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Seiko Coutura vale a pena? A função que não funciona no Brasil

Maison Garde & Co. 7 min de leitura
Seiko Coutura cronógrafo de mostrador preto e pulseira de borracha sobre madeira escura

Existe um relógio à venda aqui que acerta sozinho a hora por rádio. Os transmissores desse sinal ficam no Japão, na China, nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Alemanha.

A Coutura é a linha em que a Seiko coloca a tecnologia dela para trabalhar.

Uma dessas tecnologias não tem como funcionar deste lado do mundo, e a ficha do produto não avisa.

O que é a linha Coutura

É a linha de quartzo tecnológico da Seiko, entre o esportivo de entrada e as coleções mecânicas da casa.

O foco está em três coisas: carga por luz, cronógrafo e funções de calendário, tudo num desenho de bracelete de aço e mostrador cheio.

Uma característica chama atenção antes de qualquer outra. Todas as 16 fichas brasileiras declaram 100 metros de água, sem exceção e sem versão social enfraquecida no meio da linha.

Isso é raro numa coleção de vestir, e a régua está em 30, 50, 100 e 200 metros.

A comparação natural dentro da própria casa é com as linhas mecânicas, tratadas em Seiko Presage vale a pena e Seiko Prospex vale a pena.

O código do calibre

Aqui está a informação mais útil deste post, e ela está escondida em três caracteres na ficha de cada referência.

O prefixo do calibre diz qual tecnologia está lá dentro. Levantamos as 16 fichas e o padrão é perfeito, confirmado pelo próprio nome dos produtos.

Prefixo O que é Referências
8T e 7T quartzo comum, com pilha 6
V solar, carrega na luz 7
8B solar + rádio 3

Repare no que isso resolve. Você não precisa procurar a palavra solar no nome do produto nem confiar na descrição da loja. O calibre entrega a resposta sozinho.

Os calibres V192, V198 e V157 são os solares da linha, e são o mesmo conceito do sistema da concorrente japonesa, discutido em Citizen Eco-Drive vale a pena.

Todos eles são quartzo por dentro, e o que muda é só a fonte de energia. A diferença para o mecânico está no comparativo da Monochrome.

Os calibres 8T63 e 7T12 são cronógrafos de quartzo com pilha, e a complicação está explicada em cronógrafo vale a pena e no verbete da Monochrome.

E os 8B63 e 8B92 são os que trazem a função do próximo trecho.

O prefixo do calibre entrega a tecnologia. V é solar, 8B tem rádio.
O prefixo do calibre entrega a tecnologia. V é solar, 8B tem rádio.

A função que não pega aqui

Agora o achado, e ele vale dinheiro real.

Radio Sync é a função que acerta a hora sozinha por sinal de rádio. O relógio escuta uma transmissão de um relógio atômico e ajusta os ponteiros, sem você tocar na coroa.

Funciona muito bem. E funciona onde existe transmissor.

Os relógios desse tipo escutam seis estações, e elas ficam nos seguintes lugares:

Sinal Onde fica
JJY40 e JJY60 Japão
BPC China
WWVB Estados Unidos
MSF Reino Unido
DCF77 Alemanha

Leia a coluna da direita inteira. Não existe transmissor na América do Sul.

Quatro referências brasileiras da Coutura trazem Radio Sync no nome, e nenhuma delas tem o que escutar aqui. Elas viram relógios solares comuns, com o botão de sincronismo sem função.

Isso não é defeito de fabricação e não é propaganda enganosa. É um produto projetado para outro mercado, vendido neste, com uma função que depende de infraestrutura que o Brasil não tem.

Vale a nota justa: o relógio segue excelente sem ela. Quartzo já mede muito melhor que mecânico, como mostra quantos segundos um relógio pode errar, e a régua de exatidão da indústria está no glossário do COSC da Monochrome.

Você só não deve pagar a mais por ela. E paga: as duas referências de 8B92 custam R$ 5.610, contra R$ 4.080 do piso da linha.

Quanto custa no Brasil

Levantamos o catálogo inteiro. São 15 referências, de R$ 4.080 a R$ 7.548, com mediana em R$ 4.386.

Peça Preço
Piso, Chrono Motor Sport azul R$ 4.080
Powered Chrono Solar preto R$ 4.080
Solar Perpetual Alarm dourado R$ 4.080
Solar Diamond preto R$ 4.284
Radio Sync Solar dois tons R$ 5.610
Teto, Powered Chrono Solar prata R$ 7.548

Repare na segunda linha. O solar entra pelo mesmo preço do relógio de pilha, R$ 4.080, o que significa que não existe razão para escolher a versão de pilha por economia.

Essa é a decisão mais fácil da linha inteira e quase ninguém a percebe na vitrine. Mesmo preço, e um dos dois nunca mais pede troca de bateria.

O tema aparece do outro lado do balcão em Promaster solar ou automático.

Onde ela perde

Vale listar, porque é onde nasce o arrependimento.

O Radio Sync não serve aqui. Quatro referências cobram por uma função sem sinal na América do Sul.

O cristal quase nunca aparece. Só duas das 16 fichas declaram safira, e a diferença está em safira, mineral ou acrílico.

O desenho é carregado. Mostrador cheio de subdial e escala, com bracelete largo, e isso agrada menos hoje.

Não tem mecânica. Quem quer o mecanismo precisa olhar Presage ou Prospex, e a conta muda.

A revenda é fraca. Quartzo de linha média é o pior segmento nisso, e a lógica está em relógio é investimento.

Contra a vizinhança

A comparação na faixa de quatro a cinco mil reais.

Coutura solar Citizen Eco-Drive Seiko 5 Sports Certina DS Podium
Piso R$ 4.080 R$ 3.264 R$ 3.060 R$ 5.202
Movimento solar solar automático quartzo
Água 100 m menos 100 m 100 m
Troca de pilha nunca nunca não usa a cada 2 anos
Cronógrafo sim parte não sim

A leitura é boa para ela em uma coluna. A Coutura junta solar, cronógrafo e 100 metros na mesma peça, e nenhum dos vizinhos entrega os três.

O que pesa contra é o preço de entrada. O Eco-Drive e o Seiko 5 entram mais de oitocentos reais abaixo, cada um abrindo mão de uma coisa.

Solar pelo mesmo preço do relógio de pilha. Não há razão para o de pilha.
Solar pelo mesmo preço do relógio de pilha. Não há razão para o de pilha.

Qual comprar

Compre um calibre V se você quer a linha. Solar, R$ 4.080, e nunca mais uma troca de bateria.

Compre o Powered Chrono Solar preto se você quer o padrão da casa. Ele é solar, é cronógrafo e é o piso da linha.

Compre um 8T63 só se o desenho específico dele te ganhar. Ele custa o mesmo e usa pilha, então precisa de outro motivo.

Não pague pelo Radio Sync. A função não tem sinal na América do Sul, e a referência com ela custa R$ 1.530 a mais que o piso.

Não compre esperando mecânica. A linha inteira é de quartzo, e a Seiko tem outras prateleiras para isso.

Perguntas frequentes

O Seiko Coutura Radio Sync funciona no Brasil?

Não. Os transmissores desse sinal ficam no Japão, na China, nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Alemanha, e não existe nenhum na América do Sul.

O Seiko Coutura é solar?

Parte da linha. Sete das 16 referências usam calibre de prefixo V, que é solar, e outras três usam prefixo 8B, que é solar com rádio.

Como saber se o Coutura é solar pelo calibre?

Pelo prefixo. Calibres V e 8B são solares, e calibres 8T e 7T usam pilha comum. O padrão vale para as 16 referências brasileiras.

Quanto custa um Seiko Coutura no Brasil?

De R$ 4.080 a R$ 7.548, em 15 referências, com mediana em R$ 4.386.

Quantos metros o Seiko Coutura aguenta?

Cem metros em todas as referências brasileiras, sem exceção, o que cobre natação e piscina com folga.

O Coutura solar custa mais caro que o de pilha?

Não. As duas versões entram pelo mesmo preço de R$ 4.080, o que torna o solar a escolha óbvia entre os dois.

O que fica

A Coutura entrega três coisas juntas que quase ninguém junta nessa faixa: solar, cronógrafo e cem metros de água, em todas as referências.

E o dado que mais economiza dinheiro é simples: o solar custa o mesmo que o de pilha, R$ 4.080. Escolher a versão de pilha por economia não faz sentido, porque não existe economia.

O aviso é o Radio Sync. Os transmissores desse sinal ficam no Japão, na China, nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Alemanha. Nenhum na América do Sul.

As quatro referências que trazem a função aqui vendem um botão que não tem o que escutar, e cobram R$ 1.530 acima do piso da linha. O relógio continua ótimo. A função é que ficou do outro lado do oceano.

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