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Garantia Victorinox: cinco anos, e o que anula ela

Maison Garde & Co. 6 min de leitura
Cartao de garantia carimbado ao lado de um relogio suico sobre madeira escura

Cinco anos é mais que o dobro do padrão da faixa, e ela cai por inteiro se você comprar de quem não é revendedor autorizado.

A garantia é a parte da compra que ninguém lê, e é onde esta marca tem a maior vantagem sobre a concorrência direta dela.

Também é onde estão duas armadilhas que custam caro depois.

Cinco anos, e o que isso vale de verdade

Comece pelo tamanho da diferença, porque ela é grande.

Levantamos a garantia declarada de 1.780 referências à venda no Brasil, marca por marca. O resultado é este.

Marca Garantia declarada
Victorinox 5 anos em 22 das 25 refs
Tissot, Hamilton, Certina 2 anos, sem exceção
Bulova, Longines 2 anos, sem exceção
Seiko 3 anos na maioria
Citizen varia de 1 a 5 anos
Orient 1 a 2 anos

Repare que Tissot, Hamilton, Certina, Bulova e Longines não têm uma única referência acima de dois anos. São mais de mil relógios, todos com o mesmo número.

A Victorinox é a única do grupo em que cinco anos é a regra e não a exceção. E ela publica isso na ficha de produto, como na página do Alliance 241909.

Na prática isso cobre metade de uma década de uso. Não muda o relógio, e muda a conta de quem segura a peça.

Cinco anos contra dois. É a maior vantagem da marca na faixa.
Cinco anos contra dois. É a maior vantagem da marca na faixa.

O que a garantia cobre

Os termos oficiais são curtos e vale ler o que eles dizem de fato.

Cinco anos a partir da data da compra, para compras feitas desde 1º de janeiro de 2019. Não é a partir da fabricação, é a partir da nota.

Defeito de fabricação e de material que apareça em uso normal. Se aparecer, a marca conserta ou troca por modelo idêntico ou equivalente, por conta dela.

O frete de volta do centro de reparo também é por conta da marca. Parece detalhe até você comparar com quem cobra.

E tem um item que quase ninguém conhece: troca gratuita de pilha no primeiro ano, se a pilha que veio no relógio vier defeituosa.

O que ela não cobre

Aqui está a parte que gera discussão no balcão, e ela é explícita nos termos.

A pilha, depois do primeiro ano. Passou doze meses, troca de pilha é despesa sua e sempre foi.

Desgaste normal. Descoloração de pulseira, risco no vidro, no bisel, na pulseira ou na caixa. Nada disso entra, e é o que mais aparece num relógio de uso diário.

Dano por manuseio impróprio, abuso, mau uso ou acidente. Ou seja, o relógio que caiu não está coberto, mesmo numa marca cujo argumento é aguentar queda.

Esse último ponto merece uma linha. Os 130 testes do I.N.O.X. são projeto, não garantia. Uma coisa é o relógio ser construído para sobreviver, outra é a marca pagar se ele não sobreviver. Os testes estão em o relógio que passou pelo tanque.

O que anula a garantia

Duas coisas, e a primeira pega muita gente.

Comprar de quem não é revendedor autorizado. A garantia internacional só vale com o cartão carimbado, datado e assinado por revendedor autorizado, ou com comprovante de compra válido que mostre data e modelo.

Sem isso, os cinco anos simplesmente não existem. Vale a pena guardar a nota no mesmo lugar onde você guarda a caixa.

Isso também significa que um Victorinox usado quase nunca chega com garantia viva, mesmo dentro do prazo, se o cartão não veio junto. A lógica de comprar usado está em comprar relógio usado.

Abrir o relógio fora da rede autorizada. Conserto feito em assistência não autorizada encerra a cobertura, e isso inclui troca de pilha na loja da esquina.

A marca é direta sobre isso no FAQ oficial de relógios: não troque a pilha por conta própria. O motivo não é burocracia, e sim que abrir a caixa exige refazer o teste de vedação.

A manutenção que a marca pede

Ela publica dois calendários, e quase ninguém segue nenhum dos dois.

Serviço Quando O que inclui
Manutenção a cada 18 a 24 meses checagem do movimento, limpeza e teste de vedação
Revisão completa a cada 6 anos o serviço inteiro, com o movimento aberto

E existe uma recomendação separada, que é a mais importante para quem comprou por causa da água: teste de estanqueidade a cada 18 meses, ou sempre que a caixa for aberta por qualquer motivo.

A vedação envelhece sozinha, com uso ou sem uso. Um I.N.O.X. de dez anos que nunca passou por teste não é mais o relógio de 200 metros que saiu da caixa, e a régua de água está em 30, 50, 100 e 200 metros.

O custo desses serviços no Brasil varia por oficina e por tipo de movimento. A faixa de referência está em quanto custa a revisão de um relógio.

Teste de vedação a cada 18 meses, ou sempre que a caixa for aberta.
Teste de vedação a cada 18 meses, ou sempre que a caixa for aberta.

Quartzo e automático não custam igual

A garantia é a mesma nos dois, e a manutenção não é.

No quartzo, o gasto recorrente é troca de pilha, três ou quatro vezes numa década. É barato, é rápido e é feito na hora.

No automático, é a revisão completa, uma ou duas vezes na mesma década. É o serviço mais caro do uso normal de um relógio.

Cinco anos de garantia cobrem uma fatia maior da vida do quartzo do que da vida do mecânico, porque o mecânico continua cobrando depois que a garantia acaba. A conta inteira está em quanto custa manter um relógio mecânico por 10 anos.

Ou seja, a vantagem de cinco anos é real nos dois, e ela vale mais no lado que quase ninguém escolhe, que é o de quartzo. A comparação entre as duas versões está em I.N.O.X. quartzo ou automático.

O que fazer antes de comprar

Três conferências, e as três levam menos de cinco minutos.

Peça o cartão de garantia carimbado. Não aceite “a nota basta” sem conferir que a nota traz data e modelo. É esse papel que vale cinco anos.

Confirme que o vendedor é autorizado. É a condição que sustenta tudo o resto, e ela some no revendedor informal.

Anote a data. A contagem começa na compra, não na fabricação, e em cinco anos você não vai lembrar.

Feitas as três, você tem a cobertura mais longa que existe nessa faixa de preço. O panorama completo da marca está em Victorinox vale a pena.

Perguntas frequentes

A garantia Victorinox é de 5 anos mesmo?

É, para compras feitas a partir de 1º de janeiro de 2019, contados da data da compra. Vinte e duas das vinte e cinco referências à venda no Brasil declaram esse prazo.

A garantia cobre pilha?

Cobre a troca gratuita no primeiro ano, e só se a pilha vier defeituosa. Depois de doze meses a pilha é despesa sua.

Posso trocar a pilha em qualquer relojoeiro?

Pode, e você perde a garantia. Abrir a caixa fora da rede autorizada encerra a cobertura e deixa o relógio sem novo teste de vedação.

A garantia cobre risco e queda?

Não. Desgaste normal e dano por acidente ou mau uso estão excluídos nos termos, inclusive nos modelos construídos para resistência extrema.

Relógio usado vem com garantia?

Só se vier com o cartão carimbado por revendedor autorizado e ainda dentro dos cinco anos. Sem esse papel, a cobertura não existe.

De quanto em quanto tempo levo para revisar?

A marca pede manutenção a cada 18 a 24 meses e revisão completa a cada 6 anos. O teste de vedação ela recomenda a cada 18 meses.

O que fica

Cinco anos é o argumento mais concreto que a Victorinox tem contra a concorrência direta, e ele não aparece em nenhuma foto de produto.

Enquanto Tissot, Hamilton, Certina, Bulova e Longines trabalham com dois anos sem uma única exceção em mais de mil referências, esta marca entrega mais que o dobro e publica isso na ficha.

O que quase ninguém percebe é que essa vantagem inteira depende de um pedaço de papel carimbado no dia da compra. Perdido esse papel, você comprou exatamente a mesma garantia de todo mundo, pagando por uma que era melhor.

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