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Alpina vale a pena? É irmã da Frederique Constant e neta da Citizen

Maison Garde & Co. 7 min de leitura
Alpina Extreme de caixa octogonal e mostrador azul-petróleo sobre pedra clara

Ela é suíça, tem quase um século e meio, e o dono dela é a mesma empresa japonesa que comprou a Bulova. A árvore genealógica explica o produto melhor que o catálogo.

Existe uma marca no catálogo brasileiro que quase ninguém sabe posicionar.

Ela é mais velha que a maioria dos nomes suíços de vitrine, custa mais de onze mil reais, e o comprador médio nunca ouviu falar dela.

De quem é a Alpina

A ficha da marca conta uma sequência de donos que muda o jeito de olhar o produto.

A Alpina foi fundada em 1883, em Winterthur, na Suíça, por Gottlieb Hauser. Isso a torna mais velha que boa parte das casas suíças que hoje enchem a vitrine.

Depois vêm as duas datas que importam:

Em 2002 a Frederique Constant comprou a Alpina. As duas passaram a operar juntas, na mesma sede em Plan-les-Ouates, em Genebra.

Em 2016 a Citizen comprou o grupo inteiro. Ou seja, a Frederique Constant e a Alpina junto com ela.

Alpina
Fundação 1883, Winterthur
Fundador Gottlieb Hauser
Irmã Frederique Constant, desde 2002
Dona hoje Citizen, do Japão, desde 2016

Essa última linha tem uma consequência prática que quase ninguém conecta. A Citizen é a mesma dona da Bulova, comprada em 2008, história que está em a Bulova é de onde e na ficha do grupo Citizen.

Ou seja, três marcas do catálogo brasileiro que parecem não ter nada a ver umas com as outras têm o mesmo dono: Alpina, Frederique Constant e Bulova.

A Frederique Constant tem 47 referências aqui e a Alpina tem 13, e é útil ver as duas como a mesma casa dividida em dois temperamentos: uma vende relógio de vestir e a outra vende relógio de esporte.

As treze referências

Levantamos o catálogo. São 13 referências, de R$ 11.832 a R$ 20.298, com mediana em R$ 13.974.

As 13 declaram 2 anos de garantia, sem variação, régua que está em garantia de relógio por marca.

E há um dado que define o posicionamento: a marca não tem entrada. O piso custa R$ 11.832, o que a coloca acima de Tissot, Certina, Mido e Longines de entrada inteiros. Quem conhece a Alpina normalmente já passou por essas outras.

Onze das 13 são automáticas, e as duas exceções abrem a seção mais interessante deste texto.

Fundada em 1883. Irmã da Frederique Constant desde 2002, e neta da Citizen desde 2016.
Fundada em 1883. Irmã da Frederique Constant desde 2002, e neta da Citizen desde 2016.

As quatro linhas

O catálogo brasileiro traz quatro famílias, e elas se separam bem.

Linha Referências Água Espessura Faixa
Startimer Pilot 5 100 m 11,5 mm R$ 11.832 a R$ 17.340
Seastrong Diver 300 3 300 m 12,3 mm R$ 15.504 a R$ 20.094
Extreme 4 100 a 200 m 8,3 a 11,5 mm R$ 13.974 a R$ 20.298
Alpiner 4 1 100 m 12,5 mm R$ 11.934

O Startimer Pilot é a linha de aviação e a mais numerosa. Cinco referências, todas automáticas, com mostrador de piloto e 100 metros de água. O tipo está explicado em o que é um relógio de piloto.

O Seastrong Diver 300 é o mergulhador, e o número no nome é literal: 300 metros nas três referências. Numa faixa em que muita marca para em 200, isso é argumento real, e a régua está em 30, 50, 100 e 200 metros.

O Extreme é a linha esportiva de caixa integrada, e é a única onde convivem quartzo e automático.

O Alpiner 4 é uma referência solitária, a R$ 11.934, e é a mais barata do catálogo junto com o Startimer de entrada.

O panorama do que caracteriza um mergulhador está no texto técnico da Monochrome.

O caso do Extreme de quartzo

Vale abrir uma seção, porque aqui a marca faz uma coisa que quase ninguém faz na faixa dela.

Duas referências do Extreme são de quartzo, custam R$ 13.974 e têm 8,3 mm.

Leia os três números juntos. Quatorze mil reais num relógio a pilha é uma proposta que a maior parte do mercado considera indefensável nessa faixa.

Só que o 8,3 mm explica a conta. A marca trocou o rotor por altura.

Sem mecanismo automático dentro da caixa, o Extreme cai para a faixa dos relógios finos, e o catálogo mostra o que isso vale: menos de 10% das referências brasileiras ficam abaixo de 9 mm, conta detalhada em a espessura do relógio.

Compare dentro da própria marca. As outras onze referências Alpina ficam entre 11,5 e 12,5 mm. Ou seja, o Extreme de quartzo é três milímetros mais baixo que qualquer outra peça da casa.

A diferença entre as duas tecnologias está no comparativo da Monochrome, com a lembrança de sempre: quartzo mede melhor, régua que está em quantos segundos um relógio pode errar.

Ainda assim, é a referência mais discutível da linha. Você paga quase catorze mil reais e leva um relógio que precisa de troca de pilha, e quem compra Alpina costuma comprar por mecânica.

Onde ela perde

Vale listar, porque é onde nasce o arrependimento.

Não existe entrada. O piso é R$ 11.832 e não há degrau abaixo dele. Quem quer experimentar a marca não tem por onde.

O reconhecimento é baixíssimo. É provavelmente o nome menos identificado do catálogo nessa faixa de preço, e isso pesa na revenda, lógica que está em relógio é investimento.

A ficha não publica calibre. Nenhuma das 13 diz qual movimento está lá dentro, o que é ruim num produto de doze a vinte mil reais.

Nada é fino, fora as duas de quartzo. As outras onze ficam em 11,5 mm ou acima.

A irmã é mais conhecida. Pelo mesmo dinheiro, a Frederique Constant entrega mais reconhecimento de mesa, se é isso que você busca.

Contra a vizinhança

A faixa de onze a vinte mil reais.

Alpina Startimer Frederique Constant Sinn 556A Oris Aquis
Piso R$ 11.832 R$ 8.160 R$ 13.260 R$ 19.176
Movimento automático automático automático automático
Água 100 m 30 a 50 m 200 m 300 m
Espessura 11,5 mm a partir de 5,85 mm 11 mm 10 a 14 mm
Garantia 2 anos 2 anos 2 anos 2 anos
Rede no Brasil via grupo via grupo não sim

A leitura é equilibrada. O Startimer perde em água para Sinn e Oris e ganha dos dois em preço, e a irmã dela entra R$ 3.672 abaixo.

A Frederique Constant é a mesma casa com foco em vestir, e não em esporte. O Sinn dobra a água por R$ 1.428 a mais. O Oris Aquis é o mergulhador de verdade da mesa e custa bem mais.

E vale a nota que o quadro esconde: Alpina e Frederique Constant pertencem ao mesmo grupo japonês, então a conversa de assistência é a mesma para as duas.

O Extreme de quartzo tem 8,3 mm, três milímetros a menos que qualquer outra Alpina.
O Extreme de quartzo tem 8,3 mm, três milímetros a menos que qualquer outra Alpina.

Qual comprar

Compre o Startimer Pilot a R$ 11.832 se você quer entrar na marca. É o piso e é a linha mais característica da casa.

Compre o Seastrong Diver 300 a R$ 15.504 se água é uso real. São 300 metros, patamar que a maior parte da faixa não alcança.

Compre o Alpiner 4 a R$ 11.934 se você quer um esportivo com data e sem cara de aviação.

Compre o Extreme de quartzo a R$ 13.974 se espessura é o critério acima de tudo. São 8,3 mm, e você abre mão da mecânica por isso.

Não compre se reconhecimento importa. É o nome menos identificado da faixa, e a irmã dela resolve isso por menos.

Perguntas frequentes

O relógio Alpina é bom?

É uma marca suíça de 1883 com construção sólida e linhas bem definidas, sobretudo aviação e mergulho. O que pesa contra é o reconhecimento baixo e a ficha que não publica calibre.

Quanto custa uma Alpina no Brasil?

De R$ 11.832 a R$ 20.298, em 13 referências, com mediana em R$ 13.974. A marca não tem opção de entrada abaixo disso.

Quem é a dona da Alpina?

A Citizen, do Japão, desde 2016, quando comprou o grupo Frederique Constant inteiro. A Frederique Constant, por sua vez, tinha comprado a Alpina em 2002.

Alpina e Frederique Constant são a mesma empresa?

Pertencem ao mesmo grupo desde 2002 e dividem a sede em Genebra. São marcas separadas, e na prática uma cobre relógio de vestir e a outra, esporte.

Qual a Alpina mais barata do Brasil?

Um Startimer Pilot automático a R$ 11.832, com 100 metros de água e 11,5 mm de espessura.

Qual Alpina aguenta mais água?

O Seastrong Diver 300, com 300 metros declarados nas três referências à venda aqui, a partir de R$ 15.504.

O que fica

A Alpina é uma marca antiga com uma árvore genealógica que explica o produto.

Fundada em 1883 em Winterthur, comprada pela Frederique Constant em 2002, e parte do grupo Citizen desde 2016. Isso a coloca na mesma casa da Bulova, o que quase nenhum comprador sabe.

São 13 referências, de R$ 11.832 a R$ 20.298, todas com 2 anos de garantia, e a marca não tem degrau de entrada. Você entra por quase doze mil reais ou não entra.

As duas pontas úteis são claras. O Seastrong Diver 300 faz 300 metros, patamar que boa parte da faixa não alcança. E o Extreme de quartzo tem 8,3 mm, três milímetros abaixo de qualquer outra peça da casa, porque trocou o rotor por altura.

O que ela não tem é nome na mesa. Se isso não te incomoda, é uma marca coerente pelo que cobra. Se incomoda, a irmã dela custa menos e é mais conhecida.

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