MAISON GARDE Consultoria grátis

A Bulova é de onde? Americana de nascimento, japonesa de dono

Maison Garde & Co. 6 min de leitura
Relógio Bulova de aço sobre madeira escura ao lado de um mapa antigo dobrado

Ela nasceu em Nova York, o dono é japonês, e o relógio que faz muita gente jurar que ela é suíça existe de verdade. As três coisas são compatíveis.

Essa pergunta chega escrita de quatro jeitos e todos querem a mesma coisa.

A resposta tem três países dentro, e vale saber qual deles importa para o relógio que chega no seu pulso.

A resposta em uma linha

A Bulova é americana de nascimento e japonesa de dono.

Ela foi fundada em Nova York, em 1875, e desde 2008 pertence à Citizen, que é japonesa.

Bulova
País de origem Estados Unidos
Ano de fundação 1875
Dona hoje Citizen, do Japão
Desde 2008
É suíça não

As duas coisas convivem, e é isso que confunde. História de marca e dono de empresa são registros diferentes, e quase toda casa antiga hoje tem os dois em países diferentes.

O nascimento americano

A origem é real e é mais antiga que a de quase toda marca suíça de vitrine.

A ficha histórica da marca registra o começo: Joseph Bulova, um imigrante, abriu a J. Bulova Company em Nova York, em 1875.

Isso a torna mais velha que a Tissot moderna, que a Certina e que boa parte do catálogo suíço que hoje custa três vezes mais.

E a história americana dela não é só data de fundação. A marca construiu nome em publicidade, em rádio e em cronometragem ao longo do século 20, e vende até hoje um cronógrafo apoiado na ligação com o programa espacial, tratado em Bulova Lunar Pilot.

O panorama de quais países realmente fabricam relógio está no guia da Monochrome sobre os cinco polos da relojoaria.

História de marca não é o mesmo que fábrica, e é exatamente aí que a resposta muda de país.

A compra japonesa

Aqui está o fato que decide a pergunta, e ele tem data exata.

Em 10 de janeiro de 2008 a Citizen comprou a Bulova por US$ 250 milhões. A ficha do grupo Citizen lista a marca entre as empresas dela desde então.

Isso tem uma consequência prática que ninguém conta na loja: a Bulova e a Citizen dividem a mesma casa de movimentos.

Os automáticos da Bulova rodam calibres Miyota, que é a fabricante de movimentos do grupo Citizen, e o panorama está em Miyota, o movimento japonês.

Ou seja, na prática:

O nome é americano. Fundado em Nova York em 1875, e a marca vive disso.

O motor é japonês. Miyota na maior parte da linha automática.

A montagem é asiática. É o padrão do grupo para essa faixa de preço.

A comparação direta entre as duas marcas irmãs está em Bulova ou Citizen, e elas custam quase o mesmo por um motivo simples: são a mesma empresa.

Fundada em Nova York em 1875. Comprada pela Citizen em 2008.
Fundada em Nova York em 1875. Comprada pela Citizen em 2008.

A Bulova é suíça

Não é, e vale explicar de onde vem a confusão, porque ela tem fundamento.

Seis referências do catálogo brasileiro rodam movimento suíço da Sellita. São as linhas Commodore, a Frank Sinatra automática e o topo da marca aqui, um MIL-SHIPS de R$ 19.523.

E o mostrador dessas peças diz SWISS MADE, porque a regra de origem da Suíça se aplica ao relógio e não à marca. O critério está no verbete da Monochrome.

Então a resposta completa é esta:

Vale para
A marca é suíça não, é americana de origem e japonesa de dono
Existe Bulova suíço sim, seis referências com movimento Sellita

E o movimento suíço tem preço, que é onde a conversa vira prática. Separamos as 142 referências brasileiras em dois grupos:

Grupo Referências Mediana Piso
Com Sellita suíço 6 R$ 9.333 R$ 8.160
Todo o resto 136 R$ 4.437 R$ 2.856

A prateleira suíça da marca custa mais que o dobro da mediana do resto, e ela não começa antes de oito mil reais. Ou seja, quem procura Bulova por causa do preço não vai encontrar suíço, e quem encontra suíço não está mais pagando preço de Bulova.

A segunda confusão vem da linha Accutron, que teve montagem na Suíça em outra época da empresa e deixou essa memória no mercado.

O detalhamento das duas prateleiras da marca está em a Bulova é marca de luxo.

O que isso muda na compra

Vale ser prático, porque origem só interessa se mudar alguma coisa no pulso.

Não muda a confiabilidade. Miyota é um dos movimentos mais fabricados do mundo, barato de manter e fácil de consertar em qualquer lugar.

Muda o que esperar do preço. São 142 referências no Brasil, de R$ 2.856 a R$ 19.523, com mediana em R$ 4.488. É marca de meio de mercado, e o detalhamento está em a Bulova é uma marca boa.

Muda a expectativa de água. Oitenta e duas das 142 referências declaram apenas 30 metros, o erro de compra mais comum da marca, segundo a régua de 30, 50, 100 e 200 metros.

Não muda a assistência. Como o dono é o mesmo da Citizen, a rede no Brasil é resolvida, ao contrário das microempresas europeias.

Muda a revenda. Marca de volume com catálogo grande tem saída lenta, e a lógica está em relógio é investimento.

As outras marcas que confundem igual

Vale registrar, porque a Bulova não é caso isolado e o padrão se repete.

A Hamilton nasceu nos Estados Unidos e hoje é do grupo suíço, o oposto exato do caso da Bulova, e a história está em a Hamilton é suíça ou americana.

A Orient é japonesa e pertence à Seiko Epson, que é uma empresa diferente da que faz o Seiko de vitrine, explicado em Seiko e Orient são a mesma coisa.

A Timex é americana de 1854 e mantém a origem no nome, tratada em Timex vale a pena.

O padrão é sempre o mesmo. O nome fica no país de origem e a fábrica vai para onde a conta fecha, e nenhuma das duas coisas sozinha diz se o relógio é bom.

Seis referências rodam Sellita suíço, e o mostrador delas diz Swiss Made.
Seis referências rodam Sellita suíço, e o mostrador delas diz Swiss Made.

Perguntas frequentes

A Bulova é de qual país?

Ela é americana de origem, fundada em Nova York em 1875, e japonesa de dono desde 2008, quando a Citizen comprou a marca.

A Bulova é suíça?

A marca não é. Existem seis referências no catálogo brasileiro com movimento suíço da Sellita, e o mostrador delas diz Swiss Made, porque a regra de origem se aplica ao relógio e não à empresa.

Quem é a dona da Bulova?

A Citizen, do Japão. A compra foi anunciada em 10 de janeiro de 2008, por US$ 250 milhões.

A Bulova ainda fabrica nos Estados Unidos?

Não como antes. O nome e a história são americanos, e o movimento e a montagem seguem o padrão do grupo japonês que é dono da marca.

Qual movimento a Bulova usa?

Miyota na maior parte da linha automática, que é a fabricante de movimentos do grupo Citizen. Seis referências brasileiras usam Sellita, que é suíço.

Bulova e Citizen são a mesma empresa?

Pertencem ao mesmo grupo desde 2008. São marcas separadas, com catálogos e preços próprios, e dividem a casa de movimentos.

O que fica

A pergunta tem três países e cada um responde uma coisa diferente.

Os Estados Unidos respondem pela história. Fundada em Nova York em 1875 por Joseph Bulova, e mais velha que boa parte do catálogo suíço de vitrine.

O Japão responde pelo presente. Desde 10 de janeiro de 2008 a marca pertence à Citizen, comprada por US$ 250 milhões, e os automáticos rodam Miyota.

A Suíça responde por seis referências. Elas usam movimento Sellita e o mostrador diz Swiss Made, porque a regra vale para o relógio e não para a empresa.

Nada disso decide se o relógio é bom. O que decide está na ficha, e o número que mais surpreende quem compra Bulova é este: 82 das 142 referências brasileiras declaram apenas 30 metros de água.

Confira essa linha antes de olhar a bandeira.

Continue lendo