A Victorinox tem automático? Tem quatro, e todos custam caro
Tem, e são quatro. Todos custam mais que o dobro da média da marca, e em um deles a diferença entre o preço oficial e o de vitrine passa de quatro mil reais.
Esta é uma das perguntas mais feitas sobre a marca, e a resposta honesta incomoda um pouco.
Tem automático, sim. Só que ele não é o produto principal da casa, e o preço deixa isso muito claro.
A resposta curta
Do catálogo brasileiro, vinte e uma das vinte e cinco referências são de quartzo. Sobram quatro automáticos.
E eles não estão na mesma faixa do resto. Enquanto a marca vende relógio a partir de R$ 3.774, os automáticos começam perto de R$ 8.000.
Ou seja: você não escolhe entre quartzo e automático dentro do mesmo orçamento. Você escolhe entre comprar um Victorinox ou comprar um Victorinox automático, que custa mais que o dobro.
Os quatro automáticos que existem aqui
| Modelo | Preço no varejo | Água | Caixa |
|---|---|---|---|
| Airboss Mechanical 241888 | R$ 8.976 | 100 m | aço |
| Automático azul 241834 | R$ 10.098 | 200 m | aço |
| I.N.O.X. Carbon 242023.1 | R$ 11.016 | 200 m | carbono |
| I.N.O.X. Mechanical 241837 | R$ 12.240 | 200 m | aço |
Fora dessa lista existe ainda o Journey 1884 automático, que a própria marca vende por R$ 8.747 e que traz cerâmica no bisel.
Ele é o único automático da casa com bisel giratório, e a ficha inteira está em Journey 1884.
Repare no formato da lista. Os quatro cobrem uma faixa de mais de três mil reais e nenhum deles é barato, o que é o oposto de tudo que a marca faz no quartzo.

O que tem dentro deles
Aqui a marca é mais honesta que a média do mercado, e isso merece ser dito.
A ficha oficial do I.N.O.X. Mechanical nomeia o calibre com todas as letras: Sellita SW200-1, suíço, visível pelo fundo translúcido.
O SW200-1 é um dos movimentos mais usados da relojoaria suíça de entrada, e está dentro de Oris, Christopher Ward e parte da produção da TAG Heuer. A história completa dele está em o motor suíço dentro de meio mercado.
Isso significa três coisas práticas. Peça de reposição existe, relojoeiro treinado existe, e exclusividade não existe.
Vale conhecer os números dele antes de decidir. São 38 horas de reserva, o que quer dizer que ele para se ficar o fim de semana inteiro fora do pulso.
E ele erra segundos por dia, enquanto qualquer quartzo erra segundos por mês. A régua está em quantos segundos um relógio pode errar.
A diferença que ninguém confere
Esta é a parte que economiza dinheiro de verdade, e ela vale para uma referência específica.
O I.N.O.X. Mechanical 241837 aparece no varejo por R$ 12.240. A própria Victorinox publica o preço dele em R$ 7.964.
São R$ 4.276 de diferença na mesma referência, ou 54%. Não é outro modelo, não é outra cor, não é outra pulseira. É o mesmo relógio.
Isso não é regra da marca, porque em outras referências o varejo fica abaixo do oficial. O que existe é uma régua, e ela corre nos dois sentidos, como mostra o panorama da Victorinox.
A lição é curta: confira a sua referência no site da marca antes de fechar. Leva um minuto e às vezes vale quatro mil reais.
Por que a marca é quase toda de quartzo
Vale entender, porque muda como você lê o catálogo.
A Victorinox passou 105 anos fazendo ferramenta antes do primeiro relógio, e a cultura da casa é resistência, não relojoaria.
Quartzo traduz melhor essa ideia. Um módulo de pilha não tem o que quebrar numa queda, é mais fino, é mais preciso e não pede revisão de mecânico.
Para uma marca cujo argumento central é aguentar pancada, o quartzo não é economia. É coerência.
O automático existe porque o mercado pede. Quem gasta oito mil reais num relógio suíço espera mecânica dentro, e a marca atende.
Isso aparece na ficha do Alliance de quartzo, que entrega 100 metros de água por R$ 4.124 e resolve a vida de mais gente que qualquer automático da casa.

A conta de dez anos
O preço de compra é a primeira parcela, e o automático cobra de novo depois.
| Dez anos | Um Victorinox de quartzo | Um Victorinox automático |
|---|---|---|
| Compra | R$ 4.124 | R$ 7.964 |
| Manutenção | 3 a 4 trocas de pilha | 1 a 2 revisões completas |
| Custo do serviço | baixo, feito na hora | alto, semanas na oficina |
| Reserva | não se aplica | 38 horas |
| Garantia | 5 anos | 5 anos |
A distância na compra cresce ao longo da década, porque revisão de mecânico custa muito mais que troca de pilha. A conta completa está em quanto custa manter um relógio mecânico por 10 anos.
E existe um custo que quase ninguém soma: o automático parado. Se este for o seu segundo relógio, ele vai estar sem hora toda vez que você o pegar.
O que nenhum deles tem
Vale listar, porque é o que separa esta marca de quem faz relojoaria há mais tempo.
Calibre próprio. Todos usam movimento suíço comprado de terceiro. Isso é comum na faixa e não é defeito, e também não é argumento de valor.
Reserva longa. Trinta e oito horas perdem feio para as 80 horas do Powermatic 80 da Tissot e do H-50 da Hamilton, que atravessam o fim de semana.
Revenda. O mercado de usados da marca é pequeno no Brasil, e um automático de oito mil sofre mais com isso que um quartzo de quatro.
O que eles têm, e a concorrência direta quase nunca tem, são cinco anos de garantia e um preço oficial publicado para você conferir.
Qual comprar
Compre o I.N.O.X. Mechanical se você quer a mecânica dentro do modelo que define a marca. É o automático mais completo dela, com 200 metros e a homologação de 130 testes, e a comparação com o irmão de quartzo está em I.N.O.X. quartzo ou automático.
Compre o Journey 1884 automático se cerâmica no bisel importa. É o único lugar do catálogo onde ela aparece, e custa menos que o I.N.O.X. de varejo.
Compre o I.N.O.X. Carbon se peso é o critério. Carbono é mais leve que aço e a caixa muda de caráter.
Não compre automático nenhum se o motivo for desempenho. Você paga mais por um motor menos preciso e que pede revisão, e isso é normal em relojoaria.
Não compre automático se a sua faixa é até cinco mil. Nessa faixa a marca não tem resposta, e a lista de quem tem está em o melhor automático até R$ 5.000.
Perguntas frequentes
Quantos automáticos a Victorinox tem no Brasil?
Quatro no varejo, mais o Journey 1884 automático vendido pela própria marca. As outras vinte e uma referências do catálogo são de quartzo.
Qual o automático mais barato da Victorinox?
O I.N.O.X. Mechanical, por R$ 7.964 no preço oficial da marca. No varejo ele aparece bem mais caro, o que faz a conferência valer a pena.
Qual movimento a Victorinox usa nos automáticos?
O Sellita SW200-1, suíço, que a própria marca nomeia na ficha do I.N.O.X. Mechanical. É um dos calibres mais usados da relojoaria suíça de entrada.
O automático é mais resistente que o quartzo?
Não. No I.N.O.X. as duas versões têm a mesma caixa, os mesmos 200 metros e a mesma homologação de 130 testes. Só o motor muda.
Quanto tempo o automático fica parado?
Trinta e oito horas de reserva. Fora do pulso na sexta à noite, ele para antes do domingo de manhã.
Vale a pena pagar o dobro pelo automático?
Vale se você quer a mecânica pela mecânica. Não vale se o que te atrai é a resistência da marca, porque ela é idêntica nas duas versões.
O que fica
A Victorinox tem automático, e ela nunca fingiu que esse era o ponto dela.
Os quatro que existem aqui são bons, usam um movimento suíço confiável e custam o que um automático suíço custa. O que eles não são é a razão pela qual alguém compra esta marca.
Se o que te trouxe até aqui foi a resistência, o quartzo entrega isso inteiro por metade do dinheiro.
Se foi a vontade de ter um motor mecânico no pulso, o degrau existe e começa perto de oito mil reais, com uma diferença de quatro mil no meio do caminho para quem não confere o preço oficial.