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Certina DS-1 vale a pena? Oitenta horas e onze milímetros

Maison Garde & Co. 6 min de leitura
Certina DS-1 de mostrador azul e bracelete de aço sobre linho claro

Ele é o relógio que a Certina faz quando não está tentando ser mergulhador, e é o mais fino de todo o catálogo dela.

A Certina é conhecida no Brasil por uma coisa só: mergulho com norma.

Só que a linha mais vendida dela em número de referência não entra na água, e quase ninguém escreve sobre isso.

O que é o DS-1

É a linha de uso diário da Certina, entre o esportivo e o de vestir.

O nome carrega o conceito que define a casa. DS quer dizer Double Security, e ele nasceu em 1959 com anéis de vedação na haste e na coroa, mais um fundo reforçado, segundo a análise da Monochrome sobre o DS-1.

A comparação da época era com a casca dura da tartaruga, que virou o logo da marca em 1960. O panorama completo está em Certina vale a pena.

São 20 referências à venda no Brasil, de R$ 6.936 a R$ 17.034.

A ficha, número por número

A ficha do DS-1 base é o retrato da linha, e ela tem um número que salta.

Certina DS-1
Caixa 40 mm por 10,98 mm
Água 100 metros
Calibre ETA Powermatic 80.611
Reserva 80 horas
Frequência 21.600 alternâncias por hora
Espiral Nivachron, antimagnética
Cristal safira abaulada, e safira no fundo
Pulseira aço de cinco elos, mais uma de tecido

Os números saem da mesma análise da Monochrome, que traz o preço internacional de referência: CHF 790.

O que salta é a altura. Dez vírgula noventa e oito milímetros num automático de 80 horas é fino, e é o que separa este relógio do resto do catálogo da marca.

Para comparação, o DS Action de mergulho passa de 12 mm e o Mido Ocean Star fica em 12,3.

Onze milímetros de altura. Passa sob punho de camisa fechado.
Onze milímetros de altura. Passa sob punho de camisa fechado.

As quatro versões que existem

Aqui está o que confunde na hora de comparar preço, porque todas se chamam DS-1.

Versão Preço O que muda
Powermatic 80 R$ 6.936 o base, três ponteiros e data
Day Date R$ 7.956 acrescenta o dia da semana
Big Date R$ 8.160 data grande, em duas janelas
Chrono R$ 17.034 cronógrafo, com Valjoux A05.231

Repare no salto do cronógrafo. Ele mais que dobra o preço, porque o movimento é outro: um Valjoux, que é a arquitetura de cronógrafo automático do mesmo grupo.

A leitura prática é curta. As três primeiras versões são o mesmo relógio com mostradores diferentes, e a diferença entre elas é de mil e duzentos reais.

O cronógrafo é outro produto, e ele briga com outra prateleira inteira.

O que ele entrega

Quatro coisas, e a segunda é rara na faixa.

Oitenta horas de reserva. Você tira na sexta à noite e ele ainda anda na segunda de manhã. Um Sellita SW200-1 entrega 38, como mostra o motor suíço dentro de meio mercado.

Safira dos dois lados. No mostrador e no fundo. Fundo de safira nessa faixa não é padrão, e ele deixa o rotor à vista.

Espiral de Nivachron. É a liga à base de titânio que não se magnetiza como aço comum. Celular e fecho de bolsa deixam de fazer o relógio adiantar minutos por dia.

A altura. Onze milímetros é o que faz ele passar sob punho fechado. É a coisa mais difícil de achar num automático suíço abaixo de sete mil reais.

Onde ele perde

Vale ser específico, porque é onde nasce o arrependimento.

Cem metros de água. É o suficiente para chuva, pia e piscina, e não é mergulho. A régua está em 30, 50, 100 e 200 metros.

Quem quer água de verdade olha o DS Action, que a Monochrome mediu em 38 mm por 13,22 mm com 300 metros e bisel de cerâmica. São dois milímetros e meio a mais de altura pelo triplo da água, e a ficha completa está em Certina DS Action Diver.

A marca é desconhecida no Brasil. Ninguém vai reconhecer no seu pulso, e isso cobra na revenda, como explica relógio é investimento.

A garantia é de dois anos. Padrão do grupo, e perde para quem oferece cinco.

O movimento não é exclusivo. O Powermatic 80 é ETA adaptado, e o mesmo tronco move Tissot, Mido e Hamilton, como mostra Mido vale a pena.

A arquitetura de onde ele nasce está no levantamento da Monochrome sobre o calibre 2824, e meia indústria suíça roda em cima dela.

Isso não é defeito: movimento de volume alto tem peça e relojoeiro em qualquer lugar, o que vale mais no longo prazo que exclusividade.

O cronógrafo é caro demais para a linha. Dezessete mil reais coloca você numa faixa em que a concorrência tem nome muito mais forte.

Contra a vizinhança

A comparação inevitável é com o que existe entre seis e oito mil reais.

Certina DS-1 Tissot PRX Powermatic Mido Multifort
Preço R$ 6.936 R$ 6.936 R$ 6.834
Altura 10,98 mm 10,9 mm acima de 11
Água 100 m 100 m 100 m
Reserva 80 h 80 h 80 h
Fundo de safira sim sim varia
Nome no Brasil fraco forte fraco

A ficha empata em quase tudo, porque as três dividem o mesmo tronco de movimento. É o padrão do Swatch Group, e ele se repete em todo comparativo deste blog.

O que separa as três é desenho e nome. O PRX tem pulseira integrada e reconhecimento, e a comparação direta está em Certina ou Tissot.

Oitenta horas. Ele atravessa o fim de semana sem parar.
Oitenta horas. Ele atravessa o fim de semana sem parar.

A conta de dez anos

O preço de vitrine é a primeira parcela, e o mecânico cobra de novo depois.

Dez anos DS-1 Um quartzo suíço da faixa
Compra R$ 6.936 R$ 4.124
Manutenção 1 a 2 revisões completas 3 a 4 trocas de pilha
Custo do serviço alto, semanas na oficina baixo, feito na hora
Garantia 2 anos até 5 anos

A distância na compra cresce ao longo da década, e a conta completa está em quanto custa manter um relógio mecânico por 10 anos.

A boa notícia é que o Powermatic 80 é movimento de volume alto, então peça de reposição e relojoeiro treinado existem em qualquer lugar. Isso vale mais no longo prazo que exclusividade.

Para quem faz sentido

Compre se você quer automático suíço fino. Onze milímetros com 80 horas de reserva é uma combinação difícil de achar nessa faixa.

Compre se o relógio vai passar o dia com camisa. É a proposta central da linha.

Compre se você já tem um mergulhador e quer o oposto dele.

Não compre se você entra na água de verdade. Cem metros é chuva e piscina, não mergulho.

Não compre o cronógrafo se o orçamento é o critério. Dezessete mil reais é outra conversa e outra prateleira.

Perguntas frequentes

O que quer dizer DS na Certina?

Double Security, o conceito de construção que a marca lançou em 1959 com vedação reforçada na coroa e no fundo. A tartaruga do logo veio em 1960 pela mesma comparação.

Quantas horas de reserva o DS-1 tem?

Oitenta horas, no Powermatic 80.611. É mais que o dobro de um Sellita SW200-1, que entrega 38.

O DS-1 serve para nadar?

Serve. Cem metros cobrem natação com folga. Ele não tem coroa rosqueada nem bisel, então não é relógio de mergulho.

Qual o tamanho dele?

Quarenta milímetros de diâmetro por 10,98 mm de altura. É o mais fino do catálogo da marca.

Qual a diferença entre as versões?

Mostrador e complicação. As três primeiras são o mesmo relógio com data simples, dia da semana ou data grande. O cronógrafo usa outro movimento e custa mais que o dobro.

O movimento é exclusivo da Certina?

Não. O Powermatic 80 é um ETA adaptado, e o mesmo tronco move Tissot, Mido e Hamilton.

O que fica

O DS-1 é o relógio que resolve um problema que quase ninguém formula em voz alta: querer automático suíço que caiba sob a camisa.

Ele entrega 80 horas, safira dos dois lados, espiral antimagnética e onze milímetros de altura por menos de sete mil reais. A lista de quem faz isso tudo junto nessa faixa é curta.

O que ele não entrega é reconhecimento nem água de verdade. Se você queria um relógio que as pessoas identificam, o mesmo motor existe com outro logo e custa o mesmo.

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