos
Pilha sim nunca não tem sim

A leitura é limpa. A Everytime ganha em espessura por larga margem e perde em água para as duas japonesas e para o próprio PRX da casa.

O PRX de quartzo entra R$ 306 acima com o dobro da água e bracelete integrado, e é dois milímetros mais grosso. O Le Locle é o automático da casa e custa R$ 2.346 a mais.

A referência mais fina da linha, com 6,5 mm, não é a mais cara.
A referência mais fina da linha, com 6,5 mm, não é a mais cara.

Qual comprar

Compre o prata de couro a R$ 3.774 se espessura é o motivo. É a mais fina das oito, com 6,5 mm.

Compre o Gent azul a R$ 3.570 se você quer o piso. São 7,1 mm e a mesma garantia.

Compre o azul de aço 316L a R$ 3.672 se você quer bracelete de metal com a ficha completa publicada.

Compre o verde a R$ 4.284 se a cor te ganhou. É a única da linha nesse tom com caixa dourada.

Não compre se você quer mecânica. A altura de 7 mm existe justamente porque não há rotor dentro da caixa.

Não compre para nadar. Cinquenta metros não cobre piscina de rotina, e o Corso da concorrência faz o dobro por menos.

Perguntas frequentes

O Tissot Everytime é bom?

Para quem quer relógio de vestir fino, sim. Todas as referências que publicam espessura ficam abaixo de 8 mm, e só quatro linhas do catálogo brasileiro inteiro conseguem isso.

Quanto custa um Tissot Everytime no Brasil?

De R$ 3.570 a R$ 4.488, em 8 referências, com mediana em R$ 3.774.

O Tissot Everytime é automático?

Não. A linha é de quartzo suíço, e a referência que publica o calibre declara ETA 902.101. É justamente por não ter rotor que a caixa fica em 7 milímetros.

Qual a espessura do Tissot Everytime?

De 6,5 mm a 7,1 mm. A mediana do catálogo brasileiro é 11,6 mm, e apenas 4,7% das referências ficam abaixo de 8 mm.

Quantos metros o Tissot Everytime aguenta?

Cinquenta metros, ou 5 bar, nas sete referências que declaram. Cobre chuva e banho, e não cobre piscina de rotina.

O Tissot Everytime tem data?

Não. Nenhuma das oito referências brasileiras traz janela de data, o que ajuda a manter a caixa abaixo de 8 mm e deixa o mostrador simétrico.

Qual a garantia do Tissot Everytime?

Dois anos nas oito referências, sem exceção. É um dos casos mais consistentes do catálogo brasileiro.

O que fica

A Everytime resolve uma coisa só, e resolve por um preço que ninguém mais pratica.

Existem quatro linhas no catálogo brasileiro em que toda referência fica abaixo de 8 mm, e ela é a mais barata das quatro. A segunda começa R$ 408 acima e as outras duas passam de onze mil reais.

A altura vai de 6,5 a 7,1 mm, contra uma mediana de mercado de 11,6 mm, e a referência mais fina da linha não é a mais cara.

Nenhuma das oito tem data, o que soma às duas contas: menos altura na caixa e um mostrador que fecha simétrico.

O preço disso é geométrico e não comercial. A caixa só fica em 7 milímetros porque não há rotor girando lá dentro, ou seja, quem compra essa altura está comprando quartzo, e não tem como fugir dessa troca.

E existe uma virtude discreta na ficha. As oito referências declaram dois anos de garantia, sem exceção, num mercado em que a concorrência direta oscila entre um e cinco dentro da mesma linha.

Se o punho da camisa é o critério, ela é a resposta mais barata do país. Se a água ou a mecânica pesam mais, existem duas respostas melhores na mesma faixa.

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