A Bulova é de onde? Americana de nascimento, japonesa de dono
Ela nasceu em Nova York, o dono é japonês, e o relógio que faz muita gente jurar que ela é suíça existe de verdade. As três coisas são compatíveis.
Essa pergunta chega escrita de quatro jeitos e todos querem a mesma coisa.
A resposta tem três países dentro, e vale saber qual deles importa para o relógio que chega no seu pulso.
A resposta em uma linha
A Bulova é americana de nascimento e japonesa de dono.
Ela foi fundada em Nova York, em 1875, e desde 2008 pertence à Citizen, que é japonesa.
| Bulova | |
|---|---|
| País de origem | Estados Unidos |
| Ano de fundação | 1875 |
| Dona hoje | Citizen, do Japão |
| Desde | 2008 |
| É suíça | não |
As duas coisas convivem, e é isso que confunde. História de marca e dono de empresa são registros diferentes, e quase toda casa antiga hoje tem os dois em países diferentes.
O nascimento americano
A origem é real e é mais antiga que a de quase toda marca suíça de vitrine.
A ficha histórica da marca registra o começo: Joseph Bulova, um imigrante, abriu a J. Bulova Company em Nova York, em 1875.
Isso a torna mais velha que a Tissot moderna, que a Certina e que boa parte do catálogo suíço que hoje custa três vezes mais.
E a história americana dela não é só data de fundação. A marca construiu nome em publicidade, em rádio e em cronometragem ao longo do século 20, e vende até hoje um cronógrafo apoiado na ligação com o programa espacial, tratado em Bulova Lunar Pilot.
O panorama de quais países realmente fabricam relógio está no guia da Monochrome sobre os cinco polos da relojoaria.
História de marca não é o mesmo que fábrica, e é exatamente aí que a resposta muda de país.
A compra japonesa
Aqui está o fato que decide a pergunta, e ele tem data exata.
Em 10 de janeiro de 2008 a Citizen comprou a Bulova por US$ 250 milhões. A ficha do grupo Citizen lista a marca entre as empresas dela desde então.
Isso tem uma consequência prática que ninguém conta na loja: a Bulova e a Citizen dividem a mesma casa de movimentos.
Os automáticos da Bulova rodam calibres Miyota, que é a fabricante de movimentos do grupo Citizen, e o panorama está em Miyota, o movimento japonês.
Ou seja, na prática:
O nome é americano. Fundado em Nova York em 1875, e a marca vive disso.
O motor é japonês. Miyota na maior parte da linha automática.
A montagem é asiática. É o padrão do grupo para essa faixa de preço.
A comparação direta entre as duas marcas irmãs está em Bulova ou Citizen, e elas custam quase o mesmo por um motivo simples: são a mesma empresa.

A Bulova é suíça
Não é, e vale explicar de onde vem a confusão, porque ela tem fundamento.
Seis referências do catálogo brasileiro rodam movimento suíço da Sellita. São as linhas Commodore, a Frank Sinatra automática e o topo da marca aqui, um MIL-SHIPS de R$ 19.523.
E o mostrador dessas peças diz SWISS MADE, porque a regra de origem da Suíça se aplica ao relógio e não à marca. O critério está no verbete da Monochrome.
Então a resposta completa é esta:
| Vale para | |
|---|---|
| A marca é suíça | não, é americana de origem e japonesa de dono |
| Existe Bulova suíço | sim, seis referências com movimento Sellita |
E o movimento suíço tem preço, que é onde a conversa vira prática. Separamos as 142 referências brasileiras em dois grupos:
| Grupo | Referências | Mediana | Piso |
|---|---|---|---|
| Com Sellita suíço | 6 | R$ 9.333 | R$ 8.160 |
| Todo o resto | 136 | R$ 4.437 | R$ 2.856 |
A prateleira suíça da marca custa mais que o dobro da mediana do resto, e ela não começa antes de oito mil reais. Ou seja, quem procura Bulova por causa do preço não vai encontrar suíço, e quem encontra suíço não está mais pagando preço de Bulova.
A segunda confusão vem da linha Accutron, que teve montagem na Suíça em outra época da empresa e deixou essa memória no mercado.
O detalhamento das duas prateleiras da marca está em a Bulova é marca de luxo.
O que isso muda na compra
Vale ser prático, porque origem só interessa se mudar alguma coisa no pulso.
Não muda a confiabilidade. Miyota é um dos movimentos mais fabricados do mundo, barato de manter e fácil de consertar em qualquer lugar.
Muda o que esperar do preço. São 142 referências no Brasil, de R$ 2.856 a R$ 19.523, com mediana em R$ 4.488. É marca de meio de mercado, e o detalhamento está em a Bulova é uma marca boa.
Muda a expectativa de água. Oitenta e duas das 142 referências declaram apenas 30 metros, o erro de compra mais comum da marca, segundo a régua de 30, 50, 100 e 200 metros.
Não muda a assistência. Como o dono é o mesmo da Citizen, a rede no Brasil é resolvida, ao contrário das microempresas europeias.
Muda a revenda. Marca de volume com catálogo grande tem saída lenta, e a lógica está em relógio é investimento.
As outras marcas que confundem igual
Vale registrar, porque a Bulova não é caso isolado e o padrão se repete.
A Hamilton nasceu nos Estados Unidos e hoje é do grupo suíço, o oposto exato do caso da Bulova, e a história está em a Hamilton é suíça ou americana.
A Orient é japonesa e pertence à Seiko Epson, que é uma empresa diferente da que faz o Seiko de vitrine, explicado em Seiko e Orient são a mesma coisa.
A Timex é americana de 1854 e mantém a origem no nome, tratada em Timex vale a pena.
O padrão é sempre o mesmo. O nome fica no país de origem e a fábrica vai para onde a conta fecha, e nenhuma das duas coisas sozinha diz se o relógio é bom.

Perguntas frequentes
A Bulova é de qual país?
Ela é americana de origem, fundada em Nova York em 1875, e japonesa de dono desde 2008, quando a Citizen comprou a marca.
A Bulova é suíça?
A marca não é. Existem seis referências no catálogo brasileiro com movimento suíço da Sellita, e o mostrador delas diz Swiss Made, porque a regra de origem se aplica ao relógio e não à empresa.
Quem é a dona da Bulova?
A Citizen, do Japão. A compra foi anunciada em 10 de janeiro de 2008, por US$ 250 milhões.
A Bulova ainda fabrica nos Estados Unidos?
Não como antes. O nome e a história são americanos, e o movimento e a montagem seguem o padrão do grupo japonês que é dono da marca.
Qual movimento a Bulova usa?
Miyota na maior parte da linha automática, que é a fabricante de movimentos do grupo Citizen. Seis referências brasileiras usam Sellita, que é suíço.
Bulova e Citizen são a mesma empresa?
Pertencem ao mesmo grupo desde 2008. São marcas separadas, com catálogos e preços próprios, e dividem a casa de movimentos.
O que fica
A pergunta tem três países e cada um responde uma coisa diferente.
Os Estados Unidos respondem pela história. Fundada em Nova York em 1875 por Joseph Bulova, e mais velha que boa parte do catálogo suíço de vitrine.
O Japão responde pelo presente. Desde 10 de janeiro de 2008 a marca pertence à Citizen, comprada por US$ 250 milhões, e os automáticos rodam Miyota.
A Suíça responde por seis referências. Elas usam movimento Sellita e o mostrador diz Swiss Made, porque a regra vale para o relógio e não para a empresa.
Nada disso decide se o relógio é bom. O que decide está na ficha, e o número que mais surpreende quem compra Bulova é este: 82 das 142 referências brasileiras declaram apenas 30 metros de água.
Confira essa linha antes de olhar a bandeira.