Alpina vale a pena? É irmã da Frederique Constant e neta da Citizen
Ela é suíça, tem quase um século e meio, e o dono dela é a mesma empresa japonesa que comprou a Bulova. A árvore genealógica explica o produto melhor que o catálogo.
Existe uma marca no catálogo brasileiro que quase ninguém sabe posicionar.
Ela é mais velha que a maioria dos nomes suíços de vitrine, custa mais de onze mil reais, e o comprador médio nunca ouviu falar dela.
De quem é a Alpina
A ficha da marca conta uma sequência de donos que muda o jeito de olhar o produto.
A Alpina foi fundada em 1883, em Winterthur, na Suíça, por Gottlieb Hauser. Isso a torna mais velha que boa parte das casas suíças que hoje enchem a vitrine.
Depois vêm as duas datas que importam:
Em 2002 a Frederique Constant comprou a Alpina. As duas passaram a operar juntas, na mesma sede em Plan-les-Ouates, em Genebra.
Em 2016 a Citizen comprou o grupo inteiro. Ou seja, a Frederique Constant e a Alpina junto com ela.
| Alpina | |
|---|---|
| Fundação | 1883, Winterthur |
| Fundador | Gottlieb Hauser |
| Irmã | Frederique Constant, desde 2002 |
| Dona hoje | Citizen, do Japão, desde 2016 |
Essa última linha tem uma consequência prática que quase ninguém conecta. A Citizen é a mesma dona da Bulova, comprada em 2008, história que está em a Bulova é de onde e na ficha do grupo Citizen.
Ou seja, três marcas do catálogo brasileiro que parecem não ter nada a ver umas com as outras têm o mesmo dono: Alpina, Frederique Constant e Bulova.
A Frederique Constant tem 47 referências aqui e a Alpina tem 13, e é útil ver as duas como a mesma casa dividida em dois temperamentos: uma vende relógio de vestir e a outra vende relógio de esporte.
As treze referências
Levantamos o catálogo. São 13 referências, de R$ 11.832 a R$ 20.298, com mediana em R$ 13.974.
As 13 declaram 2 anos de garantia, sem variação, régua que está em garantia de relógio por marca.
E há um dado que define o posicionamento: a marca não tem entrada. O piso custa R$ 11.832, o que a coloca acima de Tissot, Certina, Mido e Longines de entrada inteiros. Quem conhece a Alpina normalmente já passou por essas outras.
Onze das 13 são automáticas, e as duas exceções abrem a seção mais interessante deste texto.

As quatro linhas
O catálogo brasileiro traz quatro famílias, e elas se separam bem.
| Linha | Referências | Água | Espessura | Faixa |
|---|---|---|---|---|
| Startimer Pilot | 5 | 100 m | 11,5 mm | R$ 11.832 a R$ 17.340 |
| Seastrong Diver 300 | 3 | 300 m | 12,3 mm | R$ 15.504 a R$ 20.094 |
| Extreme | 4 | 100 a 200 m | 8,3 a 11,5 mm | R$ 13.974 a R$ 20.298 |
| Alpiner 4 | 1 | 100 m | 12,5 mm | R$ 11.934 |
O Startimer Pilot é a linha de aviação e a mais numerosa. Cinco referências, todas automáticas, com mostrador de piloto e 100 metros de água. O tipo está explicado em o que é um relógio de piloto.
O Seastrong Diver 300 é o mergulhador, e o número no nome é literal: 300 metros nas três referências. Numa faixa em que muita marca para em 200, isso é argumento real, e a régua está em 30, 50, 100 e 200 metros.
O Extreme é a linha esportiva de caixa integrada, e é a única onde convivem quartzo e automático.
O Alpiner 4 é uma referência solitária, a R$ 11.934, e é a mais barata do catálogo junto com o Startimer de entrada.
O panorama do que caracteriza um mergulhador está no texto técnico da Monochrome.
O caso do Extreme de quartzo
Vale abrir uma seção, porque aqui a marca faz uma coisa que quase ninguém faz na faixa dela.
Duas referências do Extreme são de quartzo, custam R$ 13.974 e têm 8,3 mm.
Leia os três números juntos. Quatorze mil reais num relógio a pilha é uma proposta que a maior parte do mercado considera indefensável nessa faixa.
Só que o 8,3 mm explica a conta. A marca trocou o rotor por altura.
Sem mecanismo automático dentro da caixa, o Extreme cai para a faixa dos relógios finos, e o catálogo mostra o que isso vale: menos de 10% das referências brasileiras ficam abaixo de 9 mm, conta detalhada em a espessura do relógio.
Compare dentro da própria marca. As outras onze referências Alpina ficam entre 11,5 e 12,5 mm. Ou seja, o Extreme de quartzo é três milímetros mais baixo que qualquer outra peça da casa.
A diferença entre as duas tecnologias está no comparativo da Monochrome, com a lembrança de sempre: quartzo mede melhor, régua que está em quantos segundos um relógio pode errar.
Ainda assim, é a referência mais discutível da linha. Você paga quase catorze mil reais e leva um relógio que precisa de troca de pilha, e quem compra Alpina costuma comprar por mecânica.
Onde ela perde
Vale listar, porque é onde nasce o arrependimento.
Não existe entrada. O piso é R$ 11.832 e não há degrau abaixo dele. Quem quer experimentar a marca não tem por onde.
O reconhecimento é baixíssimo. É provavelmente o nome menos identificado do catálogo nessa faixa de preço, e isso pesa na revenda, lógica que está em relógio é investimento.
A ficha não publica calibre. Nenhuma das 13 diz qual movimento está lá dentro, o que é ruim num produto de doze a vinte mil reais.
Nada é fino, fora as duas de quartzo. As outras onze ficam em 11,5 mm ou acima.
A irmã é mais conhecida. Pelo mesmo dinheiro, a Frederique Constant entrega mais reconhecimento de mesa, se é isso que você busca.
Contra a vizinhança
A faixa de onze a vinte mil reais.
| Alpina Startimer | Frederique Constant | Sinn 556A | Oris Aquis | |
|---|---|---|---|---|
| Piso | R$ 11.832 | R$ 8.160 | R$ 13.260 | R$ 19.176 |
| Movimento | automático | automático | automático | automático |
| Água | 100 m | 30 a 50 m | 200 m | 300 m |
| Espessura | 11,5 mm | a partir de 5,85 mm | 11 mm | 10 a 14 mm |
| Garantia | 2 anos | 2 anos | 2 anos | 2 anos |
| Rede no Brasil | via grupo | via grupo | não | sim |
A leitura é equilibrada. O Startimer perde em água para Sinn e Oris e ganha dos dois em preço, e a irmã dela entra R$ 3.672 abaixo.
A Frederique Constant é a mesma casa com foco em vestir, e não em esporte. O Sinn dobra a água por R$ 1.428 a mais. O Oris Aquis é o mergulhador de verdade da mesa e custa bem mais.
E vale a nota que o quadro esconde: Alpina e Frederique Constant pertencem ao mesmo grupo japonês, então a conversa de assistência é a mesma para as duas.

Qual comprar
Compre o Startimer Pilot a R$ 11.832 se você quer entrar na marca. É o piso e é a linha mais característica da casa.
Compre o Seastrong Diver 300 a R$ 15.504 se água é uso real. São 300 metros, patamar que a maior parte da faixa não alcança.
Compre o Alpiner 4 a R$ 11.934 se você quer um esportivo com data e sem cara de aviação.
Compre o Extreme de quartzo a R$ 13.974 se espessura é o critério acima de tudo. São 8,3 mm, e você abre mão da mecânica por isso.
Não compre se reconhecimento importa. É o nome menos identificado da faixa, e a irmã dela resolve isso por menos.
Perguntas frequentes
O relógio Alpina é bom?
É uma marca suíça de 1883 com construção sólida e linhas bem definidas, sobretudo aviação e mergulho. O que pesa contra é o reconhecimento baixo e a ficha que não publica calibre.
Quanto custa uma Alpina no Brasil?
De R$ 11.832 a R$ 20.298, em 13 referências, com mediana em R$ 13.974. A marca não tem opção de entrada abaixo disso.
Quem é a dona da Alpina?
A Citizen, do Japão, desde 2016, quando comprou o grupo Frederique Constant inteiro. A Frederique Constant, por sua vez, tinha comprado a Alpina em 2002.
Alpina e Frederique Constant são a mesma empresa?
Pertencem ao mesmo grupo desde 2002 e dividem a sede em Genebra. São marcas separadas, e na prática uma cobre relógio de vestir e a outra, esporte.
Qual a Alpina mais barata do Brasil?
Um Startimer Pilot automático a R$ 11.832, com 100 metros de água e 11,5 mm de espessura.
Qual Alpina aguenta mais água?
O Seastrong Diver 300, com 300 metros declarados nas três referências à venda aqui, a partir de R$ 15.504.
O que fica
A Alpina é uma marca antiga com uma árvore genealógica que explica o produto.
Fundada em 1883 em Winterthur, comprada pela Frederique Constant em 2002, e parte do grupo Citizen desde 2016. Isso a coloca na mesma casa da Bulova, o que quase nenhum comprador sabe.
São 13 referências, de R$ 11.832 a R$ 20.298, todas com 2 anos de garantia, e a marca não tem degrau de entrada. Você entra por quase doze mil reais ou não entra.
As duas pontas úteis são claras. O Seastrong Diver 300 faz 300 metros, patamar que boa parte da faixa não alcança. E o Extreme de quartzo tem 8,3 mm, três milímetros abaixo de qualquer outra peça da casa, porque trocou o rotor por altura.
O que ela não tem é nome na mesa. Se isso não te incomoda, é uma marca coerente pelo que cobra. Se incomoda, a irmã dela custa menos e é mais conhecida.